Barrinhas de passas, coco e limão

Acho que todo professor de Português deveria fazer análise de texto com embalagens. Ler a lista de ingredientes dos produtos alimentícios industrializados é algo absolutamente fascinante (e apavorante). Talvez os professores achem minha ideia estranha (“Só podia ter saído da cabeça de uma cozinheira formada em linguística!”), mas quando vejo pessoas comendo porcaria pensando estar comendo algo saudável fico com muita pena. Quando adquirimos o hábito de ler a lista de ingredientes dos alimentos que ingerimos ninguém mais consegue nos enganar.

Pra mim o exemplo típico do que estou dizendo é barra de cereal. Tanta gente acredita que é algo saudável, quando na verdade a maioria desses produtos não passa de concentrados de açúcar com um tiquinho de fibra, misturado com conservantes e gordura ruim. Eu nunca como esses produtos (pra mim não são alimentos), mas adoro ler os rótulos de tudo que é industrializado pra ter pesadelo depois. Confesso que tenho tendências masoquistas.

Achei na net a composição das barras mais populares aí no Brasil. A mais baratinha tem:

Barra 1, INGREDIENTES – Xarope de glicose, flocos de arroz, banana desidratada, chocolate, aveia em flocos, açúcar invertido, gordura vegetal, sal e estabilizante lecitina de soja.

Vocês sabem que os fabricantes são obrigados a colocar os ingredientes em ordem decrescente, ou seja, o primeiro ingrediente da lista é sempre o que foi usado em maior quantidade. E qual o primeiro ingrediente dessa barra? Glicose (açúcar)! Depois vem chocolate, que com toda a certeza também tem açúcar. Mais na frente tem o quê? Mais açúcar! Durante muito tempo me perguntei o que danado era açúcar invertido (seria sal?), até descobrir que isso é um “xarope quimicamente produzido a partir do açúcar”.  O pior é a propaganda que acompanha essa barra: “Saudável, prático e gostoso, ***** é um alimento 100% natural, criado para as pessoas que procuram equilibrar uma alimentação saudável com praticidade e sabor.” Saudável? 100% natural? Faça-me o favor!

Mas o negócio piora. Fui procurar a composição de uma barrinha mais cara, pensando que os ingredientes seriam de melhor qualidade. Ledo engano.

Barra 2, INGREDIENTES – Glucose, flocos de três cereais (arroz, trigo e cevada), cobertura sabor chocolate ao leite, maltodextrina, flocos de milho, açúcar, aveia em flocos, leite em pó desnatado, castanha de caju, glicerina, óleo de palma, mel, açúcar mascavo orgânico, avelã em pasta, sal, estabilizante lecitina de soja, aromatizantes, corante natural caramelo e antioxidante natural tocoferol.

Quatro tipos de açúcar, mais mel, mais a tal “cobertura de chocolate ao leite”, que também tem açúcar. Se você não sabe, maltodextrina é um composto químico derivado da glicose. Trocando em miúdos, açúcar. O danado tem vários codinomes, o que confunde o consumidor. E o que essa glicerina está fazendo ali? Glicerina na minha casa só a do sabonete Granado!

Subi ainda mais no preço e procurei uma barra de cereal daquela marca mundialmente famosa, conhecida por fazer produtos de ótima qualidade.

Barra 3, INGREDIENTES – Aveia em flocos, flocos de trigo, açúcar, xarope de glicose, flocos de arroz, cevada em flocos, avelã, oleína de palma, liquor de cacau, lactose, gordura vegetal, manteiga de cacau, gordura vegetal fracionada, gordura anidra de leite, estabilizante polidextrose, umectantes sorbitol e glicerol, emulsificantes monoestearato de glicerila, lecitina de soja e ricinoleato de glicerila, aromatizante, acidulante ácido cítrico, corante natural caroteno e antioxidante tocoferol.

A primeira barra que utiliza mais aveia do que açúcar na composição, o que deveria ser a norma e não uma exceção. Mas pra compensar ela tem cinco (!!!) tipos diferentes de açúcar, cada um mais artificial que o outro, além de cinco tipos de gordura (oleína de palma, gordura vegetal, manteiga de cacau, gordura vegetal fracionada, gordura anidra de leite), glicerina (de novo!), aromatizante e corante. Quem ainda acha essa barrinha saudável?

Analisei a composição de uma barrinha “diet” só pra me torturar mais um pouquinho.

Barra 4, INGREDIENTES – Sorbitol, Flocos de Arroz, Aveia, Maltodextrina, Poli dextrose, Polpa de Morango, Morango em Flocos, Estabilizante Lecitina de Soja, Acidulantes Ácido Cítrico e Ácido Lático, Aromatizante, Corante Natural Carmim e Edulcorante Artificial Sucralose.

Quatro tipos de “adoçantes”, incluindo o sorbitol, a maltodextrina e a dextrose encontrados nas barras convencionais. Não vou começar uma discussão explicando porque adoçantes artificias são péssimos pra saúde, fica pra outro dia, mas deu pra ver que normal ou diet, essas barrinhas não são nada saudáveis, muito pelo contrário.

Eu faço barrinhas de cereais em casa de vez em quando, mas minha alimentação já é tão rica em cereais integrais que prefiro fazer barrinhas de frutas secas e oleaginosas. Elas são extremamente doces e saciam aquela vontade de comer um docinho no meio da tarde, mas usam somente ingrediente naturais de verdade, têm muitas fibras e não contêm açúcar branco nem nenhum tipo de xarope bizarro produzido em laboratório. Toda a doçura vem das frutas secas, que também são ricas em fibras e minerais. As oleaginosas são ricas em minerais, proteínas e gorduras boas. Essas barrinhas são tão gostosas quanto um doce, mas muito mais nutritivas e mil vezes mais saudáveis que barrinhas de cereais industrializadas.

A receita de hoje não é exatamente “ligth”, mas como expliquei acima essas barrinhas devem ser degustadas como um doce. Você pode fazer uma versão menos calórica substituindo o coco ralado por farinha de aveia, mas adoro o sabor do coco misturado ao limão. Passas e castanhas são ricas em ferro, por isso gosto de usar as duas juntas, mas você pode substituir as castanhas por amêndoas se quiser uma versão ainda mais rica em fibras.

Agora quem acha que deveríamos fazer um abaixo assinado pra tornar obrigatória a leitura de rótulos nas escolas?

 

Barrinhas de passas, coco e limão

O coco pode ser substituído, totalmente ou só uma parte, por farinha de aveia, ou aveia em flocos finos. Na minha opinião fica menos saboroso, mas com certeza é mais nutritivo. Essas barrinhas podem ser feitas no liquidificador ou no processador, por isso dou instruções pra fazer a receita nos dois. Prefiro o processador, pois com ele é possível triturar as passas sem acrescentar água e as barrinhas ficam mais firmes. Procure passas sem sulfato, pois esse conservante, usado nas frutas secas, não é bacana pra saúde. Tenho a imensa sorte de comprar uvas naturais, secadas ao sol pelo próprio produtor (o mesmo senhor que vende amêndoas na feira). Na foto acima dá pra ver o grau de “naturalidade” das minhas passas: elas vêm com cabinho e sementes (e eu como tudo!).

1x de passas

1x de castanha de caju (ou amêndoas)

Entre 1/2x e 1x de coco ralado (seco)

1 cs de raspas de limão

2-3cs de gergelim, ligeiramente torrado (ou cru, se preferir)

Método 1 (processador)

Deixe as passas de molho durante meia hora em um pouco de água morna (só o suficiente pra cobri-las). Triture as castanhas no processador até virar uma farofa grossa. Junte as passas escorridas e as raspas de limão e triture até a mistura começar a se unir, formando uma bola. Transfira pra uma vasilha média e junte 1/2x de coco ralado. Amasse bem com a mão até incorporar todo o coco na massa.  Retire uma porção de massa e enrole entre as mãos. Você deve conseguir formar uma bola com facilidade. Se a massa grudar nas mãos junte um pouco mais de coco ralado. Unte uma vasilha de plástico pequena e rasa(quadrada ou retangular) com um pouco de óleo e espalhe a massa sobre ela, formando uma camada uniforme e bem fina. Tampe bem e deixe algumas horas na geladeira pra ficar mais firme. Descole a massa da vasilha (coloque-a de cabeça pra baixo e bata no fundo), corte em seis pedaços e passe no gergelim. Você também pode fazer bolinhas, como brigadeiros, ao invés de barrinhas. Guarde na geladeira, em um recipiente fechado. Se conserva uma semana na geladeira.

Método 2 (liquidificador)

Deixe as passas de molho durante meia hora em um pouco de água morna (só o suficiente pra cobri-las). Triture as castanhas no liquidificador até virar uma farofa grossa. Transfira as castanhas trituradas pra uma vasilha média. Escorra as passas e reserve a água. Coloque as passas escorridas e 1/2x da água reservada e bata até virar uma pasta. Despeje a pasta de passas sobre as castanhas, junte as raspas de limão e 1x coco ralado e misture bem.  A partir daqui as instruções são as mesmas do método 1. Quando faço a receita no liquidificador acho mais fácil fazer bolinhas do que barrinhas, porque a mistura fica com uma consistência mais mole.

Mês passado Celine, a irmã do meio de Anne, veio nos visitar pela primeira vez. Vivemos cercadas de belezas naturais, mas nosso ritmo de trabalho é tão intenso que só mesmo quando recebemos visitas nos “forçamos” a aproveitar. E porque hoje é segunda e o dia está frio e escuro, comecei a olhar as fotos e relembrar essas ensolaradas micro férias que tiramos quando Celine estava aqui. (Conselho: clique nas fotos menores pra aumentá-las e admirar melhor as belezas desse lugar.)

As duas primeiras fotos são do mercado em Jerusalém ocidental, a parte israelense da cidade. Adoro esse mercado, pena que pra chegar lá preciso pegar um taxi, atravessar um check point do exército israelense, pegar um ônibus e caminhar 20 minutos. Poucos quilômetros o separa de Belém, mas se locomover aqui pode ser difícil e incerto. A foto abaixo é da loja etíope, a minha preferida  no mercado. A maior parte dos judeus da Etiópia migraram pra Israel nos anos 80 e trouxeram com eles seus costumes e tradições. A comida, claro, é uma parte importantíssima da cultura e além de lojas de produtos típicos, tem ótimos restaurantes etiópios na cidade. A primeira, e única, vez que comi comida da Etiópia foi aqui e foi uma agradável surpresa descobrir que, além de saborosa, ela é extremamente vegan friendly.

As próximas fotos são de Wadi Qelt, um oásis no meio do deserto entre Belém e Jericó. A caminhada, seguindo um antigo canal, às margens de um precipício, dura entre 4 e 5 horas, mas o visual compensa e muito o esforço.

Graças a esse canal, que está lá há séculos, alimentado por uma fonte natural, a vida no meio do deserto é possível e algumas famílias beduínas vivem lá. Eles plantam um pouco, mas vivem principalmente da criação de cabras. O contraste entre a aridez do lugar e o verde quase fosforescente por onde a água passa é impressionante. Mais impressionante ainda ao vivo.

No meio do caminho tinha um monastério, tinha um monastério no meio do caminho. O lugar é lindo e sempre que passo por lá invejo os padres ortodoxos que moram nesse cenário de sonho. Uma pena eles não aceitarem hóspedes, pois adoraria passar uma semana comtemplando o deserto com eles.

A destinação final da nossa caminhada: Jericó, a mais antiga cidade habitada do mundo. Faz mais de 10 mil anos que a cidade existe e durante todo esse tempo nunca deixou de ter gente morando lá.

Como queríamos mostrar um pouco de tudo à Celine, passamos um dia em Tel Aviv (Israel). A cidade em si não é nada atraente pra mim, só uma cidade grande com muito tráfego e praias feinhas (justiça seja feita: a vida noturna é quentíssima, é verdade, mas eu não dou bola pra esse tipo de coisa). Mas do lado tem a antiga cidade palestina de Jafa, hoje anexada à Tel Aviv. O centro histórico de Jafa é bem conservado e abriga inúmeros tesouros. Olha que mimo essa varandinha! Adoraria ter uma dessas pra tomar meu café da manhã todos os dias.

E a parte mais turística de todas: o mar morto. Esse imenso lago salgado, entre a Palestina, Israel e Jordânia, é o ponto mais baixo (na superfície) do planeta. As margens ficam a mais de 400 m abaixo do nível do mar e sempre faz calor por lá, o que é ótimo pra escapar do inverno daqui, mas insuportável no verão. Por ser 10 vezes mais salgado do que o mar, não existe vida que resista a esse meio hostil (tirando uma bactéria e parece que um tipo de alga também), por isso o seu nome.

As pedras nas margens são cobertas com uma espessa, e cortante, camada de sal. É difícil e doloroso andar aqui descalço e mesmo de chinelo Anne cortou o calcanhar na crosta de sal.

Por causa da alta concentração salina, o mar morto é muito mais denso do que o corpo humano, o que causa fenômenos estranhos quando estamos dentro dele. Todo mundo boia (muito!) e é impossível mergulhar. A impressão é que estamos nos banhando em óleo. Parece divertido? Muito, mas só durante alguns minutos. Depois o sal começa a incomodar e pobre dos que têm machucados na pele. Por menor que sejam (arranhões, cutículas mordidas, picadas de mosquito) eles vão arder ferozmente. As moças sofrem ainda mais pois todo esse sal irrita nossa… intimidade. Mas nada se compara a dor que sentimos quando gotinhas dessa água entra nos olhos. Parece bem menos divertido agora, não é?

Espero que a semana seja luminosa pra todos e que essas fotos tenham levado um pouco de beleza pra segunda-feira de vocês.

Macarrão gratinado com brócolis

Já expliquei aqui no blog que não sou muito chegada a macarrão, mas acontece que a senhora papacapim, aquela fotógrafa francesa que casou comigo, adora. Ela poderia comer macarrão todos os dias e ser feliz. A única coisa que a impede de fazer isso é que a cozinha é o meu território (ela só tem direito de entrar lá pra lavar a louça) e quem escolhe o que a gente come aqui nessa casa sou eu (e tenho dito!). Mas, pra ninguém me chamar de tirana (não que ela esteja reclamando dos meus quitutes, longe disso!), o cardápio da sexta é ela que escolhe. E adivinha o que ela escolhe s-e-m-p-r-e? Pois é, sexta é dia de macarrão aqui em casa. Por que sexta? Porque é o dia mais puxado pra ela, quando ela cobre várias ações (pense nos fotógrafos sem fronteiras) e depois de passar horas tentando fotografar dentro de nuvens de gás lacrimogêneo, desviando das  bombas de som e se protegendo das balas, bem, ela merece um pratão de macarrão. E minha tirania gastronômica amansa quando a senhora papacapim precisa de reconforto.

Dentre todas as massas que criei especialmente pra essas ocasiões, minha versão vegana e melhorada de um prato americano chamado macaroni and cheese (mac and cheese pros íntimos) é provavelmente a sua preferida.  A receita original usa leite, creme e dois tipos de queijo, resultando em uma quantidade obscena de gordura saturada e colesterol. Sei que esse tipo de bomba agrada muita gente, mas eu prefiro pratos onde minhas papilas possam sentir claramente os sabores e não se afogar em uma piscina de gordura.  Na minha versão uso um molho a base de castanha de caju e levedo de cerveja maltado, que lembra vagamente o sabor de queijos fortes, e junto bastante brócolis pra deixar o sabor ainda melhor (essa é a parte “melhorada” da receita). Confesso que inicialmente a ideia era aumentar os nutrientes do prato, mas descobri que brócolis misturado com um molho cremoso é divino.

Sei que na receita uso uma xícara inteirinha de castanha de caju (aproximadamente 120g) e que a quantidade de gordura das oleaginosas assusta muita gente. Mas essa gordura é boa e totalmente isenta de colesterol (só existe colesterol em produtos de origem animal).  Não aconselho meu macarrão gratinado pra quem estiver de regime, claro (mas quem comeria macarrão com queijo e creme pensando em perder peso?), mas quando a gente precisa de uma comida que reconforta, super saborosa e cremosa, esse prato é mais do que indicado. Mesmo se você tem um trabalho menos perigoso e estressante do que a senhora papacapim.

 

Macarrão gratinado com brócolis

Na hora de gratinar, use uma travessa pequena, pois se a camada de macarrão ficar muito fina (o que aconteceria em uma travessa grande) ele vai ressecar. O levedo de cerveja maltado é o que deixa a mistura com gostinho de queijo, mas já fiz só com um pouquinho de levedo não maltado e o resultado também ficou bom. Tradicionalmente o mac and cheese é coberto com pão torrado esmigalhado, mas eu prefiro polvilhar meu parmepão na hora de comer. Sirva acompanhado de uma salada verde pra balancear tanta cremosidade.

250g de macarrão curto (maccheroni  ou penne)

4x de brócolis picado

2 dentes de alho picados

1cs de azeite

Parmepão pra servir

Molho

1x de castanha de caju, de molho por 6 horas ou mais

1cc de amido de milho (ou araruta, ou polvilho)

1cc rasa de levedo de cerveja (se for maltado, use 1cs cheia)

1cs de suco de limão

1/4cc de cúrcuma* (açafrão da terra)

1/2cc de alho em pó

1cs de cebola desidratada (opcional)

1/2cc rasa de noz moscada ralada

Sal e pimenta do reino a gosto

1 1/2x de água

Aqueça o azeite e refogue o brócolis durante alguns minutos. Não precisa deixar amolecer totalmente, pois ele ainda irá pro forno. Junte o alho picado e refogue mais alguns segundos, só o suficiente pro alho dourar levemente. Tempere com sal e reserve. Cozinhe o macarrão em bastante água salgada, separe 1/2x da água de cozimento e escorra. O macarrão deve ficar ainda bem firme, pois terminará de cozinhar no forno.  Reserve. Enquanto o macarrão cozinha prepare o molho. Bata todos os ingredientes no liquidificador até as castanhas se dissolverem completamente. Seja paciente, pois isso pode levar alguns minutos. Cozinhe o molho em fogo baixo, até engrossar um pouco. Desligue o fogo, despeje o macarrão, o brócolis e a água reservada na panela e misture bem. O molho vai ficar bem líquido, mas isso é importante pro macarrão não ficar seco enquanto assa no forno. Prove e corrija o tempero, se necessário. Transfira pra uma travessa que possa ir ao forno e asse em forno alto até ficar ligeiramente dourado. Cuidado pra não cozinhar demais. Prove um macarrão: se ele estiver macio e o molho borbulhante e espesso o prato está pronto. Pra conseguir um efeito realmente gratinado você precisa de um forno com a função “grill”. Meu forno tem, então depois de cozido deixo gratinar 4-5 minutos. Sirva acompanhado de uma grande salada verde e de parmepão (polvilhe as porções diretamente sobre o prato). Rende 3-4 porções.

 *Cúrcuma não é indispensável, mas é responsável pela cor amarelada do prato. Sem ela o sabor é o mesmo, mas o visual fica mais pálido.

Os posts sobre cosméticos deram o que falar! Muito obrigada pelas dicas deixadas nos comentários. Essa troca de conhecimentos é uma das coisas que mais aprecio aqui no blog. Também gostaria de agradecer a Lia, que chamou minha atenção pra algumas informações erradas na parte do texto sobre os gânglios linfáticos (isso que dá escrever sobre um assunto que não domino, mas já corrigi), e a Simone, uma dentista que generosamente compartilhou um pouco de sua experiência conosco. Seguindo os conselhos de Simone, estou usando sempre a escova sozinha pra limpar os dentes (às vezes com uma gotinha do óleo essencial de hortelã) e na última escovação do dia, depois de passar o fio dental e a escova sozinha, espalho delicadamente um pouco do pó dental pra complementar a limpeza. Assim diminuo o risco de desgastar o esmalte dos dentes e aproveito os benefícios do pó dental (dentes mais claros, menos bactérias na boca e ph da saliva balanceado).

Mas vamos voltar ao assunto que domino bem: comida. Quando faço versões vegetais de comidas que não são veganas, o que mais levo em consideração é a função do ingrediente de origem animal. Claro que às vezes procuro reproduzir, o mais fielmente possível, o sabor da comida em questão, mas nem sempre é esse o meu objetivo principal (não tenho interesse nenhum em recriar algo que tenha sabor de carne, por exemplo). Serei bem honesta: dificilmente comida vegana tem exatamente o mesmo sabor da comida de origem animal que ela está tentando imitar. Meus burguers vegetais não têm gosto de hambúrguer, leite de amêndoas não tem gosto de leite de vaca e assim por diante. Mas isso pra mim é uma vantagem, prova que comida vegetal pode ser original e única, não uma pálida imitação de comida de origem animal. Por isso você não encontra “bifes” de glúten e outras proteínas de soja nas minhas receitas (nada contra quem gosta desses produtos, mas não é a minha praia).

O que isso tem a ver com função? Como o sabor é difícil de imitar, tento me perguntar o seguinte: “Qual a função desse ingrediente no prato?” Pode ser dar cremosidade, dar liga, inserir ar ou, na maior parte dos pratos salgados, aumentar o sabor. Daí a importância de ter sempre ao alcance das mãos ingredientes vegetais que intensificam o sabor das preparações. E é nessa categoria que entra a receita de hoje. Usamos parmesão pra acrescentar mais sabor aos pratos, então com isso em mente criei uma mistura que cumpre esse papel, sem no entanto se aproximar do sabor do queijo.

Testei vários substitutos vegetais do parmesão, alguns feitos por mim, outros comprados prontos. Os industrializados, na tentativa de imitar o sabor do queijo italiano, tinham um gostinho artificial demais pro meu paladar. Ao experimentar diferentes receitas em casa, percebi que é impossível reproduzir o sabor do parmesão, mas, longe de ser um problema, isso abre a porta pra uma variedade imensa de receitas. Já que o objetivo não é imitar, podemos deixar a criatividade trabalhar e desenvolver pozinhos únicos. O mais simples de todos é ralar algumas castanhas do Pará e usar pra polvilhar seus pratos prontos. Também gosto de usar meu mix de sementes, que tem um sabor complexo e é carregado de nutrientes. Mas se estiver fazendo um prato de legumes gratinados, ou uma massa, nada melhor do que o meu parmepão.

O nome é meio ridículo afinal, se não estou tentando imitar o sabor, por que imitar o nome? A verdade é que não consegui pensar em nada melhor, mas garanto que o sabor compensa a gafe linguística.  O ingrediente principal, vocês devem ter adivinhado, é pão. Soa estranho polvilhar massas com pão? No sul da Itália isso é algo comum, e tradicional, provavelmente uma ideia das classes mais pobres, que não tinham acesso aos ingredientes nobres. O pão dormido era aproveitado e, depois de triturado, tostado até ficar crocante antes de ser polvilhado sobre o macarrão. Eu incrementei a ideia de base, juntando outros ingredientes de sabor marcante (pão sozinho não tem muito gosto). Nasceu então uma receita capaz de acrescentar mais uma camada de sabor ao prato e com um bônus: por ser crocante, ela deixa a textura mais interessante.

Parmepão

Qualquer tipo de pão dá certo aqui, mas pães feitos com fermento natural, integrais ou não, deixam a mistura ainda mais saborosa.

Base:

1x de pão dormido triturado (meça depois de triturar)

1cs de azeite

5 castanhas do Pará

1/2cc de alho em pó

1/3cc de sal, ou a gosto

Opcional

1cc de levedo de cerveja (melhor se for maltado)

1cs de gergelim torrado

1/2cc de ervas secas (uma mistura de manjericão e orégano, por exemplo)

Triture o pão dormido (rasgado em pedaços pequenos) no liquidificador, um punhadinho por vez, até não sobrar nenhum pedaço inteiro. Aqueça o azeite em uma frigideira grande, de preferência de ferro, e doure o pão triturado em fogo baixo, mexendo de vez em quando (cuidado pra não queimar). Enquanto isso, rale ou pique bem fino as castanhas do Pará e reserve. Quando o pão estiver bem dourado e crocante (prove pra ter certeza) desligue o fogo e deixe esfriar. A mistura ficará ainda mais crocante depois de fria (se não ficar, leve de volta ao fogo e deixe secar mais alguns minutos). Junte a castanha do Pará ralada/picada, o alho em pó e o sal. Se quiser, acrescente um ou dois ingredientes opcionais. Prove e corrija o sal, se necessário. Guarde em um potinho de vidro bem fechado. Se conserva fora da geladeira por no mínimo uma semana. Use pra polvilhar massas e legumes gratinados. Acrescente o parmepão no momento de servir, pra mistura se manter crocante.

No último post dei as seguintes dicas pra diminuir o número de produtos tóxicos que entra no organismo através da pele e ajudar a acabar com o sofrimento inútil de animais em laboratórios:

1- Reavalie suas necessidades em cosméticos e use somente o necessário.

2-  Não compre cosméticos que foram testados em animais.

3- Prefira produtos/cosméticos naturais, pois geralmente eles são mais seguros e éticos.

4- Fabrique seus cosméticos em casa, utilizando ingredientes naturais.

O post de hoje é sobre a dica número 4. Eu ainda sou uma noviça em matéria de fabricação artesanal de cosméticos, mas tenho o orgulho de fazer o meu próprio desodorante e minha própria pasta de dentes (que na verdade é um pó) há mais de um ano. Fazer cosméticos em casa pode parecer complicado e talvez até arriscado, mas esses dois produtos usam ingredientes simples, a preparação leva menos de um minuto e são extremamente eficazes. E o melhor de tudo é que graças a essas receitas pude substituir talvez os dois produtos mais carregados de substâncias nocivas pra saúde.

O perigo dos cremes dentais

Todo mundo aprendeu que pra manter os dentes saudáveis temos que escová-los todos os dias, mas esqueceram de nos dizer que o essencial pra limpeza dos dentes é a escova e o fio dental. Creme dental, além de dispensável, é tóxico! Dentro do inocente tubo de pasta de dentes tem produtos químicos que ninguém deveria colocar no organismo. Como lauril sulfato de sódio, um detergente que irrita as mucosas e pode causar descamação da boca, provocando feridas e aftas. Cremes dentais também contêm triclosan (uma substância química suspeita de causar câncer), parabenos (que podem contribuir pro desenvolvimento de tumores cancerígenos), sorbitol (adoçante artificial), flavorizantes (responsáveis pelo sabor e efeito refrescante) e muito mais. E você ainda acha que flúor é essencial, pois protege os dentes contra cáries? O flúor pode afetar negativamente a nossa saúde em geral – pesquisas sugerem que ele aumenta a incidência de câncer e crescimento do tumor, transtorna o sistema imunológico, acelera o processo de envelhecimento, aumenta a artrite e causa danos genéticos. Ele entra na corrente sangüínea em poucos minutos depois que escovamos os dentes e faz todo esse estrago. Sabiam que o flúor é usado em inseticidas? Que se uma criança pequena engolir o conteúdo de um tubo de creme dental com flúor isso pode matá-la? Não faz o menor sentido tentar proteger os dentes de cáries e comprometer a saúde do corpo inteiro.

Felizmente a ação mecânica da escova é suficiente pra limpar os dentes, pode perguntar a qualquer dentista competente (fio dental também é essencial). Mas eu gosto de complementar a limpeza com meu “pó dental”, porque além de deixar os dentes ultra limpos ele desinfeta a boca e deixa o hálito com cheirinho de hortelã. E dizem que bicarbonato clareia os dentes também… Tudo isso sem nenhum produto químico pra poluir seu organismo e com a vantagem extra de ser muito mais barato que os cremes dentais do mercado.

Axilas tóxicas 

Temos cerca de 600 nódulos linfáticos no corpo, dos quais cerca de 50 estão nas axilas. O sistema linfático é a nossa principal defesa contra infecções. Ele é vital na hora de colocar pra fora as toxinas do corpo, aprisionar células estranhas, como bactérias e células cancerosas, e eliminá-las em seguida. O que acontece quando usamos desodorantes antiperspirantes? Os ingredientes tóxicos presentes nos desodorantes entram pelos poros, ficam presos dentro do corpo e vão se acumulando. E quem está ali do lado? Nossos seios, que viram verdadeiros lixões de toxinas. Sabemos que as toxinas podem provocar mutações das células, o corpo precisa liberá-las. Mas se o seu desodorante obstrui os poros, elas ficam retidas no organismo, prejudicando a circulação linfática na região da axila, o que pode se tornar um aliado no desenvolvimento do câncer. Usar um desodorante que não seja antiperspirante seria a solução? Desodorante, antiperspirantes ou não, são carregados de produtos tóxicos e como as axilas são verdadeiras portas de entrada pro organismo, não é uma boa ideia injetar todos esses produtos químicos no seu corpo.

Como resolver esses problemas

A resposta pra tudo que descrevi acima é: bicarbonato de sódio. Esse produto inocente que provavelmente já mora na sua cozinha é a salvação da lavoura. Graças ao seu poder desodorante, ele vai deixar suas axilas livres de mau cheiro sem poluir seu corpo. Já usei vários desodorantes e essa mistura caseira é mais potente do que muitos produtos que existem no mercado. Também é uma arma poderosa pra saúde dos dentes: limpa, clareia e ajuda a diminuir a acidez da boca, espantando as bactérias que causam mau hálito e cáries e prevenindo aftas. Você pode escovar os dentes com bicarbonato puro, é mais suave pro esmalte do dente do que o creme dental tóxico que está no seu banheiro, mas gosto de misturá-lo com argila branca (ela gruda na sujeira e deixa a boca ainda mais limpa) e um pouquinho de óleo essencial de hortelã pra deixar a boca e o hálito fresquinhos. Como eu expliquei no início do texto, as vantagens desses cosméticos naturais são muitas: não causam danos à sua saúde, são simples e rápidos de preparar e baratinhos.

 

Pó dental natural

Logo depois de misturado o aroma do óleo é discreto, mas depois de algum tempo tampado, seu pó de dente ganhará um perfume de hortelã mais intenso.

*Update 07/01: Uma leitora que é dentista deixou o seguinte comentário: “Acho importante salientar um cuidado a ser tomado quando são utilizados pós abrasivos como o bicarbonato de sódio ou a argila: a força e os movimentos empregados durante a escovação.” Use uma escova de cerdas extra-macias e escove com cuidado, sem utilizar muita força, caso contrário você corre o risco de desgastar o esmalte dos dentes. Pra reduzir ainda mais esse risco decidi só usar o pó uma vez por dia, antes de deitar, e usar a escova sozinha, com uma gotinha de óleo essencial de hortelã, no resto do tempo.

*Update 14/12: Há alguns meses mudei minha rotina de limpeza dental. Agora uso sempre a escova sozinha, as vezes com uma gota de óleo essencial de hortelã, e só uso meu pó dental uma vez por semana, com a maior delicadeza do mundo.

2cs de argila branca super fina

2cs de bicarbonato de sódio

10 gotas de óleo essencial de hortelã-pimenta (100% puro e natural)

Passe o bicarbonato por uma peneira fina, pois ele tem tendência a se compactar, formando pedrinhas. Junte o bicarbonato peneirado com a argila e misture bem. Transfira pra um potinho de vidro pequeno e acrescente o óleo essencial de hortelã. Tampe bem e chacoalhe pro óleo se misturar com o pó. Pra usar, molhe a escova de dentes e encoste as cerdas molhadas no pó.  Escove os dentes normalmente e enxague a boca.

 

Desodorante natural

Todo o poder do desodorante vem do bicarbonato. A razão de misturá-lo com amido de milho é pra deixar a mistura mais suave, diminuindo o risco de irritações na pele. Se sua pele não se irritar com as quantidades abaixo e você precisar de um desodorante ainda mais potente, pode alterar as proporções e usar 3cs de bicarbonato e 1cs de amido.

2cs de bicarbonato de sódio

2cs de amido de milho (maizena) ou polvilho

Peneire o bicarbonato e misture com o amido. Guarde em um potinho fechado. Modo de utilização: use um pincel de maquiagem grande, ou um disco de algodão, pra espalhar uma fina camada do desodorante sobre as axilas limpas e secas. Melhor aplicá-lo antes de se vestir, pro pó não cair na roupa (mas se cair, é só dar umas batidinhas com a mão e ele se vai).