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salada de frutas cítricas

Vários projetos interessantes estão aparecendo no meu horizonte e 2013 vai ser um ano supimpa! O único ponto negativo é que está cada vez mais difícil achar o tempo necessário pra manter o ritmo aqui no Papacapim. Talvez vendo de fora tudo pareça muito simples, mas muitas horas são necessárias pra criar cada post (comprar os ingredientes, cozinhar, fotografar, selecionar as fotos, escrever a receita, escrever o texto que acompanha a receita e colocar tudo isso no blog). E os artigos? Preciso de horas de pesquisas (às vezes dias), mais muitas horas de escritura (alguns posts que apareceram aqui precisaram de 10, 12 horas de escritura antes de ser publicados).

Mas eu gostaria de continuar publicando três posts por semana, então tive uma ideia. Vou publicar dois posts durante a semana, no estilo do conteúdo que vem aparecendo aqui desde a criação do Papacapim, e um post curtinho no sábado, com uma receita simples, dica ou algo que eu achar interessante e que mereça ser compartilhado com vocês. Minha intenção com esses mini-posts é inspirar, informar e/ou convidar à reflexão. Assim continuo aparecendo com frequência por aqui e ao mesmo tempo posso iniciar outros projetos. O que vocês acham?

Inicio essa série de mini-posts (que, por causa da introdução acima, não ficou mini) com uma receita original, suculenta e ultra simples.

Embora a feira esteja cheia de legumes de inverno, como mostrei no último post, essa estação é a mais pobre em frutas. Como tento comer somente vegetais produzidos localmente e de estação, nessa época do ano tenho que me contentar com frutas cítricas, pois são as únicas que aparecem por aqui entre janeiro e fevereiro. Não vou reclamar, pois adoro frutas cítricas e acho que durante os escuros e frios meses de inverno, essa dose extra de vitamina C é muito bem vinda.

Geralmente me contento de comer mexericas na sobremesa, toranjas nas saladas (essa aqui, mas sem as tâmaras) e limão espremido, misturado com água, pela manhã (um dia falarei mais sobre os benefícios desse hábito simples). Mas vez ou outra, quando tem convidados em casa e eu quero servir algo doce depois do jantar, sem no entanto fazer uma sobremesa elaborada, eu preparo essa salada de frutas cítricas. Foi ela que servi depois do jantar de natal e é sempre muito agradável provar algo tão fresco depois de uma refeição pesada. Sem falar que ela é linda.

salada de frutas cítricas 2

Salada de frutas cítricas com tâmara e hortelã

Geralmente uso só toranjas e laranjas, mas tinha uma mexerica dando sopa nesse dia e a salada ficou ainda mais bonita com ela (embora tenha ficado doce demais pra mim). A tâmara equilibra o amargor da toranja e a hortelã deixa tudo ainda mais refrescante. Essa salada pode ser servida como sobremesa ou no café da manhã. Imagino que poderia ter batizado minha criação de ‘carpaccio de frutas cítricas’ se quisesse dar um ar mais chique ao prato.

1 toranja

2 laranjas

1 mexerica

1 tâmara, picadinha

2cs de hortelã picada

Descasque a toranja e as laranjas de acordo com as instruções no final desse post. Depois de remover a casca e a parte branca, corte as frutas em fatias finas (remova as sementes). Descasque a mexerica com as mãos e corte em fatias finas (não esquça de remover as sementes). Misture as fatias de frutas, mais o suco que estiver escorrido enquanto você as cortava, a tâmara e a hortelã picadas. Sirva imediatamente. Rende 4 porções.

torta de chocolate e café

Quando contei sobre os quitutes que apareceram na nossa mesa no natal, mencionei uma torta de chocolate, café e caramelo que comemos no almoço do dia 25. Foi a única sobremesa que fiz durante as festas, pois entre os aperitivos, entradas e pratos, nunca sobrava espaço no meu estômago pra sobremesa. Mas na categoria “sobremesa”, minhas tortas são até bem leves, pois gosto de fazer a massa quase sem doce nenhum e colocar uma camada fininha de recheio. E como a avó de Anne almoçaria conosco naquele dia, fazer uma sobremesa especial era importante pra mim.  Quando perguntaram se ela queria provar a minha torta vegana ela respondeu “Claro!”, mesmo depois do almoço pesado e de já ter engolido um pedaço de tronco de natal. Ela adorou a torta e perguntou, intrigadíssima, com é que eu conseguia fazer aquilo sem manteiga e sem creme. Eu adoro impressionar vovós…

Essa torta segue o mesmo estilo do meu pavê trufado de chocolate amargo e morango e da minha torta de chocolate, banana e amendoim. O denominador comum entre essas três sobremesas é a combinação de tofu sedoso e chocolate amargo (ou meio amargo). Se você ainda não descobriu as maravilhas que o tofu sedoso pode fazer na cozinha, isso precisa mudar urgentemente.

Sempre que posto uma receita com tofu, aparecem comentários de leitores tofufóbicos dizendo que ainda hesitam em preparar algo com ele. Amigos, eu também já fui assim, mas é preciso superar a tofufobia, pois ele é um ingrediente extremamente versátil e, se preparado corretamente, muito saboroso.

Pros noviços em matéria de tofu, aqui vão alguns esclarecimentos. Resumindo bastante, tofu pode ser firme, regular e sedoso (mole). Essa denominação tem a ver com o tempo de drenagem do tofu: quanto mais tempo ele fica na prensa, mais água escorre e mais firme se torna a textura. O tofu sedoso é o único que não é drenado, por isso tem uma concentração de água bem mais elevada e a textura de um pudim firme. Na hora de escolher procure uma loja de produtos japoneses (ou lojas macrobióticas), pois eles fazem o melhor tofu sedoso, e compre o mais fresquinho que encontrar (confira a data de fabricação). Se não estiver escrito na embalagem se ele é firme ou mole, peça ajuda ao vendedor. Tofu mole/sedoso pode substituir o creme e os ovos em algumas sobremesas, se transformando em deliciosos pavês, tortas e mousses. Se o sabor do tofu te assusta, nada tema! Misturado com ingredientes saborosos e intensos, como chocolate, e depois de descansar uma noite na geladeira (importante!) ele desaparece sem deixar vestígios. Quem experimentou minhas receitas de sobremesa com tofu sedoso pode confirmar.

Se você liquidificar tofu sedoso ele se transforma em um creme mais ou menos espesso, dependendo do tofu utilizado (alguns são mais firmes que outros). Mas a verdadeira alquimia acontece quando misturamos esse creme com chocolate derretido e deixamos a mistura descansar na geladeira. A manteiga de cacau presente no chocolate vai se solidificar e a mistura ganhará uma consistência de creme/mousse. Dependendo da quantidade de líquido que você acrescentar à receita, esse creme/mousse poderá ser bem firme ou bem cremoso.

Quando fiz essa torta, queria um recheio cremoso e sedoso, pra contrastar com a massa crocante. Por causa da falta de tempo usei uma massa semi-folhada vegana comprada pronta. Apesar de prática, esse é um produto que só usaria em emergências. Mas você pode, e deve, usar uma massa feita em casa, com carinho e ingredientes naturais.

Quando fiz essa torta acrescentei uma camada de creme de Speculoos. Speculoos é um biscoito tradicional belga, que tem um leve sabor de caramelo, complementado por um toque de canela. A versão creme desse biscoito, pra passar no pão, virou coqueluche lá na Europa e anda destronando aquela famosa pasta de chocolate e avelãs em alguns lares. Essa pasta é vegana (assim como os biscoitos) e depois de ouvir tantos elogios resolvi experimentar. O sabor é idêntico ao biscoito, que adoro, mas o doce é multiplicado por três. Pra mim é intragável, mas pra quem gosta de doces, esse creme tem tudo pra conquistar. Porém não sei se ele é vendido no Brasil…

Como disse, usei um pouco de creme de Speculoos na torta, tomando o cuidado de fazer o recheio bem amargo pra compensar, mas isso é totalmente desnecessário. A receita abaixo é pra fazer uma versão chocolate-café, uma das minhas combinações preferidas. Se você ainda não começou a usar tofu sedoso em sobremesas, espero que essa receita te dê o empurrãozinho final. Além de ser extremamente prático (um ingrediente só pra substituir ovos e laticínios em sobremesas? O que mais pedir?), ele é capaz de fazer sobremesas veganas tão gostosas quando as tradicionais e com o bônus de ser menos calórico, pobre em gorduras e rico em proteínas. Acho que mesmo os onívoros deveriam começar a prestar mais atenção nele…

Update: Quer fazer seu tofu (macio ou firme) em casa? Lina, do blog Aroma de Café, postou a receita bem explicadinha. Vai lá!

 torta chocolate café caramelo 2

Torta vegana de chocolate e café

Você pode usar sua receita de massa pra torta preferida aqui. A massa dessa torta de maçã também ficaria ótima com esse recheio. Outra opção é esquecer a massa e usar biscoitos do tipo maizena, transformando a torta em um delicioso pavê. Nas fotos a torta está decorada com migalhas de biscoito Speculoos, mas você pode usar raspas de chocolate ou migalhas de outro biscoito. Ou optar pelo minimalismo e não usar decoração nenhuma. Se você só encontrar chocolate meio-amargo (com menos de 60% de cacau), acrescente 1cs rasa de cacau ao recheio, pra intensificar o sabor do chocolate.

200g de tofu sedoso

150g de chocolate amargo de ótima qualidade (60% ou 70% de cacau)

Sementes de um favo de baunilha (ou 1cc extrato natural)

½ xícara de café de água quente

1cc de café solúvel (ou substitua a água e o café solúvel por uma dose de café expresso)

Açúcar mascavo a gosto (usei xarope de bordo)

1 receita de massa pra torta (veja sugestões acima)

Prepare a massa que escolher e asse em uma forma rasa (usei uma forma de quiche- redonda e bem rasa- de 28cm de diâmetro o que fez com que a camada do recheio ficasse bem fina, como mostra a foto acima). Enquanto a massa esfria prepare o recheio. Derreta o chocolate em banho-maria. Coloque o tofu, o chocolate derretido, a baunilha e o café solúvel dissolvido na água quente no liquidificador e triture até a mistura ficar totalmente homogênea e cremosa. Prove e se achar necessário, adoce com açúcar mascavo a gosto (não esqueça de triturar novamente pra dissolver o açúcar). Despeje o recheio sobre a massa assada e fria, cubra com papel filme ou papel alumínio e deixe descansar uma noite na geladeira. Se preferir fazer a versão pavê, prepare o recheio como indicado, forre uma travessa pequena com biscoitos do tipo maizena, cubra com a a metade do recheio, faça outra camada de biscoitos e cubra com o resto do recheio. Deixe descansar na geladeira, coberto, durante uma noite antes de servir. Rende 6-8 porções.

Salada de batata com maçã e azeitona, ou “a salada de Lila”.

Eu já falei muito da minha irmã caçula aqui no blog, mas acho que nunca mencionei que tenho mais duas irmãs. Ao contrário de Lu e eu, elas não sentem nenhum afeto pela cozinha e a mais velha, Lila, é famosa pela falta de talento nesse departamento (ela tem vários outros talentos, garanto). Na hora de preparar comida, o que ela faz cada vez mais raramente, Lila junta a falta de interesse com a falta de paciência, mistura o que vir pela frente, corta as verduras em quatro (e se justifica dizendo “estilo chinês!”) e o resultado, embora comestível, nunca impressiona ninguém. Como eu disse, ela tem outros talentos e nem todo mundo faz questão de brilhar na cozinha como eu.

Mas Lila tem uma especialidade: salada de batata com maçã e azeitona. Não faço ideia da origem da receita, nem como ela foi parar nas mãos da minha irmã, mas faz muitos anos que essa salada tem presença obrigatória na nossa mesa. Nenhuma celebração é completa sem ela e um jantar só é especial se contar com a salada de Lila.

A versão de Lila tem batata, maçã, azeitona e o molho é uma mistura de maionese e creme de leite. Há tempos venho pensando em fazer a versão vegana da especialidade da minha irmã, mas meu desejo era deixa-la mais nutritiva, além de 100% vegetal.  Eu poderia ter usado um molho à base de tofu, como na minha salada de batata preferida. Além de delicioso, esse molho tem uma textura parecida com a mistura maionese/creme de leite usada na receita original. Mas nem sempre tenho tofu em casa e sei que muitos leitores têm dificuldade de encontrar tofu de qualidade em suas cidades. Como sempre tenho um potinho do meu hummus na geladeira, decidi incorporar essa pasta na salada. E como nenhum prato é completo pra mim sem pelo menos um tiquinho de verde, acrescentei salsinha picada à minha versão.

Pode até parecer estranho usar hummus como molho aqui, mas ele casou perfeitamente com os outros ingredientes e o sabor, misturado com os vegetais, ficou bem mais discreto. Sem contar que hummus é uma das coisas mais nutritivas, e deliciosas, que existe. O que faz dessa salada algo realmente especial é a combinação de texturas (a batata macia e a maçã crocante) e de sabores (o doce da fruta misturado ao salgado das azeitonas). E como adoro ervas frescas, a salsinha era a nota que faltava pra ficar realmente perfeito.

Confesso que não sou fã de batata e se tiver que escolher, prefiro sempre saladas à base de folhas (como essa aqui, por exemplo), mas tenho que reconhecer que essa salada é muito gostosa. Se você gosta de saladas com legumes cozidos e maionese, experimente essa versão original e muito mais nutritiva. Ainda não tive a oportunidade de servir minha versão pra Lila, mas tenho certeza que ela aprovaria.

A salada de batata de Lila (modificada por mim)

Uso um hummus tradicional nessa salada. A receita está aqui. As outras saladas de batata que apareceram aqui no blog: salada de batata com azeitona preta e azeite e salada de batata com tofu defumado e uva (com vídeo!).

4 batatas médias

3 maçãs

1/2x (bem cheia) de azeitonas verdes, picadas grosseiramente

Um punhado de salsinha

5cs de hummus

1cs de azeite

Sal e pimenta do reino

Descasque e corte as batatas em cubos médios. Cozinhe na água salgada, ou no vapor, até ficar macia (cuidado pra não cozinhar demais, senão os cubos de batata virarão purê quando você misturar com os outros ingredientes). Transfira a batata cozida pra uma saladeira grande e deixe esfriar completamente. Se você cozinhou a batata no vapor, salgue a gosto. Corte as maçãs com casca em cubos médios, do tamanho dos cubos de batata. Coloque as maçãs cortadas, as azeitonas e a salsinha picadas na saladeira. À parte misture o hummus com o azeite e bata com um garfo pra incorporar. Se seu hummus for bem espesso, junte 1 ou 2cs de água pra afinar um pouco. O ideal é atingir uma consistência parecida com maionese: cremosa e não muito densa. Despeje sobre os vegetais, tempere com pimenta do reino (melhor se for moída na hora) e misture delicadamente pra não amassar as batatas. Prove e corrija o tempero. Sirva em temperatura ambiente ou, como fazemos na minha família, gelada. Rende 4 porções como acompanhamento.

Granola de chocolate e granola com frutas secas

Sábado passado eu fiz um brunch pra quatorze pessoas aqui em casa. No menu tinha panquecas de batata, tofu mexido, queijo de castanha do Pará, bolo de laranja e amêndoas, granola, cookies e smoothie de cereja. Tudo foi devorado com entusiasmo pelos meus convidados e no final só sobrou a pobre da granola, esquecida no canto da mesa. Não que minha granola não seja gostosa mas quem, em sua sã consciência, vai comer granola quando tem uma bandeja de cookies de chocolate dando sopa? Pelo menos pude tirar uma foto da granola desprezada e agora vou dividir a receita com vocês.

Nunca gostei de granola de supermercado. Além de ser horrivelmente doce, granola comprada pronta tem uma textura que me desagrada, dura e pesada demais. Pra resolver o problema comecei a fazer granola em casa. Testei várias receitas (e métodos) até achar “a receita”: crocante, delicada (ninguém corre o risco de perder uma obturação) e perfumada com minhas especiarias preferidas. Granola é muito versátil. A cada fornada mudo os ingredientes e crio algo novo. Pro brunch de sábado, além da receita clássica (aveia, frutas secas e avelãs) fiz uma granola especial com chocolate, amêndoas e coco. Essa última é pra ser degustada no lanche mas se alguém quiser comer chocolate no café da manhã eu não vou dizer absolutamente nada.

Granola

Usem as oleaginosas, frutas secas e especiarias que vocês mais gostarem. As sementes de girassol podem ser substituídas por sementes de jerimum (abóbora) e o gergelim por coco ralado.

5x de aveia em flocos grossos

2-3x de oleaginosas (amêndoas, avelãs, castanhas do Pará ou de caju, ou uma mistura)

1x de semente de girassol (descascadas)

3/4x de frutas secas (eu usei damascos, passas brancas e figos)

3/4x de gergelim

1x de compota de maçã (receita abaixo)

1/4x de mel de engenho (melado)

2cs de azeite

2cc de canela

1cc de cardamomo (opcional)

½ cc de gengibre

Aqueça o forno a 180°. Em um recipiente grande, misture a aveia, as oleaginosas, as sementes de girassol, o gergelim e as especiarias. À parte misture a compota de maçã, o mel e o óleo e despeje sobre os outros ingredientes. Misture bem com uma colher de pau (eu uso as mãos) até toda a aveia ficar ligeiramente úmida. Espalhe a granola em uma placa de assar biscoitos (o ideal, pois a granola fica mais crocante) ou na maior travessa ou fôrma de bolo que vocês tiverem. Asse por 20 minutos, retire a placa do forno e mexa bem pra que tudo asse por igual. Retorne a placa ao forno e asse mais 20, 30 minutos, ou até ficar bem dourado. Quando estiver pronta, retire a granola do forno e quebre os pedaços maiores. A granola vai parecer um pouco mole ao sair do forno, mas ela fica mais crocante depois de fria. Junte as frutas secas e guarde em um recipiente fechado.

Granola de chocolate

Acham que já provaram tudo em matéria de granola? Essa receita deliciosa vai agradar os adoradores de granola e aqueles que não são muito chegados também.

3x de aveia em flocos grossos

½ x de amêndoas

½ x de lascas de coco seco (se não encontrar pode substituir por coco ralado)

1x de compota de maçã (receita abaixo)

2cs de azeite

½ x de chocolate meio amargo (50% cacau) em pedacinhos

Aqueça o forno a 180°. Misture a aveia, amêndoas e lascas de coco. A parte misture a compota de maçã e o azeite e junte aos outros ingredientes. Mexa bem e espalhe em uma placa de assar biscoitos. Asse por 20 minutos, retire a placa do forno e mexa bem pra que tudo asse por igual. Coloque a placa de volta ao forno e asse até ficar bem durado (mais 20, 30 minutos). Com as mãos, quebre os blocos de granola em pedacinhos. Deixe esfriar completamente antes de juntar o chocolate e transferir pra um recipiente com tampa.

Compota de maçã

Essa receita é facílima e, além de ser usada na granola, pode ser consumida pura como sobremesa ou lanche. Pra fazer uma compota ainda mais gostosa, junte um pouco de canela em pó às maçãs.

8 maçãs vermelhas

Descasque e retire o miolo das maçãs. Corte-as em pedaços médios e despeje tudo em uma panela com um fundo grosso. Cozinhe tampado em fogo baixissímo, mexendo de vez em quando, até as maçãs começarem a se desfazer. Não precisa acrescentar água nem açúcar: ao cozinhar, as maçãs liberam água e depois de cozidas o açúcar da fruta fica concentrado. Quando as maçãs estiverem bem macias e toda a água tiver evaporado desligue o fogo. Depois de frias, passe as maçãs no liquidificador até virar um purê. Rende mais ou menos duas xícaras e meia. O que não for usado na granola pode ser guardado (em um recipiente com tampa) na geladeira por alguns dias.

Sopa de Cebola

Todos nós fizemos coisas no passado que preferíamos esquecer. Eu, por exemplo, tenho um passado culinário negro. Lá pelos onze anos comecei a criar receitas e anotá-las em um caderninho. Se esse caderninho ainda existisse eu iria queimá-lo, tamanha a vergonha que ele me causaria. Minhas receitas tinham ovo, salsicha ou mortadela (ou os três juntos), muita margarina, um pouco de cebola e tomate e eram “temperadas” com maionese, ketchup ou mostarda (ou os três juntos). E todas essas receitas iam parar invariavelmente dentro de um pão. Eu comia aquilo achando que tinha inventado uma obra prima da gastronomia.

Mas o pior ainda está por vir. Lembro de umas férias que passei em Itajá (interior do RN), onde uma parte de minha família mora, e junto com minha prima Rayllívia, que também gostava de cozinhar, decidimos elevar nossas experiências culinárias a um grau mais sofisticado: decidimos fazer patê! Nós ignorávamos completamente a composição dessa iguaria e inventamos nossa própria receita. Colocamos algumas salsichas no liquidificador, juntamos uma cebola crua, alguns tempeiros, um pouco de água e trituramos tudo. Minha tia, a mãe de Rayllívia, ao ver nossa criação fez uma careta discreta e batizou nosso patê de “engrolé”. Nós não ligamos muito, achamos nosso engrolé uma delícia e comemos tudinho… com pão. (Parece que o destino de todas as minhas receitas da época era acabar dentro de um pão)

Rayllívia ainda gosta de cozinhar e felizmente, assim como eu, desistiu de fazer patê de salsicha há muito tempo. Ela é apaixonada por cebola e tem o costume de acrescentar sopa de cebola desidratada em boa parte dos pratos que faz. Lembram da minha irmã caçula que acha que comida pra ser gostosa tem que ter creme de leite? Rayllívia acha que comida pra ser gostosa tem que ter cebola. E ela está certíssima! Por isso criei uma receita especialmente pra ela.

Sopa de cebola é um prato tradicional francês mas, por mais que eu adore cebola, ele nunca me apeteceu. Eu via um monte de cebola boiando em caldo de carne e pensava que aquilo não podia ser bom. Até o dia, mais ou menos um ano atrás, em que decidi deixar meus preconceitos de lado e experimentar a famosa sopa. Segui a receita clássica, fazendo algumas mudanças pra torná-la vegana. O resultado? Eu tinha razão, um monte de cebola boiando em caldo não é muito interessante. Mas a receita tinha potencial! Fiz mais algumas modificações pra deixar a sopa mais consistente e depois de três tentativas cheguei ao resultado que estava procurando. Claro que o sucesso da sopa vai depender da sua relação com cebola. Se você não gosta de cebola, obviamente deve ficar longe desta receita. Mas pra os outros esta sopa é o nirvana. Imaginem um creme de cebola bem temperado, com notas de vinho branco, recheado com fatias de cebola douradas que derretem na boca e torradinhas crocantes que complementam perfeitamente a cremosidade da sopa. NIRVANA!

Esta sopa é um presente pra minha prima adoradora de cebola, que dividiu tantas vezes a cozinha comigo. Espero fazê-la esquecer o engrolé da nossa infância (e o meu passado negro culinário).

Sopa de Cebola

Não deixe a simplicidade dos ingredientes te desencorajar: essa sopa é sublime! O segredo pra fazer uma sopa de dar água na boca é usar um ótimo caldo de legumes, melhor ainda se for orgânico. O vinho usado aqui tem que ser bem seco. Vinho suave é adocicado e estragaria a receita.

6 cebolas brancas médias

6 dentes de alho picado

1 batata grande

1x de vinho branco seco

2 cubos de caldo de legumes (de preferência sem muito sal)

2l de água

6cs de azeite

sal, pimenta do reino e noz moscada (opcional)

croûtons (receita abaixo)

Descasque as cebolas e corte-as ao meio no sentido vertical. Corte as metades em meia-luas finas (não finas demais). Em uma panela grande, doure a cebola no azeite em fogo baixo. Cuidado pra não queimar. Enquanto as cebolas cozinham, descasque e corte a batata em pedaços grandes. Quando a cebola estiver bem dourada junte o alho picado e os pedaços de batata. Refogue durante dois minutos (ou até o alho ficar ligeiramente dourado) e junte o vinho branco. Deixe o vinho evaporar quase completamente e acrescente os cubos de caldo de legumes e a água. Aumente o fogo e espere a sopa começar a ferver. Quando isso acontecer, tampe a panela, baixe o fogo e deixe a sopa cozinhar até as batatas ficarem bem macias e o líquido ter reduzido bastante. Com uma colher grande, “pesque” os pedaços de batata (cortar as batatas em pedaços grandes facilita o trabalho) e deixe esfriar um pouco em um prato. Passe as batatas com uma concha de sopa (caldo mais um pouco de cebola) no liquidificador até ficar cremoso. Devolva a mistura à panela, mexa bem e prove o sal. Junte um pouco de pimenta do reino e duas pitadas de noz moscada ralada na hora. Esquente a sopa e sirva cada prato coberto com croûtons. Serve 4 pessoas.

Croûtons

“Croûtons” são cubinhos de pão torrado. Nem pense em fazer a sopa de cebola sem eles! Como eu disse, o contraste entre a cremosidade da sopa e o crocante dos croûtons é divino. Além de complementar o sabor, o pãozinho transforma a sopa em uma refeiçao mais substanciosa.

4 fatias de pão de forma de boa qualidade (melhor se for integral, como o que usei na foto)

2cs de azeite

Retire a casca do pão de forma e corte cada fatia em oito cubos (em dezesseis se você estiver com coragem). Na maior frigideira que você possuir, aqueça 1cs de azeite e junte metade do pão e tente espalhar bem pra que todos os cubinhos fiquem em contato com o azeite. Deixe fritar sem mexer durante alguns minutos, em fogo médio. Quando os cubinho estiverem bem dourados e crocantes, dê uma sacudida na frigideira pra que eles virem e assem do outro lado. Se você tiver muita, muita coragem, vire cubinho por cubinho. Repita a operação com a outra metade do azeite e do pão.