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omelete grão de bico

Faz tempo que não fico tão animada com uma receita. Na verdade estou eufórica! Esse omelete de grão de bico é mais que uma receita, é uma descoberta. Passei muitos, muitos meses tentando dominar a arte dos crepes de grão de bico, um prato tradicional em várias partes do mundo. No sul da França é chamado de ‘socca’, na Índia de ‘chilla’ ou ‘puda’ e a Itália tem uma verão cozida e depois frita chamada ‘panelle’. E, pasmem, todas essas receitas tradicionais são veganas. O conceito pode parecer estranho pra nós, mas eu confio nos italianos, indianos e franceses, então o negócio devia ser muito bom! Eu precisava embarcar no trem dos crepes de grão de bico urgentemente.

O problema é que todas essas receitas tradicionais usam o mesmo ingrediente: farinha de grão de bico. O grão de bico seco (cru) é triturado até atingir a textura de uma farinha fininha, mas esse produto, encontrado facilmente em mercearias indianas, não é vendido aqui. Nas receitas tradicionais que citei acima, a farinha de grão de bico é misturada com água e temperos, depois cozinhada na frigideira/forno ou frita. Comprei um quilo da farinha na França ano passado e embora tenha tido um relativo sucesso com ela, pra mim não faz sentido postar receitas que meus leitores não poderão fazer em casa.  Então comecei a procurar alternativas que poderiam ser utilizadas por todos.

Meu primeiro impulso foi triturar grão de bico cru no liquidificador pra fazer a farinha em casa, mas fiquei com tanto medo de quebrar o meu amado liquidificador que nunca tentei. Eu tenho uma máquina ultra potente (um Vitamix) e talvez ele tivesse dado conta do recado, mas pra quem usa liquidificadores domésticos acho que isso não seria uma boa ideia. Um dia, olhando um vendedor de falafel fritar seus bolinhos, tive um momento ‘eureca!’. Falafel, um dos quitutes mais populares do Oriente Médio, também é feito com grão de bico (e também é vegano, HA!). Pra fazer essa delícia você coloca o grão de bico de molho uma noite, depois tritura no liquidificador até formar uma pasta, acrescenta vários temperos, algumas verduras e depois frita. Será que eu poderia usar a mesma técnica pra fazer meus crepes de grão de bico?

massa omelete

Testei minha ideia no dia seguinte e fico muito, muito feliz em dizer que deu certo. Se você triturar grão de bico demolhado por no mínimo 12 horas (coloco de molho à noite e só faço a receita no almoço do dia seguinte, deixando de molho por umas 15 horas) com um pouco de água, você obtém uma mistura parecida com a tradicional farinha+água. Os ingredientes são os mesmos, só a técnica varia. Depois é só temperar bem, pois grão de bico puro é sem graça, e deixar cozinhar até ficar dourado dos dois lados. Minhas tentativas com farinha de grão de bico+água nunca me deixaram totalmente satisfeita. Acabei mudando um pouco os ingredientes, aumentando o tempo de cozimento e, depois de muitos testes, achei enfim a receita perfeita.

Eu não sei o que o danado do grão de bico tem, mas não é que o sabor lembra vagamente (vagamente!) omeletes feitos com ovo? (Se você não gosta do sabor de ovos, nada tema: essa receita é neutra o suficiente pra não incomodar suas papilas.) Não os omeletes clássicos franceses, mas um outro tipo que fez parte da minha infância. Quando eu era pequena, minha irmã mais velha tinha uma receita que eu adorava (puristas do omelete, olhem pro lado). Ela separava as claras das gemas, misturava as gemas com cebola, pimentão, tomate, coentro e uns bocadinhos de fubá, batia as claras em neve e juntava ao resto dos ingredientes antes de fritar. Era um omelete ligeiramente esponjoso e meio seco, provavelmente culpa do fubá, mas eu achava aquilo uma delícia.

Essa minha receita lembra muito o omelete da minha infância, só que melhor (desculpa, Lila). Por isso decidi chama-la de ‘omelete vegano’ e não ‘crepe’ ou ‘panqueca’. E também porque, sendo à base de grão de bico, essa receita é rica em proteína (como os omeletes feitos com ovos) e conta como uma porção de leguminosas, enquanto crepes e panquecas são feitos de farinha de trigo e não passam de carboidratos. Eu prefiro não chamar minhas criações vegetais pelo mesmo nome de criações à base de produtos de origem animal, mas ao usar uma palavra conhecida por todos pra descrever essa receita, ela parece menos exótica e intimidante, além de indicar de qual categoria ela faz parte (proteína ou, como dizem lá na minha terra, “mistura”).

omelete grão de bico2

Nas últimas semanas me diverti muito com ela: recheei com ingredientes diferentes, fiz mini omeletes, que tostei no forno (depois de cozidos na frigideira) até ficar bem crocante (um ótimo substituto pras torradinhas que acompanham patês), fiz uma versão ‘mexida’ que usei como recheio de sanduíche, cortei omeletes cozidos e frios em tirinhas, misturei com arroz e verduras e fiz uma espécie de ‘arroz chinês’… As possibilidades são infinitas!

Como disse no início desse post, faz tempo que não fico tão animada com uma receita. Esse omelete usa ingredientes simples e baratos, é nutritivo, prático, muito, muito saboroso e ainda é extremamente versátil. Não que eu esteja procurando versões vegetais de todas as comidas de origem animal que fizerem parte da minha vida pre-veganismo, mas é sempre uma maravilha descobrir receitas coringas que podem se transformar em tantas outras coisas.

PS. Um omelete ou uma omelete? Depois do tagine, me deparo mais uma vez com um prato de gênero gramatical duvidoso. A palavra deriva do Francês (“omelette”) e nessa língua ela é feminina. Cresci ouvindo ‘o omelete’ e juro que não consigo mudar agora. Felizmente o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, diz que pode ser os dois. E como ele tem valor de lei, cada um escolhe o que preferir. Mas se quisermos manter o gênero gramatical de origem de todos os pratos franceses que entraram na nossa cozinha, deveríamos dizer “a fondue” e “a crepe” também.

 omelete grão de bico3

Omelete vegano de grão de bico

Com um mínimo de prática você fará esses omeletes com as mãos amarradas nas costas, mas talvez suas primeiras tentativas não fiquem perfeitas. É essencial usar uma frigideira boa, que não grude muito (as de ferro são as minhas preferidas), espalhar uma camada fina de azeite e usar uma espátula de metal pra virar os omeletes. Também é muito importante deixar o omelete cozinhar até ficar totalmente cozido no interior (prove um pedaço pra testar: grão de bico cru tem um sabor desagradável), pois se seu fogo estiver muito forte ele vai dourar por fora antes de cozinhar completamente. Essa receita rende 5 omeletes grandes, mas eu faço um ou dois por vez, guardo o resto da massa na geladeira por alguns dias e vou usando aos poucos. Assim posso preparar uma refeição rápida, nutritiva e saborosa em pouco tempo. Enquanto o omelete cozinha preparo uma salada crua e o almoço fica pronto em 15-20 minutos.

Update: Veja a versão atualizada dessa receita aqui.

1x de grão de bico cru (seco), de molho por 12 horas ou mais

4cs de aveia em flocos

3 dentes de alho

1/4cc de cúrcuma

Uma pitada de ervas finas desidratadas

1cc cheia de fermento

Sal e pimenta do reino a gosto

1 cebola, picadinha

Um punhado de salsinha, picada

Azeite

Recheio (opcional)

Espinafre refogado com alho e cebola, temperado com sal e pimenta do reino + tomates secos

Escorra o grão de bico demolhado e bata com 2x de água no liquidificador. Seja paciente e triture até ele se desfazer completamente. Esfregue um pouco da mistura entre os dedos pra conferir: ela deve ficar macia, sem pedacinhos inteiros. Junte a aveia, o alho, cúrcuma, ervas, fermento, sal (usei 1cc rasa) e pimenta do reino a gosto e bata novamente por alguns segundos.  Transfira a mistura pra um recipiente grande e junte a cebola e a salsinha. Misture bem, prove (grão de bico cru tem um sabor desagradável, então não se assuste), corrija o sal e reserve. Aqueça uma frigideira grande (escolha a que grudar menos na sua casa) e com tampa. Quando ela estiver bem quente, espalhe um pouco de azeite, formando um filme (não precisa exagerar). Despeje um pouco da mistura de grão de bico no centro da frigideira e use uma colher pra espalhar a massa, como se estivesse fazendo um crepe/panqueca. Minha frigideira é bem grande e uso uma concha e meia de massa pra cada omelete. Adapte a quantidade de massa ao tamanho da sua frigideira. O omelete deve ficar relativamente fino, porém mais espesso que uma panqueca. Tampe e deixe cozinhar em fogo médio-baixo por 8-10 minutos (o tempo de cozimento vai depender do tamanho da sua frigideira e, consequentemente, do seu omelete). Quando a superfície estiver seca, o omelete parecer firme e as bordas ligeiramente douradas, está na hora de virar (cuidado: se você tentar virar cedo demais ele vai se partir).

omelete grão de bico4

Espalhe um fio de azeite sobre o omelete e use uma espátula de metal fina pra virar (talvez você precise fazer movimentos curtos de vai-e-vem pra descolar). Deixe cozinhar do outro lado (ainda em fogo médio-baixo), descoberto, por mais 5-6 minutos. Seu omelete deve ficar bem dourado dos dois lados, mas não crocante, então fique de olho: se ele parecer muito pálido, aumente o fogo, se estiver queimando, diminua.

omelete grão de bico5omelete grão de bico6

Com um pouco de prática você saberá exatamente qual temperatura e tempo de cozimento funcionam pra você e sua frigideira. Coloque agora o recheio pronto em uma das metades e dobre o omelete, como mostram as fotos. Sirva imediatamente. Se estiver fazendo mais de um, mantenha os omeletes prontos (recheados ou não) no forno baixíssimo, coberto (com papel alumínio ou, como faço aqui em casa, entre duas travessas) pra não ressecar. Essa receita rende 5 omeletes grandes. Se não quiser fazer todos os omeletes de uma vez, guarde o resto da massa em um recipiente fechado na geladeira por até 3 dias.

*Pra complementar a refeição: esse omelete, por ser à base de grão de bico, conta como uma porção de leguminosas (proteína). Acompanhe de uma salada crua e/ou legumes salteados e, se a fome for grande, inclua uma porção de cereais (arroz integral, por exemplo). No dia da foto servi com brócolis refogado, purê de batata e cenoura e uma salada crua (que não apareceu na foto).

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pasta de grão de bico e tomate seco

Pasta de grão de bico com tomate seco e alho assado

Muito obrigada pelas mensagens de solidariedade e apoio que vocês deixaram no meu último post. Como a ideia de viver de amor e hummus agradou algumas pessoas, acho que esse é um bom momento pra dividir com vocês uma variação da pasta mais amada no mundo (no meu mundo, pelo menos).

O hummus clássico, que ensinei a fazer aqui, é pra mim tão perfeito que não vejo sentido nenhum em alterar a receita. Às vezes vejo na internet receitas de hummus com ervas, com azeitonas, com beterraba e fico pensando na reação dos meus amigos palestinos se eu ousasse servir um negócio desses pra eles. Claro que eles gritariam “Sacrilégio!” e provavelmente se recusariam a provar a contrafação. Não me entendam mal, eu sou totalmente a favor da criatividade na cozinha e vivo adaptando receitas. Mas o hummus é tão delicioso do jeitinho que eles fazem aqui que embora eu me aventure vez ou outra com versões criativas dessa receita (a prova com esse pseudo-hummus com pimentão grelhado), sempre acabo voltando pra original.

Mas o segredo da gostosura do hummus é a tahina (ou tahine), essa pasta de gergelim que dá a cremosidade e o sabor típico ao prato e alguns leitores me escreveram dizendo que não é fácil encontrar esse ingrediente onde moram (ou que ele custa uma fortuna). Por isso pensei em sugerir mais uma alternativa de pasta à base de grão de bico sem a danada da tahina.

Quem gosta de tomate seco vai adorar a receita, mas se essa não for a sua praia fique longe dela, pois esse é o sabor que predomina no produto final. Eu adoro tomate seco, principalmente os que não são conservados no óleo (dependendo do óleo usado os tomates podem adquirir um sabor não muito agradável). E como também adoro alho assado, combinei esses dois ingredientes com o grão de bico, que tem um sabor bem neutro, pra criar uma pasta saborosa, simples e que fica pronta em poucos minutos (se o seu grão de bico já estiver cozido, claro).

Melhor do que o meu amado hummus? Não, mas é bom variar de vez em quando.

pasta de grão de bico e tomate seco2

Pasta de grão de bico com tomate seco e alho assado

Essa pasta é um ótimo recheio pra sanduíche. Espalhe uma camada generosa em um bom pão (de preferência integral e com cereais) ligeiramente tostado e acrescente os vegetais que mais gostar: tomate fresco, pepino, rúcula, palmito, berinjela ou abobrinha grelhada, alcachofra… Alho assado se transforma totalmente e o sabor fica muito suave, por isso não se assuste com a quantidade de alho dessa receita.

1x de grão de bico cozido

2cs de tomate seco picado

1 cabeça de alho (você só vai usar a metade)

1cs de suco de limão

2cs+ 1cc de azeite

Uma pitada de orégano ou manjericão (ou uma mistura de ervas finas) desidratado

Sal e pimenta do reino a gosto

Corte o topo da cabeça de alho (do lado contrário da raiz), só o suficiente pra expor alguns dos dentes e regue com 1cc de azeite. Leve ao forno alto (coloco diretamente sobre a grelha) e deixe assar alguns minutos, até a parte exposta do alho ficar dourada e o interior macio (teste inserindo a ponta de uma faca). Retire o alho do forno e deixe esfriar um pouco. Coloque o grão de bico cozido, o tomate seco, o suco de limão, o azeite e as ervas no liquidificador. Esprema metade da cabeça de alho* por cima (basta apertar cada dente de alho entre os dedos pra polpa macia se liberar), tempere com sal e pimenta do reino a gosto e junte 4cs de água. Bata a mistura até ficar homogênea, juntando um pouco mais de água (1cs por vez) até atingir a consistência de um creme espesso. Prove e corrija o tempero (talvez você queira colocar um pouco mais de limão, de azeite ou de sal). Rende um pouco mais de 1x. Se conserva alguns dias na geladeira.

*Misture a polpa da outra metade da cabeça de alho com 1-2cs de azeite, sal e pimenta do reino e passe essa pastinha no pão tostado. Delícia!

 

Abobrinha e pimentão recheados com arroz, grão de bico e especiarias.

Quanto pensei em fazer uma versão mais acessível dos dawalis palestinos, pensei imediatamente em rechear folhas de repolho. Mas, por causa de uma combinação de fatores, acabei sem repolho e sem condições de sair pra procurá-lo pela cidade. Semana passada sofri um pequeno acidente de trabalho (a frente da gaveta dos chás caiu sobre o meu tendão de Aquiles) e desde sábado estou com o pé enfaixado. Nada grave, só preciso de repouso e daqui a alguns dias estarei novinha em folha. Mas a maneira como estou andando atualmente, de lado, puxando uma perna, acabou com os meus planos de ir à feira essa semana. A outra moradora daqui de casa passou a semana correndo de um lado pro outro (sorte dela que pode correr!) e acabou esquecendo de comprar o repolho que pedi. Todos sabem que a necessidade é a mãe da criatividade, então a falta do ingrediente principal da receita que eu planejava preparar me fez ter outras ideias, que acabaram sendo muito mais interessantes.

Optei por rechear abobrinhas, que tradicionalmente fazem parte da panelada de dawalis, mas também pimentões vermelhos, muito usados na culinária palestina, embora nunca com folhas de parreira. A partir daí fui me afastando da tradição e seguindo os meus instintos. A mistura de especiarias que usei no prato é bem próxima da usada aqui, embora na Palestina a combinação seja vendida pronta, em forma de “mix”. Também mantive as ervas frescas que adoro nos dawalis: salsinha e hortelã (minhas amigas muçulmanas podem até achar uma heresia, mas a hortelã é essencial). E inspirada pela camada de tomate e cebola do fundo da panela onde cozinham os dawalis, forrei a travessa com esses legumes, antes de levar o prato ao forno. Acrescentei grão de bico pra deixar o prato mais nutritivo e completo (lembrem: arroz e grão de bico formam uma proteína vegetal completa) e passas, porque adoro uma pitadinha de doce nos meus pratos salgados. Aprendi isso quando estive no Marrocos, onde os maravilhosos tajines são preparados geralmente com alguma fruta seca (tâmaras, passas, damascos ou ameixas).

O resultado? Enquanto o prato estava no forno fiquei um pouco apreensiva, até o momento em que o aroma dos legumes assando invadiu a casa e Anne chegou correndo na cozinha perguntando que comida maravilhosa era aquela. Quando dei a primeira garfada na minha criação pensei que a trabalheira tinha valido a pena. Que importância tinha um pé dolorido diante daquela delícia? O arroz estava maravilhosamente perfumado, os legumes desmanchando na boca e os tomates e as cebolas tinham se transformado em um molho suculento que complementou perfeitamente o prato. A senhora Papacapim ficou ainda mais empolgada do que eu com o jantar e tive que arrancar das suas mãos a última abobrinha recheada, pois eu precisava dela pra fotografar no dia seguinte (nunca fotografo comida à noite).

Bendita a hora em que faltou repolho aqui em casa!

Abobrinha e pimentão recheados com arroz, grão de bico e especiarias

As abobrinhas daqui são bem pequenas, por isso achei importante indicar a quantidade em gramas também: assim vocês sabem exatamente o quanto de abobrinha usar. Eu asso as cebolas sozinhas durante alguns minutos, antes de acrescentar os tomates e outros legumes à travessa, porque assim elas têm a chance de ficar ligeiramente caramelizadas antes de serem inundadas pelo suco dos tomates. Aqui todos os pratos tradicionais são feitos com arroz branco e é impossível achar arroz integral nas mercearias. Usei um arroz basmati branco super perfumado, que deixou o prato ainda mais saboroso, mas sintam-se livres pra usar o arroz (branco ou integral) que preferirem. Quando fiz a receita eu só tinha um pimentão e acabou sobrando arroz. No dia seguinte comi o arroz do recheio puro, depois de esquentar, e achei tão bom que estou pensando em prepara-lo sozinho de vez em quando.

3 abobrinhas pequenas (500g)

2 pimentões vermelhos

1x de arroz cru (usei arroz basmati branco)

1x de grão de bico cozido (na água com sal)

3 cebolas grandes

6-8 tomates bem maduros

6 dentes de alho

Especiarias: 1cc de cominho em pó, 1/2cc de semente de coentro em pó, 1/2cc de páprica suave, 1/2cc de pimenta do reino moída, 1/3cc de cúrcuma

1cs (bem cheia) de passas

2cs de salsinha fresca picada

1cs de hortelã fresca picada

1cc de raspas de limão, mais suco de limão pra servir

Azeite e sal a gosto

Cubra as abobrinhas inteiras (lavadas) com água salgada e leve ao fogo. Deixe ferver durante alguns minutos, até elas amolecerem um pouco (cuidado pra não cozinhar demais). O tempo de cozimento vai depender do tamanho das suas abobrinhas. As minhas eram bem pequenas e amaciaram em cinco minutos. Quando esfriar um pouco corte as abobrinhas ao meio, no sentido do comprimento, e retire a maior parte da polpa usando uma colher pequena (veja foto). Salgue ligeiramente o interior das abobrinhas. Reserve a polpa e a as abobrinhas cavadas, assim como a água do cozimento.

Refogue metade de uma cebola picada em 1cs de azeite. Junte 4 dentes de alho ralados ou pilados e cozinhe mais 30 segundos.  Acrescente as especiarias, uma pitada generosa de sal e o arroz (lave antes pra retirar um pouco do amido) e refogue durante alguns instantes. Junte a polpa da abobrinha (pré-cozida) picadinha e o grão de bico cozido e misture bem. Cubra com 2x da água onde as abobrinhas cozinharam e deixe o arroz cozinhar até ficar cozido, mas ainda “al-dente”(ligeiramente firme). Acresente um pouco mais da água das abobrinhas se o arroz secar antes de cozinhar. O arroz deve ficar sem nenhum líquido, mas bem úmido. Desligue o fogo, polvilhe o arroz com as passas, as ervas frescas picadas e as raspas de limão e misture mais uma vez. Prove e corrija o sal. Deixe descansar, coberto, enquanto prepara o resto do prato.

Corte 2 cebolas e meia em pedaços grandes (corto as cebolas pequenas em 4 e as maiores em 8). Espalhe um fio de azeite em uma travessa grande e disponha os pedaços de cebola, separando um pouco as camadas. Leve ao forno médio. Enquanto as cebolas começam a assar, corte os tomates em pedaços grandes e reserve. Preencha cada abobrinha cavada com a mistura de arroz e grão de bico. Corte os dois pimentões vermelhos ao meio (no sentido do comprimento) e retire as sementes e a membrana branca. Recheie as metades de pimentão com o arroz.

Retire a travessa do forno e disponha os pedaços de tomate sobre as cebolas, forrando completamente o fundo. Espalhe os 2 dentes de alho restantes (ralados ou pilados) e tempere com sal, pimenta do reino e um fio de azeite. Se sua forma for muito grande talvez você precise usar mais tomates. Arrume as abobrinhas e os pimentões recheados sobre os tomates/cebolas (veja foto acima). Regue os legumes com um fio de azeite e leve ao forno médio até eles ficarem bem macios e os tomates se desintegrarem. Se seu forno tiver a função “grill”, use-a durante os últimos cinco minutos, pros legumes ganharem uma casquinha crocante de arroz. Mais uma vez, o tempo de cozimento vai depender do tamanho dos seus legumes. Sirva bem quente, regado com um pouco de suco de limão e acompanhado de uma bela salada verde. Rende 4 porções.

Salada de macarrão e grão de bico com abobrinha, tomate e rúcula

Fiz uma longa lista com tudo que tenho que fazer antes de viajar, mas parece que minha cabeça entrou de férias antes do meu corpo! Ando me arrastando pela casa, com vontade de fazer siestas, tomar longos cafés da manhã admirando a folhagem e ler revistas de culinária no sofá. E, o mais importante, não trabalhar, não limpar a casa e não responder emails. O único ítem que consigui respeitar da lista (até então) é “esvaziar a geladeira e o congelador”.

Eu cozinho leguminosas todas as semanas, depois divido em porções e congelo, de modo que a qualquer época do ano, quem abrir meu congelador vai encontrar vários saquinhos de feijão (de vários tipos), grão de bico e lentilha. Graças a esse hábito meu, sou capaz de preparar uma refeição em menos de meia hora. Tiro um saquinho do congelador, o legume que estiver dando sopa na geladeira e um cereal do armário e improviso um almoço/jantar nutritivo, balanceado e rápido. Essa fórmula é prática e, mantendo uma certa harmonia entre os ingredientes, produz resultados saborosos. Mas ontem minha vontade de dar cabo ao conteúdo da geladeira, e usar os restos do dia anterior, foram mais fortes que meu bom senso culinário e o jantar foi uma cacofonia gastronômica. Misturar arroz estilo asiático com repolho e feijão branco não é uma boa idéia (só avisando, caso alguém tenha pensado nisso). Tudo que posso dizer é que não passei uma noite muito agradável, mas sacrifícios como esse às vezes são necessários pra não desperdiçar comida. Felizmente, tem também as misturas improvisadas que dão muito certo, como essa salada de macarrão e grão de bico.

Combinar um cereal com uma leguminosa é uma das regras de ouro da nutrição vegana. Os dois juntos formam uma proteína vegetal completa, de ótima qualidade. Mas feijão com arroz todo dia cansa, por isso estou sempre experimentando novas combinações. Nunca tinha colocado grão de bico e macarrão no mesmo prato antes, mas, embora possa parecer estranho pra alguns, os ousados que experimentarem a receita abaixo não vão se arrepender. Esses dois ingredientes não têm um sabor acentuado, por isso é importante misturá-los com outros ingredientes de sabor intenso. Uma dose generosa de alho, algumas azeitonas pretas, um toque de raspas de limão, um bom azeite e um pouco de rúcula transformam essa salada em um prato excitante e saboroso. Abobrinhas assadas e tomates maduros completam o prato, deixando tudo mais suculento. Não sei se vocês têm costume de comer macarrão frio, com uma vinagrete no lugar dos molhos tradicionais, mas esse tipo de salada é perfeito pros dias quentes. Alimenta sem pesar no estômago e não te faz suar como um prato quente.

Agora vou (tentar) voltar pros meu afazeres, contando os minutos que faltam pro meu corpo cansado se juntar à minha cabeça na terra encantada das férias.

 

 Salada de macarrão com grão de bico, abobrinha, tomate e rúcula

 Eu gosto de uma dose generosa de alho e bastante rúcula na minha salada, mas ajuste as quantidades pra adaptar a receita ao seu gosto. Lembre-se, no entanto, que macarrão e grão de bico têm um sabor suave e precisam de outros elementos marcantes pra realçá-los. Outra dica: é importante usar tomates bem maduros e suculentos e azeitonas de ótima qualidade nessa receita. Uso grão de bico congelado e coloco diretamente na panela, sem descongelar antes.

250g de macarrão do tipo penne, parafuso ou tubos curtos (melhor se for integral)

1x de grão de bico cozido

3 dentes de alho ralados

2 abobrinhas italianas pequenas em rodelas médias (entre 1/2x e 2x quando assadas)

12 azeitonas pretas, caroços removidos e partidas ao meio

2 tomates grandes (bem maduros), em pedaços médios

raspas de 1 limão pequeno

2 punhados de rúcula picada

4cs de azeite, mais um pouco pra untar

1cs de vinagre balsâmico

sal e pimenta do reino a gosto

Disponha as rodelas de abobrinha em uma placa levemente untada com azeite. Regue com 1cs de azeite, tempere com sal e asse em forno médio até ficar macio e ligeiramente dourado. Mexa uma vez durante o processo pra virar as rodelas e dourar do outro lado. Cozinhe o macarrão al dente, escorra e reserve. Aqueça 1cs de azeite em uma frigideira pequena e doure o alho. Junte o grão de bico cozido (se congelado, não precisa descongelar antes) e refogue, mexendo de vez em quando, durante alguns minutos, até os grãos ficarem com uns pontinhos dourados. Tempere com sal e reserve. No recipiente em que for servir, misture 2cs de azeite com 1cs de vinagre balsâmico. Junte os tomates em pedaços, com o suco que tiver escorrido deles, as azeitonas, o macarrão cozido, as raspas de limão, o grão de bico (raspe bem a frigideira pra recuperar todo o alho frito), a abobrinha assada e uma dose generosa de pimenta do reino. Mexa pra envolver tudo com o molho, prove a corrija o sal, se necessário. Por último junte a rúcula, misture rapidamente e sirva em temperatura ambiente. Rende 2-4 porções (dependendo do seu apetite). Gosto de comer essa salada com uma porção extra de rúcula, mas só faça isso se você for fã.

Salada de trigo, grão de bico e legumes verdes com molho de tahine

 

Os almoços aqui em casa são sempre bem mais simples que os jantares. Não tenho muito tempo pra preparar algo especial durante a semana então geralmente como os restos do jantar do dia anterior ou improviso com o que encontrar na geladeira. Nessas horas tudo que quero é uma refeição nutritiva, equilibrada, fácil e rápida de preparar. Os resultados são pratos simples, rústicos mas que, embora me satisfaçam perfeitamente, eu não pensaria em servir pra convidados. Mas aqui e acolá, entre esse improviso apressado e os restos da geladeira, nasce algo que vale a pena ser repetido no jantar do fim de semana.

Essa salada pertence àquela categoria de receitas que podem ser infinitamente adaptadas. Como todas as saladas de grãos, ela aceita os mais variados tipos de ingredientes sem reclamar. Use as proporções como guia e escolha os legumes e ervas que preferir (ou que estiverem sobrando na geladeira). Claro que algumas combinações serão mais felizes que outras (brócolis, couve e grão de bico são sublimes com o molho de tahine), mas se você escolher ingredientes que gosta vai ser difícil fazer uma salada ruim.

Além de ter a vantagem de ser uma receita do tipo “limpa-geladeira”, essa salada é um prato completo. Cereais e leguminosas se combinam formando uma proteína (vegetal) completa. Legumes (principalemtne os verdes) e ervas trazem muitas vitaminas e antioxidantes ao prato. A tahina acrescenta uma dose de cálcio e gorduras boas que protegem o coração. E você percebeu que a salada é riquíssima em fibras? Fibras limpam o organismo, ajudam a baixar o colesterol e a regular o intestino, além de dar muita saciedade sem nenhuma caloria. Vale lembrar que só exite fibra nos vegetais.

Algumas pessoas devem estar imaginando que com tanto nutriente assim, essa salada só pode ser sem graça em matéria de sabor. De maneira alguma! Sirva esse prato pras pessoas que acham que comida saudável não pode ser gostosa e eles ficaram impressionados. Amigos, essa é a boa nova que venho repetindo há tempos. Você não precisa abrir mão do sabor pra se alimentar de maneira saudável. É possível fazer bem ao seu corpo e às suas papilas ao mesmo tempo.

 

Salada de trigo, grão de bico e legumes verdes com molho de tahine

Essa receita é um guia. Mantendo as proporções mas variando os ingredientes, você poderá preparar inúmeros pratos. Substitua o trigo por arroz integral, cevada ou quinoa, use feijão ou lentilha no lugar do grão de bico e acrescente os legumes que preferir. Mas não deixe de usar os ingredientes que a receita pede pelo menos uma vez, pois o resultado é absolutamente delicioso. Considero essa salada fácil e rápida de preparar porque tenho sempre algum grão na geladeira e alguma leguminosa no congelador. Se você tiver que cozinhar o trigo e o grão de bico, vai levar bem mais tempo pra preparar. Aproveite pra cozinhar uma grande quantidade de cada um e congele, ou guarde na geladeira, o resto. Assim da próxima vez que quiser comer essa salada ela ficará pronta em minutos.

1 ½ x de trigo em grãos cozido*

1x de grão de bico cozido**

2x de brócolis, em pedaços pequenos

2x de couve (folha) em tirinhas finas

1 cebola picada

2 dentes de alho picados/amassados

½ pimentão vermelho cortado em pedaços pequenos

1 tomate cortado em pedaços pequenos

2cs de cebolinha (só a parte verde) picada, ou outra erva fresca (salsinha, coentro…)

3cs de azeite

sal com ervas ou sal marinho

pimenta do reino à gosto

Molho

2cs de tahine

2cs de suco de limão

2, 3cs de água

Aqueça 2cs de azeite e refogue a cebola até ficar dourada. Junte o alho e o brócolis e deixe cozinhar (coberto) 5 minutos, mexendo de vez em quando. O brócolis deve ficar crocante e al dente. Acrescente o grão de bico cozido, o trigo cozido e a couve em tirinhas. Cozinhe (coberto) em fogo baixo até a couve amolecer um pouco, mexendo algumas vezes pra não grudar no fundo da panela. Tempere generosamente com sal com ervas (ou sal marinho) e pimenta do reino. Junte o tomate, o pimentão, 1cs de azeite e desligue o fogo. Mantenha a panela coberta enquanto prepara o molho. Em um recipiente pequeno, misture a tahine e o suco de limão. Bata vigorosamente com uma colher até ficar homogêneo e engrossar um pouco. Vá juntando a água, 1cs por vez, e misturando até atingir uma conscistência cremosa. Dependendo da tahine usada você precisará de mais água. Despeje o molho sobre a salada, misture bem, prove e corrija o tempero. Sirva quente ou em temperatura ambiente.  Serve 2-4 porções.

* Cozinhe o trigo em bastante água salgada, exatamente como você cozinharia arroz integral. Você também pode usar a panela de pressão se quiser quer fique pronto mais rápido.

** Grão de bico se cozinha como feijão, na panela de pressão.