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Papa de aveia com farinha de coco, chia e banana caramelizada

Muito obrigada pelas mensagens deixadas no meu último post. Ainda não tive tempo de reponder a cada um de vocês, mas queria que soubessem que elas me encheram de alegria. Estou nesse momento abraçando mentalmente cada um de vocês. Obrigada.

Continuo (extremamente) ocupada com o livro (pra todos os que pediram mais informações sobre ele, aguardem que em breve falarei mais sobre o assunto) e sem meu computador. Estou usando um computador emprestado, mas que está mais cansado do que eu, tem um teclado sem nenhum acento e que não corrige textos em Português, por isso vou logo me desculpando se cometi algum atentado à nossa língua. Mas esse blog está precisando muito de uma receita. E não qualquer receita, uma receita capaz de reconfortar depois desse período tão sombrio

Quem leu esse post sabe que cresci comendo papa de aveia e pra mim ela sempre será o equivalente comestível de um abraço de mãe. Reconforta, alimenta e aquece a alma. Já publiquei algumas receitas de papa de aveia aqui e parece que muita gente virou fã depois de ter experimentado em casa. Fico muito feliz em ter conseguido fazer algumas pessoas entenderem, enfim, toda a deliciosidade dessa comida tão humilde, mas que é extremamente nutritiva. Tem tanta gente por aí achando que investir na saúde significa comprar super alimentos exóticos e suplementos alimentares que custam uma fortuna, mas que ignoram que alguns dos melhores alimentos pra nossa saúde são baratinhos e são vendidos em qualquer mercearia. A aveia é um ótimo exemplo.

Mas essa papa é muito especial. E tem super alimentos exóticos e caros, mas eu posso explicar. A aveia sozinha já é muito nutritiva. Meia xícara de aveia em flocos (40g) tem 6g de proteína, 4g de fibra e é pobre em gordura (zero gordura saturada, zero colesterol). Mas eu acho que papa de aveia é o veículo ideal pra todo tipo de super alimento por três motivos. Primeiro porque ela tem um sabor suave, que combina com uma infinidade de outros sabores e pode ser personalizada à vontade. Segundo porque isso vai melhorar muito o seu café da manhã (pão com café pode ser bom de vez em quando, mas está longe de ser a opção mais nutritiva). Depois do jejum da noite seu corpo ficará extremamente feliz em começar o dia com uma refeição carregada de nutrientes. E terceiro porque super alimentos são super caros e acho um absurdo usa-los em receitas que, por serem carregadas de ingredientes nada saudáveis, vão acabar minimizando suas propriedades nutritivas. Por exemplo, usar chia ou farinha de coco em bolos e outras sobremesas. Sei que essas iniciativas partem de uma boa intenção, que é deixar sobremesas mais saudáveis, e eu não estaria fazendo essa crítica se chia e farinha de coco fossem baratinhas. Mas a verdade é que super alimentos são produtos de luxo que pesam no bolso, então a maioria das pessoas (incluindo eu mesma) só pode usar pequenas quantidades por vez. Logo a maneira mais inteligente de consumi-los é misturando com alimentos que também são saudáveis, maximizando assim os benefícios pra saúde. Por isso acho que papa de aveia é o veículo ideal pra eles. E essa receita tem não um, não dois, mas TRÊS super alimentos, além da aveia : semente de chia, castanha do Pará e farinha de coco.

A farinha de coco que comprei no Brasil (não estou ganhando nada pra fazer a propaganda desse produto, só recomendo porque realmente gostei dele).

Tudo que sei sobre a chia está nesse post, com mais algumas coisinhas nesse outro post. Falei sobre castanhas do Pará nesse post sobre oleaginosas. E se você ainda não conhece a farinha de coco, leia as próximas frases com atenção, pois tenho certeza que será o novo super alimento da moda no Brasil (ela já faz sucesso em outros lugares). Vi farinha de coco pela primeira vez dois anos atrás, em uma loja de produtos orgânicos na França. Até então eu nunca tinha ouvido falar dela, mas fiquei curiosa pra testa-la na minha cozinha. A embalagem explicava que farinha de coco era o que sobrava da polpa do coco maduro depois de ter sido prensada pra extrair o óleo de coco virgem. Ou seja, aquele bagaço que sobra na peneira depois que fazemos leite de coco em casa, só que desidratado e triturado finíssimo. A maior vantagen dessa farinha é que ela é riquíssima em fibras, mas também tem bastante proteína, além de não ter glúten. Esse ano, durante as férias no Brasil, encontrei farinha de coco orgânica em um supermercado da minha cidade e agora posso falar desse ingrediente sabendo que vocês vão poder compra-lo aí, se quiserem experimentar. Mas notei uma diferença entre a farinha de coco que comprei na Europa e a farinha de coco brasileira. Enquanto a primeira era branquinha e bem fina, a segunda tem um cor bege e é mais granulada. Mas a diferença principal parece ser o método de fabricação. Pelo que entendi (lendo a embalagem e o site do fabricante), a farinha de coco brasileira é feita de polpa de coco madura, triturada e desidratada, e não do bagaço que sobra depois da extração do óleo de coco. Escrevi um email pra empresa pedindo maiores esclarecimentos, mas nunca recebi resposta. Minha confusão aumentou quando comparei a quantidade de nutrientes das duas. Imaginei que, por conter ainda todo o óleo de coco, a farinha brasileira seria mais calórica, mas elas são praticamente idênticas em tudo (fibras, calorias, proteina). Mistério…

Vi várias receitas de bolos e muffins usando farinha de coco (misturada com outras farinhas ou pura) e acho que deve ser uma delícia. Mas paguei quase 15 reais por um pacote de meio quilo dessa farinha, então, como expliquei mais acima, acho melhor consumi-la em pequenas quantidades, pra fazer meu pacotinho durar meses. Como a vantagem principal desse produto é a grande quantidade de fibras, acrescentar uma colher de sopa na sua papa já é suficiente (uma colher de sopa dessa farinha tem 4,5g de fibras !). Então me diverti um pouquinho calculando a quantidade de maravilhas que tem na receita de hoje. Uso meia xícara de aveia ( 4g de fibra e 6g de proteína), 1 colher de sopa de farinha de coco (4,5g de fibra, 1,3g de proteína), 1 colher de sopa de chia (5,5g de fibra, 2g de proteína), uma banana (3g de fibra, 1g de proteína), uma xícara e meia de leite de amêndoas (11g de proteína) e duas castanhas do Pará (2g de proteína). Então essa papa tem 17g de fibra e 23,3g de proteína ! Lembrem-se que precisamos de 25g a 35g de fibra por dia e de 0,8g de proteína por quilo de massa corpórea. Pra fazer uma comparação malvada, se o seu café da manhã é um pão francês com uma fatia de queijo mussarela, você está consumindo 7g de proteína e zero fibra. Caso seu café da manhã seja mais « saudável » e você coma duas fatias de pão 100%  integral com uma colher de sopa de requeijão, você esta colocando dentro do corpo 11,72g de proteína e aproximadamente 6g de fibra. E tem gente achando que pão integral é a coisa mais fibrosa (e saudável) que existe…

Mas voltemos à nossa papa. Com 17g de fibra, 23,3g de proteína (eu RIO na cara de quem diz que minha alimentação é carente em proteína, ha, ha, ha !), pouca gordura saturada e zero colesterol (o que nao é o caso do pão com queijo), todo o selênio que precisamos em um dia, graças às castanhas do Pará, e uma boa dose de ômega 3, graças à chia, não tem maneira melhor de começar o dia. Quase esqueço de dizer que essa papa também é delicosa. Sempre misturei banana com minha papa de aveia matinal, mas desde que comecei a caramelizar a banana, essa fruta tão singela deu uma nova dimensão ao meu café da manhã. E combinada com o sabor suave de coco (farinha de coco tem um gosto delicado, mais tímido do que coco ralado, e nessa receita ele não vai incomodar quem não gosta de coco) ficou melhor ainda. Sou tão apaixonada por essa receita que faz três meses que a preparo todas as manhãs, religiosamente, e ainda não enjoei. Muitas vezes vou me deitar pensando na papa delícia que me espera na manhã seguinte…

Papa de aveia com farinha de coco, chia e banana caramelizada

Uso aveia em flocos grossos que trituro levemente no liquidificador (na verdade uso a função ‘pulsar’ e pulso duas ou três vezes). Assim parte dos flocos vira farinha, fazendo com que a papa cozinhe mais rápido e fique bem cremosa. Você pode usar aveia em flocos finos, pra evitar esse trabalho extra. Essa papa é adoçada unicamente com uma banana, porque gosto assim, mas sinta-se livre pra usar um pouco de açucar mascavo, passas ou aumentar a quantidade de banana pra fazer uma papa mais docinha. Falando em banana, eu compro vários quilos e quando elas ficam do jeito que gosto (maduras, mas não demais) corto em rodelas e congelo em sacos. Assim nunca falta banana pro meu café da manhã. Coloco as rodelas congeladas diretamente na panela na hora de fazer a papa. Uso leite de amêndoas, mas você pode substitui-lo pela mesma quantidade de leite de soja. Nesse caso sua papa terá 21,3g de proteína (a fibra continua a mesma). No dia da foto eu estava sem castanhas do Pará, mas sempre polvilho minhas papas com elas (ou com nozes). Castanha do Pará é uma das melhores fontes de selênio, um poderoso antioxidante que estimula o sistema imunológico e protege o coração. Duas unidades fornecem o selênio que precisamos em um dia.

1 banana (é mais fácil caramelizar se ela estiver congelada)

1/2x de aveia em flocos (leia acima)

1cs de farinha de coco

1 1/2x de leite vegetal (uso esse leite de amêndoas, mas preparado com 4x de água)

1cs de sementes de chia

1/3 cc de canela

uma pitada de sal

2 castanhas do Pará

Corte a banana em rodelas e cozinhe, em uma panela bem pequena, até ficar ligeiramente caramelizada. Cozinhe em fogo baixo, sem colocar água nem gordura na panela, pois a banana vai caramelizar sozinha. Vire os pedaços de banana pra caramelizar do outro lado. Amasse a banana com uma colher de pau (veja as fotos acima) e retire do fogo por alguns instantes. Polvilhe a aveia em flocos e a farinha de coco sobre a banana e despeje 1/2x de leite por cima. Misture bem com a colher de pau, pra umedecer a aveia, e junte mais 1/2x de leite, a canela e uma pitada de sal. Coloque novamente sobre o fogo e cozinhe, mexendo de vez em quando, até ficar cremoso. Quando a papa estiver cozida junte a 1/2x restante de leite e assim que começar a ferver desligue o fogo. Polvilhe a papa cozida com as sementes de chia, mexa mais uma vez e deixe descansar, coberta, por 3 minutos. Sirva com as castanhas do Pará picadas e, se quiser uma papa mais docinha, algum adoçante natural. Rende 1 porção.  Como essa papa é riquíssima em fibras, aconselho acompanha-la de bastante líquido, pros 17g de fibra não ficarem entupidos lá dentro. Eu gosto de comer minha papa com uma caneca de chá (preto ou verde), mas você também pode acompanha-la de um suco natural ou simplesmente beber bastante água durante a manhã.

Biscoitos de aveia, tahina e passas

Depois de mais de quatro anos de veganismo eu não sinto falta de (quase) nenhum produto de origem animal. Mas de vez em quando me sinto tentada a quebrar meu veganismo não por sentir desejo de comer algo não vegano, mas por pura preguiça. Explico. Por mais que eu adore cozinhar, às vezes gostaria de comer algo que não tenha sido preparado por mim. Isso me pouparia o trabalho, a limpeza da cozinha, a lavagem de louça…  Nesses momentos já me aconteceu de entrar em uma mercearia, ver um biscoito escocês ou um sorvete americano que eu adorava quando era onívora e sentir a tentação de comprá-los. Existem versões veganas desses itens por aqui, mas a qualidade é tão pobre, e a lista de produtos químicos tão longa, que nunca tenho vontade de comê-los. Geralmente saio correndo da mercearia pra não ter que escutar a briga do anjinho do ombro direito com o diabinho do ombro esquerdo. Felizmente assim que coloco os pés fora da mercearia me dou conta que o que me empurrava pra aquele biscoito não era a vontade de comê-lo (dificilmente algo industrializado, mesmo vegano, agrada o meu paladar), mas sim a preguiça de cozinhar.

Vivi a situação acima sábado passado. Fazia tempo que eu queria comer um biscoitinho crocante, daqueles que pedem pra ser mergulhados no café ou no chá, e depois de ter encarado a caixa de biscoito escocês por alguns segundos voltei pra casa obstinada a deixar a preguiça de lado e criar o biscoito dos meus sonhos: integral, sem açúcar, sem farinha de trigo, sem ingredientes duvidosos, vegano e gostoso. Além disso ele precisava ficar pronto em pouco tempo, com o mínimo de trabalho e de louça suja.  Sábado, às cinco da tarde, todos os meus desejos (de biscoito) foram realizados.

Mas antes de correr pra cozinha pra preparar essa maravilha, preciso explicar a natureza desses biscoitos. Eles entram na categoria de doces saudáveis que tem gosto de… saudáveis. Não se deixe ludibriar pelo chocolate, a essência desse biscoito é natureba, puxando pro macrobiótico. Se ele fosse uma pessoa seria com certeza um hippie de camiseta tie-dye, morando em uma Kombi cheirando a incenso, estacionada em alguma praia do litoral baiano. O sabor característico da aveia domina, mas tem também um fundo de tahina (que tem aquele sabor forte que uns adoram e outros detestam) e pinceladas de passas. Eles são crocantes e a doçura é bem tímida, perfeitos pra acompanhar o cafezinho. Meus biscoitos de aveia têm poucas chances de agradar crianças e pessoas que preferem doces bem doces, mas eu gostei tanto deles que pensei que os leitores que têm um paladar parecido com o meu gostariam de provar essa receita.

Se você gosta de bolacha integral e tahina, se toma café sem açúcar e se fruta pra você é sobremesa, esse biscoitos vão agradar. Se, ao contrário, você adora biscoito recheado e cookies com gotas de chocolate, talvez essa receita seja muito tie-dye pra você. (Pra você não sair daqui sem receita, aconselho minhas trufas de bolo com avelã e uísque).

Biscoitos de aveia, tahina e passas

Pra fazer uma versão mais doce você pode servir os biscoitos com geleia no lugar do chocolate (passe a geleia somente no momento de servir, pra não amolecer os biscoitos). As tâmaras podem ser substituídas por 4cs de melado (mel de engenho, melaço). Nesse caso o sabor será um pouco diferente, pois o melado é mais marcante do que as tâmaras. A tahina que uso aqui é bem fluida. Se a sua for do tipo espessa, use somente 3cs e acrescente mais 1cs de água. Se biscoitos integrais, sem açúcar e com manteiga de oleaginosas te interessa, Márcia publicou uma receita de bolachas de manteiga de amêndoa que é da mesma família desses biscoitos.

1x de farinha de aveia (eu  trituro aveia em flocos no liquidificador)

1cs de linhaça moída

1cs de maisena

1/3cc de bicarbonato de sódio

1/4x de passas

3 tâmaras

4cs de tahina

1/4x de água

20g de chocolate amargo (entre 50 e 70% de cacau)

Misture os cinco primeiros ingredientes e reserve (se seu bicarbonato tiver umas pedrinhas, passe-o por uma peneira fina pra desmanchar). Remova o caroço das tâmaras e amasse com um garfo até obter uma pasta. Se suas tâmaras estiverem ressecadas e duras, cubra com água quente e deixe de molho durante meia hora antes de amassá-las. Misture com a tahina e a água e bata bem (com o garfo) até ficar homogêneo. Você também pode fazer isso em um mini processador: coloque as tâmaras e a tahina e triture até virar uma pasta, em seguida acrescente a água aos poucos, com o motor ligado. Despeje essa mistura sobre os ingredientes secos e mexa bem. A massa deve ficar bem espessa e densa. Unte uma placa de assar biscoitos com um pouquinho de óleo (uso um pedaço de papel toalha pra espalhar o óleo e criar uma película finíssima) e distribua colheradas da massa formando dez montinhos. Molhe os dedos com água (pra massa não colar) e achate os montinhos formando os biscoitos. Asse em forno baixo, sem pré-aquecer, durante aproximadamente 20 minutos, ou até ficar bem dourado nas bordas e na parte de baixo. Retire do forno e, usando uma espátula de metal, descole os biscoitos com cuidado e vire-os pra assar do outro lado. Deixe mais 5 minutos no forno, ou até os biscoitos ganharem uma cor dourado-amarronzada. Pique o chocolate e distribua sobre os biscoitos quentes. Quando tiver derretido, use uma faca arredondada pra espalhar o chocolate. Deixe os biscoitos esfriarem completamente antes de servir. Se quiser que o chocolate endureça, coloque os biscoitos alguns minutos no congelador. Rende 10 biscoitos.

Pudim de aveia, banana e chocolate

Faz mais de dois meses que não publiquei nenhuma receita de sobremesa e se você é novo por aqui deve estar achando que doces não fazem parte da minha dieta. Leitor(a), você achou certo: as sobremesas tradicionais não me seduzem e eu não como açúcar (estou me referindo ao pó branco) nunca, nem amarrada, nem pra ganhar dinheiro. Mas não se engane, eu gosto de degustar uma coisinha doce aqui e acolá. No entanto, entre junho e setembro (o verão aqui) a feira fica carregada de uvas deliciosas, mangas suculentas, pêssegos e figos perfumados e tantas outras frutas saborosas que esqueço completamente dos bolos, pudins, sorvetes e afins. E vou confessar uma coisa. Quando eu mordo um pêssego maduro (que amadureceu no pé) e aquele sabor inebriante invade minha boca e narinas penso: “Nenhuma sobremesa é nem nunca será tão perfeita” e aí perco a vontade de criar receitas doces. Juro. Podem me chamar de xiita.

Mas agora que começou a anoitecer mais cedo, que o vento está cada dia mais fresco e que as frutas de verão estão desaparecendo, me peguei com vontade de comer algo doce que não fosse uma simples fruta. Em uma noite em que o jantar foi leve demais, desejei algo doce, mas consistente o suficiente pra preencher o vazio no estômago. Na improvisação nasceu esse pudim, que nada mais é do que uma papa de aveia com chocolate e banana (inspirada na minha papa preferida). Eu fico até sem jeito de publicar uma receita tão boba aqui, mas ficou tão bom que achei que deveria. Não é nenhuma sobremesa especial que eu serviria aos convidados, mas esse pudim é facílimo de fazer, rápido e mata a fome e a vontade de comer doce ao mesmo tempo. Não é decadente como uma torta de chocolate, mas quebra o galho naquelas horas em que você quer algo gostoso e que fique pronto em menos de 5 minutos. E ainda vem com um super bônus: é uma sobremesa que alimenta (com muitas fibras, ferro e potássio). Eu comi o meu diretamente da panela, com a colher de pau, mesmo. Aconselho você a fazer igual.

 

Pudim de aveia, banana e chocolate

É importante usar leite de coco, pois ele deixa a aveia mais cremosa e combina muito bem com a banana. Testei com leite de amêndoas e o resultado não ficou bom. Eu usei um leite de coco orgânico que trouxe da Europa, sem conservantes e bem líquido, bastante parecido com leite de coco fresco. Claro que o ideal seria usar leite de coco fresco, que é naturalmente adocicado, tem um sabor delicado e não tem conservantes, mas se tudo o que você tiver for leite de coco de caixinha, não tem problema. Nesse caso é importante misturar com um pouco de água por três motivos. Primeiro pro sabor ficar mais suave (o gosto do coco tem que ser discretíssimo). Segundo pra atingir uma conscistência mais fluida (leite de coco industrializado é bem mais espesso que o natural e o pudim ficaria grosso demais). Terceiro pra diminuir o teor de gordura da receita e fazer uma sobremesa mais leve e digesta.

3cs de aveia em flocos finos

1/2x de leite de coco de ótima qualidade

1/2x de água

(pode substituir os dois ingredientes acima por 1x de leite de coco fresco, bem líquido)

1 pitada de sal

1 banana

2cs de chocolate meio amargo picado

1/2cc de extrato de baunilha (opcional)

açúcar, se achar necessário

Cozinhe a aveia com o leite de coco e a pitada de sal, em fogo baixo, até engrossar. Adoce a mistura, se achar necessário. Junte o chocolate picado, a banana em pedacinhos e a baunilha (se estiver usando). Misture tudo e sirva quente. Rende 2 porções. (Reparem que nas fotos acima intercalei camadas de papa, banana e chocolate, mas foi por razões estéticas. Na hora de comer misturei tudinho.)

Crackers de linhaça e aveia

Alguns dias atrás vi a lista dos 50 melhores restaurantes do mundo desse ano e fiquei muito feliz em descobrir que o paulista D.O.M. ficou em sétimo lugar (eles eram o número 18 ano passado). Se você ficou curioso pra saber quem é o número 1, a resposta é Noma, em Copenhague (lista completa aqui). Eu admiro muito o trabalho do chef Alex Atala, criador do D.O.M. Ele foi buscar inspiração na Amazônia, incorporou produtos tipicamente brasileiros, como palmito pupunha, baru, jambu, tucupi e até priprioca, nos seus pratos e sua culinária 100% tupiniquim não só provou ao mundo, e aos brasileiros, que sim, temos uma identidade gastronômica própria e digna de interesse, mas também criou um movimento de valorização dos produtos da terra que foi seguido por vários outros chefs. Só não gosto mais de Atala porque alguns anos atrás li na revista Trip uma declaração dele que me deixou chocadíssima. Ao falar do impacto da nossa alimentação na crise climática, ele disse algo como “E vegetarianismo não é a solução, já que o cultivo da soja está destruindo a Amazônia”. Eu já ouvi esse disparate da boca de algumas pessoas que nunca colocaram o pé no Brasil, mas não esperava essa ignorância de alguém que conhece a Amazônia tão bem e trabalha diretamente com nativos da região. Mas torço pra que ele tenha descoberto que a soja da Amazônia serve pra alimentar o gado que vai virar bife pro onívoro, não pra fazer tofu pro vegetariano e não pude deixar de ficar feliz pelo D.O.M. fazer parte dos sete melhores restaurantes do mundo e ter recebido o prêmio de “Melhor Restaurante da América do Sul”.

Com isso fiquei matutando… Não seria maravilhoso ter um restaurante vegano entre os 50 melhores? Hoje todos os restaurantes da lista são ultra carnívoros e infelizmente o pessoal da alta gastronomia ainda tem muito preconceito com a culinária vegetal e olha pra nossa comida com um certo desprezo. A verdade é que os onívoros (chefs ou não) não sabem o que os vegetarianos comem, como prova o comentário de Atala (tanta gente acha que só comemos soja…). Porém a cozinha vegana não é “limitada”, “cheia de restrições” e “sem variedade” como eles imaginam. Muito pelo contrário. Acho que nossa força está exatamente no que é classificado à primeira vista como limitação: ao recusar os produtos de origem animal, que representavam uma grande parte da nossa dieta, somos obrigados a expandir nossa gama de alimentos, descobrindo novos ingredientes e novas maneiras de cozinhar. Tem um provérbio que diz “A necessidade é a mãe da criatividade” e isso não poderia ser mais verdade no caso da cozinha vegana. Eu vivo dizendo aqui no blog que ter virado vegana foi como ter descoberto um mundo novo. Quando converso com onívoros sobre o que como no dia a dia percebo que eles não conhecem boa parte dos alimentos que fazem parte da minha dieta hoje. Tenho certeza que a culinária vegana de qualidade preenche todos os requisitos pra entrar no Olimpo da gastronomia, basta usar ingredientes autênticos e de qualidade e deixar a criatividade fluir (e esquecer essa pseudo comida que é a proteína de soja).

antes de ir pro forno

Esses crackers de linhaça e aveia podem não fazer parte do menu gourmet do restaurante vegano (por enquanto imaginário) que entrará na lista dos 50 melhores, mas é mais um exemplo da criatividade da comida vegana. Eu roubei a idéia dos crudívoros, que adoram crackers de linhaça desidratados. Se meu super desidratador estivesse aqui na minha cozinha, e não lá em Natal juntando poeira, eu teria feito uma versão totalmente crua mas, a necessidade sendo a mãe da criatividade, adaptei a receita. A base não poderia ser mais simples: água, semente de linhaça e sal. Quando você mistura linhaça com água ela ganha uma conscistência gelatinosa, que lembra bastante clara de ovo cru. Tentei desidratar os crackers no sol, sem sucesso (as formigas atacaram eles), depois resolvi tentar o forno. Dessa vez deu certo, mas achei que podia incrementar mais a receita. Por mais estranho que isso possa parecer, acho que linhaça assada fica com gosto de peixe, mais precisamente sardinha. Pensei que era coisa da minha cabeça, talvez meu paladar estivesse sendo influenciado pelo fato de linhaça ter bastante omega 3, assim como peixe, mas Anne achou a mesma coisa. Passei a juntar outros ingredientes à mistura de linhaça e água e a coisa ficou bem mais interessante. Há tempos procurava uma maneira de usar a polpa de amêndoas que sobra quando faço leite. Faço leite de amêndoas duas, três vezes por semana e me sentia culpada por jogar o bagaço fora. Sei que poucas pessoas fazem leite de amêndoas em casa, por isso testei uma versão só com linhaça e aveia e o resultado também ficou ótimo. Mas das três versões que fiz (linhaça+polpa de amêndoas, linhaça+aveia, linhaça+polpa de amêndoas+aveia), a receita que segue é a minha preferida. Adoro o sabor da aveia no cracker e ao mesmo tempo não desperdiço a polpa das amêndoas.

Esses crackers podem não ser lá muito sofisticados, mas são riquíssimos em fibras, omega 3 e 6 e, o melhor de tudo, são deliciosos. Tão deliciosos que Anne fica inventando desculpas pra ir na cozinha só pra abrir o pote de crackers e roubar um. Se você gosta de beliscar, de mastigar coisas crocantes e salgadas entre as refeições, ou se quer uma alternativa vegana e saudável aos terríveis salgadinhos, bolachinhas e chips do lanche esses crackers vão mudar a sua vida. Lembrei que nos restaurantes bacanas sempre te dão umas coisinhas secas pra você mordiscar (pãozinho, grissini, torradinha) enquanto espera o prato chegar. Um dia a culinária vegana entrará no firmamento gastronômico e enquanto espero mordisco meus crackres de linhaça (tão mais nutritivos e gostosos que as torridinhas refinadas).

Crackers de linhaça e aveia

Considere minha receita com uma base e acrescente diferentes ingredientes pra criar sabores novos. Eu gosto de colocar sementes nos meus crackers (mais sabor e nutrientes) mas nada te impede de fazer uma versão com alho ou cebola em pó, ervas desidratadas, páprica, tomates secos ou o que mais sua imaginação mandar.Acho esse crackers tão bons que como puro, mas eles ficam ainda mais deliciosos acompanhados de algum patê vegetal ou, meu acompanhamento preferido, queijo de castanha. Se preferir usar só aveia, confira as instruções no final da receita.

3/4x de farinha de aveia (eu trituro aveia em flocos grossos até virar farinha)

1x de polpa de amêndoas (o bagaço úmido que fica no pano depois de coar o leite de amêndoas caseiro)

4cs bem cheias de linhaça moída

1/2cc de sal (ou a gosto)

1x de água

sementes (usei papoula, girassol e gergelim), opcional

azeite pra untar

Misture bem todos os ingredientes, menos as sementes, e deixe repousar 5 minutos. A linhaça vai absorver a água e dar liga à mistura. A massa deve ficar úmida, bem unida e despregar facilmente da vasília. Unte uma placa (dessas de assar biscoitos) com um pouco de azeite, coloque a bola de massa no centro e use as mãos pra achatar a mistura, espalhando sobre a placa. Termime com uma espátula de silicone, alisando a massa com um pouco de pressão pra criar uma camada uniforme. Não espalho a massa até encontrar as bordas, deixo 0,5cm livre ao redor da placa pois notei que os crackes sempre ficam mais queimados nessa parte. Polvilhe com um pouco de sementes, se quiser, e use a espátula pra cortar a massa em quadrados do tamanho que preferir (assim, depois de assados, os crackers vão se separar facilmente). Uso uma placa de aproximadamente 22cmx34cm, que é ideal pra essa quantidade de massa, e corto a massa em 12 quadrados. Asse em forno baixo até os crackers ficarem firmes, crocantes e dourados. No meu forno, que não é muito quente, levou uma hora, mas verifique o cozimente com frequência pois os crackers passam de dourados a queimados em poucos minutos. Deixe esfriar na placa e guarde em um recipiente fechado. Meus crackers continuaram crocantes até o terceiro dia. Talvez eles se conservem mais tempo, mas eles desaparecem rápido aqui em casa e nunca pude verificar. Rende 12 crackers.

*Pra fazer uma versão só com aveia, use 5cs de linhaça moída, 1 3/4x de farinha de aveia e entre 1 1/3x e 1 1/2x de água e a mesma quantidade de sal. Siga as instruções da receita acima.

Aveia dormida com pera, castanha do Pará e cardamomo

 

Já percebeu que todas as receitas da sessão “café da manhã” do blog contêm aveia? Aveia é um dos meus alimentos preferidos e, por ter tanta fibra, vitaminas, minerais e ser rápido de preparar, acho que ela é perfeita pro café da manhã da semana. Nos fins de semana gosto de longos e fartos cafés da manhã, mas quando o tempo é curto prefiro a praticidade e a simplicidade de um prato de aveia. Em poucos minutos preparo uma refeição super nutritiva e que me dá energia até a hora do almoço, além de trazer reconforto nessas manhãs frias de inverno.

Adoro minha papa de aveia tradicional, mas faz alguns meses que me apaixonei por uma papa de aveia crua que é ainda mais prática e deliciosa. Os anglofones chamam isso de “overnight oats” e eu traduzi pra “aveia dormida”. O princípio é simple: você mistura aveia com leite, deixa repousando uma noite na geladeira e na manhã seguinte sua papa está pronta, sem precisar passar pelo fogo. Enquanto “dorme” na geladeira, a aveia absorve o leite e fica macia, como se tivesse sido cozinhada. Se estiver quentinho gosto de comer minha aveia dormida fria (tiro da geladeira assim que acordo e deixo em um cantinho da cozinha enquanto tomo banho e me arrumo, assim ela não fica tão gelada), mas no inverno gosto de aquecê-la antes da degustação. Sempre complemento minha aveia com uma fruta fresca e algumas oleaginosas, pra aumentar o sabor e o valor nutritivo da refeição. Ultimamente minha mistura preferida é pera e castanha do Pará. Acho que leite de amêndoas, cardamomo e pera combinam maravilhosamente bem. Castanha do Pará, além de ser minha oleaginosa preferida, é uma excelente fonte de selênio (com apenas 1 unidade um adulto consegue suprir 100% da necessidade diária desse nutriente). Mas a receita é pra ser usada como guia então sinta-se livre pra usar as frutas, oleaginosas e especiarias que preferir.

Um café da manhã rico em proteínas, fibras, minerais e vitaminas? Confere. Prático e rápido de preparar? Confere. Vegano e delicioso? Confere. Esqueça (pelo menos de vez em quando) o pão com café e comece a cuidar do corpo e da saúde logo de manhã.

Aveia dormida (com pera, castanha do Pará e cardamomo)

Você tem que começar a preparar essa receita na véspera, mas lembrar de colocar a aveia de molho antes de ir pra cama é a única “dificuldade” aqui. O tempo se encarrega de fazer o  resto do trabalho e na manhã seguinte você encontrará um delicioso café da manhã esperando na geladeira. Acho que a fruta é suficiente pra adoçar a mistura, mas se você sentir que precisa de mais um “docinho” adoce da maneira que preferir (sugestão: coloque um punhado de passas de molho com a aveia). Quando posso, uso um punhado de castanhas pra aumentar a proteína da papa, mas castanha do Pará é extremamente cara aqui então na maioria das vezes me contento com 1 ou 2 unidades.

½ x de aveia em flocos grossos

¾ x de leite de amêndoas (ou seu leite vegetal preferido)

1 pera, em cubinhos ou ralada

6 castanhas do Pará, picadas

1/3 cc de cardamomo em pó

Misture a aveia, o leite de amêndoas e o cardamomo. Guarde em um recipiente com tampa na geladeira por 12 horas (uma noite). Na manhã seguinte, misture a pera e as castanhas com a aveia e sirva. Se preferir comer a aveia quente, aqueça a aveia dormida, antes de misturar com os outros ingredientes, em fogo baixo. Acrescentando mais leite, se preciso. Misture a pera e as castanhas e sirva. Rende 1 porção.