Os posts sobre cosméticos deram o que falar! Muito obrigada pelas dicas deixadas nos comentários. Essa troca de conhecimentos é uma das coisas que mais aprecio aqui no blog. Também gostaria de agradecer a Lia, que chamou minha atenção pra algumas informações erradas na parte do texto sobre os gânglios linfáticos (isso que dá escrever sobre um assunto que não domino, mas já corrigi), e a Simone, uma dentista que generosamente compartilhou um pouco de sua experiência conosco. Seguindo os conselhos de Simone, estou usando sempre a escova sozinha pra limpar os dentes (às vezes com uma gotinha do óleo essencial de hortelã) e na última escovação do dia, depois de passar o fio dental e a escova sozinha, espalho delicadamente um pouco do pó dental pra complementar a limpeza. Assim diminuo o risco de desgastar o esmalte dos dentes e aproveito os benefícios do pó dental (dentes mais claros, menos bactérias na boca e ph da saliva balanceado).

Mas vamos voltar ao assunto que domino bem: comida. Quando faço versões vegetais de comidas que não são veganas, o que mais levo em consideração é a função do ingrediente de origem animal. Claro que às vezes procuro reproduzir, o mais fielmente possível, o sabor da comida em questão, mas nem sempre é esse o meu objetivo principal (não tenho interesse nenhum em recriar algo que tenha sabor de carne, por exemplo). Serei bem honesta: dificilmente comida vegana tem exatamente o mesmo sabor da comida de origem animal que ela está tentando imitar. Meus burguers vegetais não têm gosto de hambúrguer, leite de amêndoas não tem gosto de leite de vaca e assim por diante. Mas isso pra mim é uma vantagem, prova que comida vegetal pode ser original e única, não uma pálida imitação de comida de origem animal. Por isso você não encontra “bifes” de glúten e outras proteínas de soja nas minhas receitas (nada contra quem gosta desses produtos, mas não é a minha praia).

O que isso tem a ver com função? Como o sabor é difícil de imitar, tento me perguntar o seguinte: “Qual a função desse ingrediente no prato?” Pode ser dar cremosidade, dar liga, inserir ar ou, na maior parte dos pratos salgados, aumentar o sabor. Daí a importância de ter sempre ao alcance das mãos ingredientes vegetais que intensificam o sabor das preparações. E é nessa categoria que entra a receita de hoje. Usamos parmesão pra acrescentar mais sabor aos pratos, então com isso em mente criei uma mistura que cumpre esse papel, sem no entanto se aproximar do sabor do queijo.

Testei vários substitutos vegetais do parmesão, alguns feitos por mim, outros comprados prontos. Os industrializados, na tentativa de imitar o sabor do queijo italiano, tinham um gostinho artificial demais pro meu paladar. Ao experimentar diferentes receitas em casa, percebi que é impossível reproduzir o sabor do parmesão, mas, longe de ser um problema, isso abre a porta pra uma variedade imensa de receitas. Já que o objetivo não é imitar, podemos deixar a criatividade trabalhar e desenvolver pozinhos únicos. O mais simples de todos é ralar algumas castanhas do Pará e usar pra polvilhar seus pratos prontos. Também gosto de usar meu mix de sementes, que tem um sabor complexo e é carregado de nutrientes. Mas se estiver fazendo um prato de legumes gratinados, ou uma massa, nada melhor do que o meu parmepão.

O nome é meio ridículo afinal, se não estou tentando imitar o sabor, por que imitar o nome? A verdade é que não consegui pensar em nada melhor, mas garanto que o sabor compensa a gafe linguística.  O ingrediente principal, vocês devem ter adivinhado, é pão. Soa estranho polvilhar massas com pão? No sul da Itália isso é algo comum, e tradicional, provavelmente uma ideia das classes mais pobres, que não tinham acesso aos ingredientes nobres. O pão dormido era aproveitado e, depois de triturado, tostado até ficar crocante antes de ser polvilhado sobre o macarrão. Eu incrementei a ideia de base, juntando outros ingredientes de sabor marcante (pão sozinho não tem muito gosto). Nasceu então uma receita capaz de acrescentar mais uma camada de sabor ao prato e com um bônus: por ser crocante, ela deixa a textura mais interessante.

Parmepão

Qualquer tipo de pão dá certo aqui, mas pães feitos com fermento natural, integrais ou não, deixam a mistura ainda mais saborosa.

Base:

1x de pão dormido triturado (meça depois de triturar)

1cs de azeite

5 castanhas do Pará

1/2cc de alho em pó

1/3cc de sal, ou a gosto

Opcional

1cc de levedo de cerveja (melhor se for maltado)

1cs de gergelim torrado

1/2cc de ervas secas (uma mistura de manjericão e orégano, por exemplo)

Triture o pão dormido (rasgado em pedaços pequenos) no liquidificador, um punhadinho por vez, até não sobrar nenhum pedaço inteiro. Aqueça o azeite em uma frigideira grande, de preferência de ferro, e doure o pão triturado em fogo baixo, mexendo de vez em quando (cuidado pra não queimar). Enquanto isso, rale ou pique bem fino as castanhas do Pará e reserve. Quando o pão estiver bem dourado e crocante (prove pra ter certeza) desligue o fogo e deixe esfriar. A mistura ficará ainda mais crocante depois de fria (se não ficar, leve de volta ao fogo e deixe secar mais alguns minutos). Junte a castanha do Pará ralada/picada, o alho em pó e o sal. Se quiser, acrescente um ou dois ingredientes opcionais. Prove e corrija o sal, se necessário. Guarde em um potinho de vidro bem fechado. Se conserva fora da geladeira por no mínimo uma semana. Use pra polvilhar massas e legumes gratinados. Acrescente o parmepão no momento de servir, pra mistura se manter crocante.

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