Faz quase três anos e meio que sentei nas muralhas de Jerusalem e a vista da cidade antiga terminou de me convencer a tomar a decisão mais inusitada da minha vida: me mudar pra Palestina. Eu ignorei totalmente o frio na barriga que essa decisão provocou em mim e continuei adimirando a paisagem. O medo de me mudar pra um lugar totalmente desconhecido, de não me adaptar, de jogar pro alto uma vida confortável e arrumadinha na cidade luz, de me arrepender… sacudi a cabeça pra afastar os pensamentos negativos e respirei fundo aquele ar carregado de história. Eu ia começar uma vida nova, intensa, palpitante, cheia de surpresas e com um significado maior.

Não me arrependi nem um segundo. Acabo de chegar de Jerusalém (fica a poucos quilômetros de Belém) e pensei em publicar algumas imagens aqui. Espero que vocês consigam sentir um pouco da magia dessa cidade, que é três vezes sagrada. (Vocês sabem que clicando nas fotos elas ficam bem maiores, não é?)

A igreja do Santo Sepulcro, no coração da cidade antiga. Dizem que Cristo foi crucificado aqui. A pedra onde o seu corpo foi lavado, depois de ter sido retirado da cruz, está dentro da igreja. Uma multidão de pelegridos e turistas enchem esse lugar em permanência, mas durante a semana santa a loucura é ainda maior.

A cidade antiga abriga monumentos grandiosos, mas também esconde pequenos detalhes cheios de charme. Nas ruelas estreitas você encontra de tudo. Souvenirs relacionados com as três grandes religiões monoteístas, claro, mas também uma infinidade de outras coisas: brinquedos, roupas, jóias, eletrodomésticos, comida…

Preciso dizer que minha parte preferida é a comida? Nas lojas de especiarias você encontra absolutamente de tudo: sementes, raízes, folhas, flores, cascas, ervas, misturas de tempeiros, frutas secas, chás…  A pirâmide verde é zatar, o tomilho palestino que é vendido inteiro ou, como na foto, seco, moído até virar um pó fininho e misturado com um pouco de gergelim. O café da manhã tradicional aqui é chá preto com hortelã ou sálvia e pão com azeite e zatar.

A mesquita Al-Aqsa, o terceiro lugar santo dos muçulmanos (depois da Meca e de Medina).

O Domo da Rocha, o monumento mais impressionante da cidade. A “rocha” em questão é a pedra onde, a pedido de Deus, Abraão quase sacrificou seu filho Isaque. Também foi nesse lugar que Maomé subiu ao céu, acompanhado pelo arcanjo Gabriel. Deu pra imaginar o tamanho da discórdia que esses “rumores” provocam até hoje, não é?

Meu visto venceu há um mês e meio e amanhã tentarei renová-lo mais uma vez. Tem sempre a possibilidade de não dar certo e isso me estressa um pouco. Minha vida, pelo menos por enquanto, é aqui e se meu visto não for renovado não tenho um plano B. Mas prefiro evitar os “e se…” pois não quero atrair energia negativa. Vai dar tudo certo. Inshala, como dizem os palestinos.

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