Feira de Belém, Palestina

Até alguns anos atrás meu lugar preferido no mundo era biblioteca. Adoro o cheiro de livro, a atmosfera calma e o fato de ter toda aquela leitura ao alcance da mão. Meu amor por livro é quase físico e muitas vezes tive que controlar uma vontade urgente de agarrar todos (os livros) e rolar com eles no chão. Sei que parece estranho, mas o que esperar de uma pessoa que sonha em nadar em uma piscina de beringela? Porém, hoje um outro lugar veio competir com bibliotecas no meu coração: feiras. Aquela vibração, as cores e aromas intensos, a conversa com os vendedores, tudo me encanta. Passo horas apalpando e cheirando as frutas e verduras, por isso só vou sozinha. Eu aproveito melhor as feiras, assim como as bibliotecas, se não estiver acompanhada.

Tenho a imensa sorte de morar pertinho da feira de Belém, onde vou uma vez por semana. O que mais gosto nas feiras é o contato com as pessoas, muitas vezes os próprios produtores do produto. Algo que simplesmente não existe nos supermercados (na lista dos lugares que mais detesto no mundo, supermercado está lá em cima, logo depois de shopping center). Aqui em Belém não é raro ver os agricultores venderem os produtos que eles colheram poucas horas antes. Nunca poderei colocar em palavras o que sinto ao receber uma abobrinha das mesmas mãos calejadas que a plantaram. E se por acaso eu acho um pezinho de couve escondido no meio da salsinha, minha felicidade é tanta que tenho vontade de abraçar e beijar a senhora que vende folhas. Depois me agarrar com uma melancia e sair rolando pelo chão. Mas eu me controlo pois quero voltar lá na semana seguinte sem que os vendedores gritem “Olha aí a maluca da melancia!”.

Olha que lindas essas mini beringelas (no cantinho direito). Perto das batatas tem beringelas gigantes. Aqui tem beringela pra todos os gostos.

Infelizmente nem tudo é produzido por pequenos agricultores. Muitos vegetais vêm de grandes plantações em Israel, como provam as caixas com nomes em hebraico. Mas eu fujo de grandes plantações. Procurando bem dá pra achar produtos locais.

Está vendo os pepinos dentro do saco de estopa no canto? Esses foram plantados e colhidos por essa senhora. São os pepinos que estão na minha geladeira agora.

Feira em Árabe é “suk” e o suk de Belém vende de tudo, até produto de limpeza. A cobertura improvisada portege do sol escaldante do verão palestino. Os sacos brancos a esquerda estão repletos de amêndoas. É aqui que compro as amêndoas que uso pra fazer leite. Mas hoje o moço das amêndoas não veio…

…mandou a mãe no lugar. Ela tem cara de poucos amigos, bem diferente do filho, mas me fez um grande sorriso quando pedi um quilo de amêndoas. As bolas brancas no canto direito (embaixo) são coalhada de ovelha seca. Os palestinos esfarelam a coalhada em cima de um pouco d’água, deixam rehidratar e preparam um molho delicioso pra comer com arroz.

Olha o que ganhei de presente de um vendedor hoje. As uvas daqui amadurecem no pé e isso faz uma diferença imensa no sabor e na aparência. Notou como elas são douradas? Antes de vir pra cá nunca tinha visto uvas douradas. E sabe o que é mais impressionante?

Elas são transparentes! Dá pra ver perfeitamente as sementes através da polpa.

Não me canso de contemplar essas belezinhas. Me faz pensar em bebes dentro do ventre da mãe. E o sabor? As melhores uvas que já comi na vida!

Se você prefere o ar condicionado e a luz artificial dos supermercados, não sabe o que está perdendo. Experimente dar uma voltinha na feira ou mercado de sua cidade qualquer dia desses. Talvez dessa vez você consiga ver a magia do lugar. Mas se por acaso uma vontade irresistível de agarrar uma melancia te invadir, contenha-se.

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