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Restaurante Magias da Terra

Promessa é dívida e aqui está o Guia Vegano de Natal. Fiquei muito feliz em ver que o número de vegetarianos/veganos está crescendo na cidade e que ficou bem mais fácil ser herbívoro naquelas terras. O futuro é verde!

O “Nativos” funciona em uma casa reformada e o ambiente é muito agradável. No cardápio: saladas orgânicas, várias opções de pratos quentes (veganos e vegetarianos), sobremesas (uma só vegana, mas deliciosa) e sucos naturais.  Foi o primeiro restaurante que visitei em Natal e a comida continua muito saborosa. Adoro o feijão preto de lá, que é quase uma feijoada, e os bolinhos de soja (até eu que não gosto de soja acho ótimo).

A deliciosa torta de banana com castanha e açucar mascavo (vegana).

Além disso, a proprietária é muito simpática e foi paciente com essa vegana aqui, explicando direitinho o que tinha em cada prato. Minha memória pra números é péssima, mas acho que o quilo da comida custa em torno de 29 reais (alguém me corrija se eu estiver errada).

Restaurante Nativos – aberto de domingo à sexta, das 11h às 14h30

Rua Barão do Curumataú, 2256 – Lagoa Nova (Por trás da CEASA)

 

No mercado de Petrópolis tem o “Viva Melhor”. O lugar é bem pequeno e a oferta de pratos é menor do que no Nativos, mas a simpatia do pessoal e o precinho camarada compensam. Além de saladas, pratos quentes vegetarianos e veganos (com gosto de comida caseira), sucos e sobremesas, é possível comprar alguns produtos feitos por eles. Provei, e aprovei, o pão integral, biscoitos de aveia e biscoitos salgados de linhaça (o produto que mais gostei). O quilo da comida custa 20,90 reais. Os biscoitos (salgado e doce) custam 3 reais o pacote, o pão integral custa 6. Eles também vendem sopas congeladas por encomenda (somente à noite, faça o pedido durante o almoço).

Restaurante Viva Melhor

Mercado de Petrópolis – Av. Hermes da Fonseca, 407

 

Mas o restaurante que conquistou meu coração foi o Magias da Terra, na Ecovila Pau-Brasil, em Pium. Visitei o lugar pela primeira vez quase três anos atrás e quando voltei lá pude constatar muitas mudanças (todas pra melhor). O lugar já era encantador, mas agora está ainda mais bonito e agradável. No site eles explicam: “A Ecovila é um projeto sustentável, situado em uma área de dois hectares. Utilizamos técnicas de permacultura, agroecologia e biodinâmica no manejo orgânico de nossa produção de frutíferas, hortaliças, condimentais, medicinais e ornamentais. No campo da Permacultura, manejamos uma agrofloresta sustentável, mantemos árvores nativas da Floresta Atlântica, reusamos nossas águas através dos filtros biológicos…” Eles também transformam o lixo orgânico produzido pelo restaurante em composto e têm até banheiro seco (o que causou uma crise de riso incontrolável na minha irmã, que nunca tinha visto banheiro seco, e em mim, diante da reação dela).

Um dos vários pratos que comi por lá.

 A comida está à altura da beleza do lugar: um número enorme de pratos frios e quentes, mais muitas pastinhas e diferentes tipos de pães. Todas as verduras são orgânicas e todos os pratos são deliciosos. Por 36 reais e uns quebradinhos, você come à vontade (buffet frio, quente e sobremesa, sucos à parte). Se quiser prolongar o prazer gastronômico, é possível levar os pães deles pra casa. O restaurante oferece algumas opções vegetarianas, mas no dia que fui lá o buffet inteiro era vegano. O que pedir mais? Quem quiser se manter informado da programação do local (cursos de permacultura, oficinas de culinária, luau com pizzas veganas), pode escrever pra lá pedindo pra entrar na lista de e-mails. E pra ver a formosura do lugar, e escutar Pedro e Larissa explicando o projeto, confiram esse vídeo.

Restaurante Magias da Terra, Ecovila Pau-Brasil – aberto nos fins de semana, das 12 às 15h.

Instruções pra chegar lá: entre na rua da feirinha de Pium (entre a feira e a igreja) e siga em frente até encontrar a entrada que leva à Lagoa Azul, à esquerda (antes tinha uma placa, agora você terá que perguntar ao pessoal local). Continue mais alguns metros nessa estrada de barro e você encontrará uma placa indicando o caminho da Ecovila, no lado esquerdo da estrada.

A foto não faz jus à deliciosidade da pizza (com beringela, abobrinha e pimentão grelhados).

A pizzaria “Tomatino” não é vegetariana, mas faz a melhor pizza que já comi em Natal e o pessoal é bastante veg-friendly, adaptando as receitas pra agradar herbívoros. A massa é fininha e crocante e os recheios são interessantes e feitos com ingredientes frescos. Meu maior problema em pizzarias não é, contrariamente ao que se possa imaginar, o queijo (basta pedir pra vir sem), mas sim a falta de criatividade nos recheios vegetais. Tirando milho verde, ervilha e azeitona, todos vindos de latas, o que detesto, não tem outras opções de recheio de origem vegetal. Palmito é bom, mas pizza só com molho de tomate e palmito é meio triste. Na minha última viagem à Itália provei pizzas veganas deliciosas (em pizzarias tradicionais), com legumes grelhados, alcachofras em conserva, cogumelos salteados, ervas frescas, rúcula… E lá ninguém te olha como se você tivesse duas cabeças quando você pede pizza sem queijo. Fiquei muito feliz em descobrir que na Tomatino eles fazem pizzas tão deliciosas quanto as que comi por lá. E pra ficar tudo odara, os preços são mais que justos.

Pizzaria Tomatino

Rua Praia de Muriú, 9218 – Ponta Negra

Nessa visita à Natal descobri uma loja de produtos que é uma maravilha pros veganos (ou não). Lá tem semente de chia, cereais especiais e oleaginosas, folhas de alga nori (pra fazer maki), condimentos difíceis de encontrar, especiarias e até sal rosa do Himalaia e sal defumado! Além de inúmeros ingredientes da culinária chinesa-japonesa, tem também vários produtos árabes, como zatar (condimento à base de tomilho e gergelim) e tahina. Tudo com preços muito melhores do que nos supermercados. Fiz verdadeiros achados: potes de tahina árabe (os mais baratos que já vi na cidade), tofu (8 reais o pacote com meio quilo) e cogumelos funghi e shitake desidratados. Pra quem gosta de preparar pratos exóticos, quer incluir ingredientes diferentes no cardápio ou simplesmente deseja comprar alguns ingredientes básicos por um preço mais barato, essa loja é uma pérola.

Loja Kouzina

Rua São João,1242 – Lagoa Seca (fica pertinho do Corpo de Bombeiros).

 

Não podia deixar de fora a minha loja preferida na cidade (já falei um pouco dela aqui). O Alecrim pra mim é cheio de tesouros e a “Casa do Milho Pipoca” é um deles. Júnior, o proprietário, explicou que a loja tem esse nome porque seu pai foi o primeiro comerciante em Natal a vender milho especial pra pipoca, 40 anos atrás. Ele ainda passa os dias na loja, mas é Júnior que faz quase todo o trabalho hoje. Não tem como competir com os preços de lá: castanha de caju, castanha do Pará, semente de linhaça, gergelim, arroz da terra, soja em grãos… tudo mais barato do que nos supermercados. E ainda tem vários tipos de feijão, granola, semente de chia, mel de engenho (melado)….

Casa do Milho Pipoca

Rua Presidente Quaresma, 546 – Alecrim (na rua da feira).

 

Há anos escuto falar da feirinha de orgânicos na UFRN, mas só nessas férias consegui visita-la. Você precisa acordar bem cedo (com as galinhas, na verdade) pra ir lá, mas vale muito à pena. São poucas barraquinhas, mas que oferecem uma variedade boa de frutas e verduras. E, pasmem, por um preço igual ou até melhor do que nos supermercados! Pra completar a maravilha, Pedro, do restaurante Magias da Terra, e Curo, um veterano da culinária vegetariana em Natal, vendem vários dos seus quitutes por lá: pães, bolos, biscoitos, pastéis de forno, tofu… Tudo na barraquinha de Pedro era vegano, mas Curo vende comida vegana e vegetariana (infelizmente no dia que fui lá não tinha opções veganas, mas ele aceita encomendas).

A ruma de legumes que eu e minha irmã compramos: couve-flor, couve manteiga, cenoura, feijão verde, tomate cereja, maracujá, pepino, alface americana, alface roxa, rúcula e coentro.

Os quitutes do Magias da Terra

Não me arrependi nem um pouco de ter madrugado: voltei pra casa com essa ruma de verdura orgânica pela bagatela de 28 reais! Mais as delícias do Magias da Terra: pão com urucum (minha irmã ficou louca por esse pão), pastel de forno integral recheado com berinjela e o ultra delicioso bolinho de cacau integral (com especiarias e cobertura de chocolate).

Feira de produtos orgânicos da UFRN

Fica perto da praça cívica, ao lado do estacionamento. Funciona somente nos sábados, das 5 às 9 da manhã (o ideal é chegar lá antes das seis pra ter mais opções).

E pra ninguém mais caluniar o veganismo dizendo que é mais caro do que alimentação onívora, aqui vão mais dicas de lugares onde compro verduras, frutas, leguminosas e cereais baratos quando estou em Natal.

Feira do Alecrim, todos os sábados de manhã na Av. 1 (Presidente Quaresma). Os preços são bons e a atmosfera é coloridíssima. Vale visitar pelo menos uma vez.

A CEASA de Natal tem frutas e verduras por preços menores do que nos supermercados. Não são orgânicas, mas ainda assim acho que é uma opção pra quem quer comer mais verduras/frutas sem gastar mais. Claro que melhor ainda, e mais barato, é ir na feirinha de orgânicos, mas se você não acordou a tempo, esse lugar pode quebrar o seu galho. Dentro da CEASA tem uma loja chamada “Ervas e Temperos”, onde você encontra, além de todos os tipos de temperos, grão de bico, lentilha, soja em grãos, PTS, cogumelos secos, semente de girassol… Mais uma vez, os preços aqui são melhores do que nos supermercados.

E pra quem gosta dos produtos do Nordeste, o melhor lugar pra comprar mel de engenho (melado) é na Casa da Rapadura, pertinho da Casa do Milho Pipoca. Seu Galileu tem um canavial e um engenho em Japecanga (interior do RN) e vende os produtos que ele mesmo produz. O mel de engenho é o melhor que já provei (quando passei por lá custava 5 reais o litro, mas o preço pode variar de acordo com a época do ano), mas ele também vende, claro, vários tipos de rapadura.

Ficou faltando visitar um restaurante vegetariano na minha lista: o Cantinho Vegetariano, na vila de Ponta Negra. Vai ficar pra próxima, mas se algum leitor de natal já comeu lá, adoraria ler suas impressões.

Maxixes

Voltei de viagem no final da semana passada e ainda estou escondida na minha caverna. Hoje é segunda e as férias estão oficialmente acabadas. Não posso continuar ignorando o trabalho acumulado e a pilha de emails esperando resposta, mas minha mente teima em ficar sonhando com as horas passadas no sítio dos meus pais, com a macaxeira cozida, o abraço dos sobrinhos, as tapiocas, o feijão da minha mãe, o carinho dos meus irmãos (e as discussões travadas com eles), o cuscuz de Daída…

O sítio. À tarde gostamos de nos juntar aos cachorros pra tirar um cochilo (nós nas redes, eles no chão).

Conheçam tia Odissé, minha mãe e madrinha Rita. Conheçam Xavantes, o cachorro do meu pai.

Conheçam Matilda, a gata da minha mãe. Conheçam o menino brigadeiro e pequena encantadora de gatos (todos sobrinhos meus).

Conheçam Zeus, o cachorro do menino brigadeiro (mas que mora no sítio com o amigo Xavantes).

Conheçam Onofre, o bebê jacaré que meu irmão inventou de criar no sítio. Felizmente conseguimos fazer ele mudar de idéia e Onofre só passou alguns dias conosco.

Agora passemos à receita. Pirão de maxixe é um dos meus pratos preferidos e o primeiro que peço quando chego em casa. “Pedir” é modo de falar, quem faz o pirão sou eu mesma. A razão? Criei uma receita que deixa todos os outros pirões com vergonha! Você vai precisar de maxixes verdinhos e um pouco de paciência, mas a receita é relativamente simples e garanto que o resultado vai impressionar até aqueles que acham que não gostam de maxixe (já fiz a experiência duas vezes). Sei que essa receita não vai entusiasmar muita gente, mas  aqui vai um aviso aos (raros) apreciadores dessa iguaria: esse pirão é um manjar dos deuses!

Pirão de maxixe

Use maxixes bem verdinhos, que são mais saborosos (veja foto no final do post). Trirurar metade dos maxixes com o caldo é o segredo pra fazer o pirão mais delicioso do mundo. Além de acrescentar sabor, o “purê” de maxixe engrossa o caldo e você vai acabar usando menos farinha (que dá conscistência mas é insípida) pra fazer o pirão. Um pouco de informação nutricional: maxixe é rico em minerais (tem quase tanto potássio quanto banana) e tem pouquíssimas calorias (100g tem apenas 14 calorias).

½ kg de maxixe limpo, cortado em 4 no sentido do comprimento

1 cebola picada

1 pimentão verde (pequeno) picado

4 dentes de alho amassados ou picados

4 tomates picados

1 cubo de caldo de legumes (de preferência orgânico e sem conservantes)

2 pimentas de cheiro (aquela que não arde) picadinhas

½ maço de coentro picado

3cs de azeite

farinha de mandioca fina

sal e pimenta do reino a gosto

Se seu maxixe não tiver sido limpo pelo feirante, corte os cabinhos e raspe os “espinhos” com uma faca. Lave os maxixes inteiros, depois corte cada um em 4 ou 8, dependendo do tamanho, no sentido do comprimento. Em uma panela média, de preferência de fundo grosso, aqueça o azeite e refogue em fogo baixo a cebola e o pimentão por 5 minutos. Junte o alho e os maxixes e refogue mais 5 minutos. Acrescente os tomates picados, o caldo de legumes, as pimentas de cheiro e água sufuciente pra cobrir tudo. Cozinhe tampado até o maxixe ficar bem macio e o caldo ter reduzido um pouco. Quando o cozido tiver amornado, separe metade dos maxixes e reserve. Passe a outra metade com o caldo no liquidificador (talvez você precise fazer isso em duas vezes) até ficar cremoso e sem nenhum pedaço de legume inteiro. Transfira o creme de maxixe pra panela onde o cozido foi preparado. A parte, peneire um pouco de farinha de mandioca e jogue fora os possíveis carocinhos que encontrar. A farinha tem que ser super fina e sem nenhuma impureza. Ainda fora do fogo, polvilhe pequenas quantidades de farinha no creme de maxixe, mexendo com um batedor de arame o tempo todo. Uso essa técnica pra evitar que o pirão emboloe (fique com bolinhas de farinha crua que não se misturou ao resto). A quantidade de farinha usada vai depender do gosto de cada um. Eu gosto de pirão mole, então uso somente umas 3cs de farinha. Se você gosta de um pirão mais consistente sinta-se à vontade pra usar mais farinha, mas lembre-se que o pirão vai engrossar bastante quando for pro fogo. Depois de ter juntado toda a farinha ao creme morno, leve a panela ao fogo e cozinhe mexendo até a farinha cozinhar e o pirão engrossar um pouco (alguns minutos são suficientes). Junte o resto dos maxixes cozidos, o coentro e mexa bem. Prove o sal, junte mais um pouco se necessário, e acrescente uma pitada generosa de pimenta do reino. Desligue o fogo e sirva imediatamente. Serve 6 porções como acompanhamento (ou entrada).

Maxixe, contrariamente à maioria do vegetais, é mais saboroso quando verde. O maxixe da esquerda está um pouco maduro (grande e com sementes graúdas) mas ainda dá pra comer. Se o maxixe estiver amarelado e com sementes duras, ele está maduro demais e deve ser descartado. Os melhores maxixes são como o da direita: pequeno e com sementes minúsculas, a prova que o legume está bem verdinho.