Arquivos para categoria: Como preparar…

abobrinha

Abobrinha está longe de ser o meu legume preferido. Na verdade é um dos que menos gosto. Acho o sabor sem graça e por ser um legume que tem muita água (o que faz com que o sabor seja tão suave) a textura depois de cozida quase nunca me agrada. Mas existem maneiras de se livrar de uma parte da água e concentrar o sabor da abobrinha. A minha preferida é corta-la me fatias finas, regar com sal e azeite e assar no forno médio-alto até ficar ligeiramente caramelizada.

abobrinha

Também gosto de dourar as fatias na frigideira (com um pouco de azeite, sem nunca acrescentar água (abobrinha já tem água suficiente) pra não diluir o sabor e manter uma textura mais firme.

Ontem almocei com uma amiga em Jerusalém e ela preparou abobrinha de uma maneira inédita pra mim: com leite de coco. Nunca tinha me ocorrido misturar esse legume, que geralmente associo com a culinária italiana e palestina, com leite de coco, que uso nos pratos brasileiros e asiáticos. Mas a minha amiga cozinha muito bem e pelo jeito é chegada numa fusion food. No início achei a mistura ousada, mas depois de provar me apaixonei pelo prato. Como além de inusitada e deliciosa essa receita é facílima, eu precisava dividi-la com vocês.

abobrinha com leite de coco

Abobrinha com leite de coco

Adaptei ligeiramente a receita da minha amiga: juntei coentro e um pouquinho de limão, porque acho que eles são o complemento ideal pro leite de coco, e juntei uma pitada de pimenta calabresa pra deixar a mistura mais quente. Claro que vocês podem fazer sem a pimenta (tem quem não goste de ardor) e sem o coentro (por mais estranho que isso possa parecer pra mim, tem um pessoal que detesta essa erva).

600g de abobrinha (do tipo italiana), cortada em meias-luas finas

1 cebola grande, picada

4-6 dentes de alho, picados/ralados

3x de leite de coco

1cs de azeite

Sal, pimenta calabresa, pimenta do reino e noz-moscada

Suco de limão e um punhado de coentro

Aqueça o azeite em uma frigideira grande e funda e doure a cebola. Junte o alho, cozinhe mais 30 segundos e acrescente a abobrinha. Deixe cozinhar em fogo médio-alto durante alguns minutos, mexendo de vez em quando (fique de olho pra não deixar queimar). Quando uma parte da abobrinha estiver bem dourada junte o leite de coco e os temperos. Usei uma pitada generosa de noz-moscada, pimenta do reino e calabresa, mas tempere de acordo com o seu gosto. Deixe cozinhar mais alguns minutos, até uma parte do leite de coco evaporar e a abobrinha ficar bem macia. Desligue o fogo e junte um pouco de suco de limão (usei 1cs) e um punhado de coentro picado. Prove e corrija o sal, se necessário. Rende 4 porções como acompanhamento.

*Algumas sugestões pra servir: acho que essa abobrinha deve ficar arretada no recheio do meu omelete de grão de bico, mas também fica ótima servida com arroz (melhor se for basmati ou tai). Minha amiga serviu a abobrinha acompanhando gnocchi (eu disse que ela era chegada em misturar culinárias diferentes) e ficou supimpa.

Mais algumas receitas de pratos com abobrinha:

 antipasto beringela abobrinha copie

 Antipasto de abobrinha (e beringela, com alho e hortelã)

Espaguete com abobrinha grelhada e espinafre

Espaguete com abobrinha grelhada, espinafre e alho

 Espaguete de abobrinha com pesto de tomate

Espaguete de abobrinha com pesto de tomate (receita crua e sem glúten)

E antes de me despedir, agradeço a todos que deixaram comentários no meu último post. Adorei receber os parabéns de vocês e espero poder comemorar muitos outros aniversários do blog. E o azeite de Tawfic está a caminho, Ju.

Anúncios

batatas

Faz tempo que não publico um post da série “Como preparar…”. Por um momento eu achei que esses posts eram simples demais pra interessar vocês. Mas algumas pessoas mencionaram a utilidade dessa série quando perguntei o que vocês gostariam de ver aqui em 2013, então ela está de volta. Meu leitores têm níveis diferentes de habilidade na cozinha, alguns são super avançados e outros são debutantes, então vou continuar misturando receitas elaboradas com algumas bem simples, pra que o Papacapim seja interessante pra todos.

Apesar de batata ser provavelmente o vegetal mais comum de todos, não tem muitas receitas com batata aqui no blog. A razão é simples, batata está longe de ser um dos meus legumes preferidos. Aliás, do ponto de vista culinário, nem considero batata um legume: pra mim ela pertence à mesma categoria do arroz, pão e macarrão. O curioso é que muitos vegs, principalmente os iniciantes, abraçam com todas as forças essa categoria. Não tem problema nenhum comer ítens dessa categoria de vez em quando (nem macarrão, pão etc.), mas é bom tomar cuidado pra eles não se tornarem a maior parte da sua dieta.

batata salteada1

Uma palavrinha sobre nutrição. Batata em si não é necessariamente ruim pra saúde, o grande problema é a maneira como ela é preparada. Não preciso convencer ninguém que batata frita e chips são preparações nutricionalmente pobres e o purê seria até interessante, se não acrescentássemos uma carrada de gordura saturada e colesterol (na forma de manteiga, leite e às vezes até queijo). Mas batatas cozidas ou assadas são inofensivas, com a condição de acompanha-las de condimentos saudáveis.

Aainda sobre o aspecto nutricional, uma batata pequena (138g) tem 3g de proteína, 3g de fibras e 22% da vitamina C que precisamos em um dia. A ironia é que vitamina C é a mais frágil de todas e é facilmente destruída pelo oxigênio (quando expomos a batata cortada ao ar), calor (do cozimento) e se dissolve na água em que for cozinhada, ou seja, como quase ninguém come batata crua (alguns crudívoros comem) boa parte dessa vitamina será perdida. O ideal é cozinhar a batata no vapor pra diminuir a perda de vitamina C, ou consumir o líquido no qual ela foi cozinhada (no caso de sopas, isso não é problema nenhum).

Descascar a batata é opcional.  A vantagem de deixar a casca é que ela é rica em fibras, ferro e magnésio, além de reduzir a perda de vitaminas e minerais durante o cozimento (principalmente se você cozinhar a batata inteira, com a casca, no vapor). O problema é que batatas são banhadas em vários agrotóxicos durante a produção e uma das maneiras de diminuir os resíduos desses venenos é lavando bem e descascando o vegetal. Reduz, mas não elimina completamente. Infelizmente os agrotóxicos contaminam também o interior da batata. Então se puder comprar batatas orgânicas, maravilha! Você poderá come-las com casca e ganhar mais nutrientes. Eu faço assim: quando consigo achar batatas palestinas, produzidas por pequenos agricultores (aqui eles usam pouco ou nenhum agrotóxico), como com a casca. Mas está cada vez mais difícil encontrar vegetais palestinos na feira (culpa da ocupação) e quando só encontro batatas vindas das grandes plantações israelenses (nada ecológicas), descasco.

Muitas luas atrás minha amiga Mona perguntou como é que eu fazia purê vegano e desde então fiz uma anotação mental: escrever um post sobre meus purês veganos (tenho várias receitas e prometo que elas são muito mais interessantes, tanto nutricionalmente quanto gustativamente, do que purês tradicionais). Um dia o post chega, mas hoje queria compartilhar com vocês algumas maneiras super simples de preparar batata .

batata salteada2

Batata salteada com cebola e salsinha

Uma receita muito simples, mas que faz bastante sucesso aqui em casa. Essas são as batatas que preparo com mais frequência.

2-3 batatas médias (dependendo do tamanho da sua frigideira)

1 cebola (pequena ou grande, dependendo da quantidade de batata utilizada)

Um punhado de salsinha fresca

Azeite, sal e pimenta do reino a gosto

Lave, descasque (ou não) e corte as batatas em fatias finas (mas não muito) e uniformes. Aqueça uma camada fina de azeite em uma frigideira grande e com tampa e distribua as fatias de batata em uma camada (o ideal é não encher demais a frigideira). Cubra e deixe cozinhar em fogo médio. Enquanto isso descasque a cebola, parta ao meio no sentido vertical e corte em fatias. Quando as batatas estiverem bem douradas em um lado sacuda a frigideira pra virar as fatias e dourar do outro lado. Espalhe a cebola por cima, cubra e deixe cozinhar mais alguns minutos. Cheque regularmente pra ver se as batatas estão começando a queimar (nesse caso diminua o fogo) e mexa os vegetais pra que a cebola também tenha uma chance de dourar. Quando as batatas estiverem macias (teste com a ponta de uma faca) e a cebola ligeiramente dourada tempere com sal (de preferência um sal marinho mais grosso) e pimenta do reino moída na hora. Desligue o fogo e polvilhe com salsinha fresca picada. Sirva imediatamente. Rende 2-3 porções como acompanhamento.

batata refogada com tomate

Batata refogada

Esse foi provavelmente o primeiro prato que aprendi a cozinhar na vida! Aprendi com minha mãe, que é muito boa nos refogados. Ela junta um tiquinho de colorau (urucum) pra dar cor às batatas, mas eu gosto de usar um tomate. Além de deixar as batatas menos pálidas, isso aumenta o sabor. Às vezes uso bastante tomate e transformo o refogado em “batata com molho de tomate”, como na foto acima. Mas confesso que prefiro a simplicidade da batata refogada (com um só tomate), que me lembra a comida de casa.

3 batatas médias, descascadas e cortada em cubos pequenos

1 cebola, picada

4 dentes de alho, picados/amassados

1 tomate (ou 4, se quiser fazer a versão com molho de tomate),  picado

Azeite, sal e pimenta do reino a gosto

Uma pitada de orégano (opcional)

Em uma panela média aqueça 1cs de azeite e doure a cebola. Junte o alho e deixe cozinhar mais 30 segundos. Coloque os cubos de batata na panela e refogue mais 2-3 minutos. Junte o tomate, o orégano (se estiver utilizando), sal e pimenta a gosto e 1/2x de água. Deixe cozinhar coberto, em fogo baixíssimo, até a batata ficar macia. Mexa de vez em quando pra não deixar a batata grudar no fundo da panela. Se você manter a panela coberta e o fogo bem baixo, não precisará acrescentar mais água, pois haverá vapor suficiente (da água e do tomate) pra cozinhar as batatas. Se estiver fazendo a versão no molho de tomate, junte os 4 tomates e cozinhe como indicado acima (nesse caso NÃO precisa acrescentar água nenhuma). Quando a batata estiver bem macia prove e corrija o tempero. Rende 3-4 porções como acompanhamento.

Mais receitas de batata por aqui (clique no nome do prato pra ver a receita):

Aloos masala

Aloo masala (batatas com ervilhas e temperos indianos).

panqueca batata2

Panqueca de batata alemã (delícia, delícia, delícia!)

Minha salada preferida (uma das coisas mais deliciosas do mundo!).

Salada de batata, tofu defumado e uva (minha salada preferida no mundo inteiro)

Gratin Dauphinois Vegano (batata gratinada com creme)

Gratin Dauphinois  (minha versão vegana dessa batata gratinada francesa)

E ainda tem aqueles gnocchi… Pensando bem, até que a tal da batata apareceu bastante por aqui…

Vagem refogada

Vagem é um dos meus legumes preferidos, mas infelizmente é um dos que são mais mal tratados nas cozinhas que visitei. Na França, onde eles comem muita vagem, esse legume é cozinhado (na água ou no vapor) até ficar tão mole que até uma pessoa sem dente consegue mastiga-lo. Além da textura ser desagradável quando ele é cozinhado dessa maneira, a maior parte do sabor vai embora (sem falar nas vitaminas perdidas).

Vocês já perceberam que na série “Como preparar…” quase sempre aconselho fazer o legume em questão refogado, sem água nenhuma? Esse é o meu método preferido pra preparar legumes (em segundo lugar vem a preparação no forno) e funciona com quase tudo que trago da feira. Adoro refogar legumes porque além de ficar pronto em pouco tempo, o calor forte intensifica os sabores e posso controlar melhor a textura, que prefiro quase sempre “al dente”.

Além de deliciosa a vagem é uma leguminosa (da família dos feijões, lentilhas e grão de bico), mas fica pronta muito mais rápido do que os outros integrantes desse grupo. Pros veganos e vegetarianos, e todas as pessoas que estiverem procurando reduzir seu consumo de carne, isso é uma maravilha! Lembrem que pra formar uma proteína vegetal completa precisamos combinar um cereal (arroz, milho, trigo) com uma leguminosa. Então nos dias que precisar de uma refeição completas, mas que fique pronta em poucos minutos, a vagem é a resposta.

Seguem algumas receitas pra inspirar vocês. A primeira é bem simples e explica como preparar uma vagem deliciosa em poucos minutos. As outras são saladas que faço frequentemente aqui em casa, usando vagem refogada e os ingredientes que acho que mais combinam com ela (tomate e vagem foram feitos um pro outro). O segredo pra deixar essas saladas ultra saborosas é temperar a vagem ela quando ainda estiver bem quente (assim ela absorve melhor os sabores) e não ter medo de ser generoso(a) com o azeite. A terceira salada é um prato completo, pois combina a vagem (leguminosa) com um cereal (pão), e é um almoço (ou jantar) perfeito pros dias mais quentes.

Vagem refogada

Lave a vagem e corte em rodelas fininhas. Aqueça um fio de azeite em uma frigideira funda e refogue o legume, em fogo alto, durante um minuto. O calor intenso vai grelhar ligeiramente a vagem e concentrar os sabores. Baixe o fogo e deixe cozinhar coberto, sem acrescentar água, até ficar macio, mas ainda crocante. É importante não cozinhar demais a vagem, pois ela é muito mais saborosa se degustada “al dente”. Empurre o legume pros cantos da frigideira, deixando um espaço livre no centro. Despeje um pouquinho de azeite e frite alguns dentes de alho cortados em fatias finíssimas (a quantidade vai depender do seu gosto). Quando o alho estiver bem dourado misture com a vagem refogada e tempere com sal e pimenta do reino a gosto. Sirva regado com mais um fio de azeite.

 

Salada de vagem com tomate e espinafre

Essa salada também é deliciosa só com tomates e cebolinhas, então o espinafre é opcional. Se omitir o espinafre use 3 tomates (ao invés de 2).

2x de vagem, cortada em pedaços médios

2 dentes de alho, em fatias fininhas

2x de espinafre, picado

1/2x de cebolinha verde picada (a parte branca e um pouco do verde)

2 tomates maduros, cortados em cubos pequenos

Azeite, vinagre balsâmico, sal e pimenta do reino a gosto

Prepare a vagem (com alho) como na receita acima. Quando ela estiver cozida apague o fogo e junte imediatamente (na mesma frigideira) o espinafre, os tomates e a cebolinha. Tempere com bastante azeite, um pouco de vinagre balsâmico, sal e pimenta do reino a gosto. Sirva essa salada morna ou em temperatura ambiente. Rende 2 porções.

 

Salada de vagem e pão grelhado com tomate e manjericão

Use um pão rústico, de preferência integral e com sementes. O bom de fazer saladas com pão é que ele não precisa estar fresquinho, então é uma ótima maneira de usar aquele pedaço de pão dormido que está sobrando na cozinha. Essa é a minha receita preferida com vagem.

3x de vagem, cortada em rodelas finas

2-4 dentes de alho (dependendo do seu gosto)

4 tomates maduros

2x de pão rasgado em pedaços pequenos (usei pão estilo árabe integral)

Um punhado de manjericão fresco

Azeite, vinagre balsâmico, sal e pimenta do reino a gosto

Aqueça uma frigideira grande e funda. Despeje os pedaços de pão e regue generosamente com azeite. Deixe dourar, mexendo de vez em quando, até os pedaços de pão ficarem bem crocantes. Tempere com sal e deixe o pão grelhado esfriar sobre um pano de prato limpo (se você colocar o pão quente em um prato, o vapor que ele liberará vai deixa-lo mole). Prepare a vagem, com a quantidade de alho que preferir, como na receita de vagem refogada. Quando a vagem estiver cozida desligue o fogo e junte os tomates. Tempere com 2cs de azeite, 1cs de vinagre balsâmico, sal e pimenta do reino a gosto. Junte o manjericão e os pedaços de pão grelhado e misture mais uma vez. Sirva imediatamente, enquanto o pão ainda estiver crocante. Rende 2 porções como prato principal ou 4 porções como acompanhamento.

Em sentido horário, começando por baixo: camomila, alecrim, sálvia, verbena e tomilho. Tudo desidratado na minha cozinha.

Talvez algumas pessoas não saibam, mas é muito fácil secar ervas aromáticas e medicinais em casa. Tenho potinhos de alecrim e manjericão no pátio e a vizinha cultiva algumas ervas medicinais no jardim que divide conosco. Além disso, o mercado de Belém, com toda a sua abundância de sálvia e tomilho, entre outras ervas, fica pertinho de casa e vez ou outra trago lindos buquês verdes de lá. Aqui na Palestina a bebida tradicional é uma mistura de chá preto e sálvia (às vezes chá preto e hortelã), por isso os buquês vendidos na feira são bem grandes. Por mais que eu adore ervas frescas, às vezes minha cozinha fica inundada de ervas (buquês comprados na feira, presentes da vizinha, ramos das minhas plantinhas que precisaram ser podados…) e é impossível usar aquilo tudo nas minhas receitas antes que elas apodreçam na geladeira. A solução é transformá-las em ervas secas, pois assim elas se conservam por muito mais tempo.

Uso ervas secas em sopas, molhos, massas e ensopados, mas também pra perfumar sal marinho e fazer chá (infusão). Pra secar as ervas em casa é muito simples. Geralmente lavo os ramos com água e deixo secar sobre um pano de prato. Quando toda a água tiver evaporado, junto os ramos em um buquê e penduro em algum lugar da cozinha onde não bate sol. Tenho uma fruteira de metal, com vários andares, e na cestinha de cima tem sempre ervas secando. Algumas pessoas aconselham envolver os buquês com papel toalha ou papel de seda, antes de pendurá-las, pra ajudar a absorver a umidade das folhas. Embora eu nunca tenha usado esse método, e sinceramente minhas folhinhas secam perfeitamente sem precisar de papel, acho que devo isso ao clima da Palestina, que é extremamente seco. Se o lugar onde você mora é úmido, provavelmente o papel vai ser útil. Percebi também que essa dica é boa pra proteger as ervas de poeira, que pode se acumular durante os dias (as ervas precisam de vários dias pra secar). A minha cozinha não tem janela, infelizmente, mas a vantagem é que justamente por causa disso quase não entra poeira aqui.

Então fica a dica: amarre as ervas limpas, sem nenhuma gota da água da lavagem, formando um pequeno buquê (um buquê grande demoraria mais pra secar e as folhas do meio podem mofar) e pendure em algum lugar da sua cozinha onde não bata sol direto (um varal, um gancho, um porta chaves), envolvido ou não em uma folha de papel toalha ou papel de seda. Depois é só separar as folhas dos galhos e guardar em um pote bem fechado (fora da geladeira). Eu deixo as ervas nos galhos, como mostram essas fotos, e vou arrancando folhinhas conforme a minha necessidade. Mas atenção: nem todas as ervas podem ser desidratadas em casa. Ervas como manjericão, hortelã, salsinha e coentro, por exemplo, geralmente apodrecem antes de secar. As que já sequei em casa com sucesso são as seguintes: sálvia, tomilho, alecrim, camomila e verbena.

Sugestões de uso de algumas dessas ervas:

-Sálvia: combina muito bem com jerimum (abóbora), batata doce, feijão branco e cogumelos. Quer mais inspiração? Veja essa receita de quiche com cogumelo, limão e sálvia que publiquei aqui ano passado. Sálvia também pode ser consumida na forma de infusão. Ela é ótima pra ajudar a resolver problemas intestinais como digestão difícil, dores no estômago e diarreia. Ferva uma xícara de água e junte uma colher de sobremesa de sálvia seca. Deixe descansar alguns minutos, coberta, e coe antes de beber. Aprendi essa “receita” com minhas amigas palestinas e ela me ajudou várias vezes.

-Alecrim: perfeito com batatas. Também fica ótimo com qualquer legume assado. Mais inspiração: risoto de alecrim e limão com tomate cereja assado e salada de batata, tofu defumado e uva. As duas receitas usam alecrim fresco, mas você pode substituí-lo por alecrim seco no risotto.

-Tomilho: gosto de usar em legumes assados e sopas. O sabor é bem intenso, então uma dose pequena é suficiente pra perfumar o prato. Tomilho é a base do condimento mais famoso na Palestina e que faz parte do café da manhã de todo mundo aqui: za’atar (um dia posto a receita).

-Verbena e camomila são deliciosas como infusão. Verbena é calmante e digestiva (além de ter um sabor ótimo) e uma xícara de infusão de camomila meia hora antes de deitar é garantia de espantar qualquer insônia. Lembre-se que pra aproveitar o poder medicinal das ervas é imprescindível cobrir a xícara, ou chaleira, enquanto a erva descansa na água quente e tomar as infusões SEM AÇÚCAR.

Sal marinho com tomilho.

Folhas delicadas, que não podem secar ao ar livre, podem ser desidratadas no forno, como expliquei no post sobre como fazer sal de salsão. E falando em sal de ervas, aqui vai mais uma sugestão deliciosa. Misture uma parte de sal marinho com a mesma medida de tomilho seco e triture bem. Você pode usar um pilão ou um mini processador pra fazer isso. Depois é só guardar em um pote bem fechado e usar pra temperar sopas, feijão, arroz e ensopados.

Hoje é oficialmente o último dia do verão nessa parte do mundo onde moro e é com tristeza que vejo a época do milho ir embora.  Nas últimas duas semanas eu trouxe pra casa todo o milho que meus braços podiam carregar e estou encantada com a versatilidade desse vegetal.  Ele pode ser preparado de várias maneiras, pode ser comido doce ou salgado, combina com inúmeros outros legumes… O milho seco se transforma em comidas que adoro (cuscuz, farinha, polenta, pipoca), mas é o milho fresco que ocupa um lugar especial no meu coração e é dele que quero falar hoje.

Outro dia uma amiga me chocou profundamente quando manifestou sua total surpresa ao ver um famoso chef inglês cortar os grãos de uma espiga de milho, que ele cozinhou em seguida e usou em uma receita. Ela ficou impressionadíssima, como se o chef tivesse acabado de inventar a roda, e eu tive que controlar minha vontade de perguntar: “E você achava que o milho verde que você come crescia nas latas?”. Imagino que casos como esse são extremos (minha pobre amiga não se aventura quase nunca na cozinha e achava que milho na espiga só servia pra cozinhar e assar) e que vocês sabem que mil vezes melhor do que milho enlatado é o milho fresquinho, que a gente corta da espiga. Depois é só refogar e usar nos pratos onde você normalmente usaria milho enlatado (tortas salgadas, pizzas, recheios…). Ou comer puro, mesmo, acompanhando outros pratos.

Cortar o milho da espiga é fácil: você só precisa de uma faca afiada e uma tábua pra cortar legumes. Minha técnica pra não espalhar os grãos pela cozinha enquanto corto é a seguinte: segurando a espiga verticalmente (uma ponta contra a tábua e a outra na minha mão esquerda), corto os grãos da metade pra baixo, em toda a circunferência da espiga. Depois viro a espiga de cabeça pra baixo (a parte onde os grãos foram removidos pra cima) e corto os grãos da outra metade. Fazendo assim os grãos caem de uma altura reduzida e por isso não pulam pra todos os lados (antes eu cortava de uma ponta à outra e os grãos que caiam lá de cima da espiga voavam longe). Se não quiser usar os grãos imediatamente é possível congelá-los. Sempre congelo uma parte do milho que compro, assim posso continuar degustando essa delícia depois da época ter acabado. Uso sacos de congelação e, como os grãos ficam soltinhos mesmo depois de congelados, vou retirando pequenas quantidades, sempre que preciso.

Mas antes de passar às receitas, uma palavrinha sobre como escolher milho. Milho maduro pode ser usado pra preparar canjica, pamonha e bolos, mas o milho bem verdinho é o mais saboroso pra ser degustado puro (assado, cozinhado ou refogado). Se possível compre as espigas que ainda estão envolvidas com a palha. Elas são mais frescas que as espigas descascadas que encontramos em bandejas de isopor, enroladas em papel filme, nos supermercados. Escolha espigas com a palha verde e flexível (evite as com palha amarelada e seca) e que são pesadas (espigas leves são “banguelas”, ou seja, tem várias falhas nos grãos). Pra saber se o milho está verde puxe uma parte da palha e repare nos grãos: eles devem ter uma cor amarelo claro (quanto mais claro, mais verde) e ser bem suculentos (pressione com a unha e veja se escorre um leite branco). Quando o milho é bem verdinho e fresquíssimo, ele pode até ser degustado cru, em saladas. Pode parecer estranho, mas é uma delícia!

Abaixo vocês encontram duas maneiras simples de preparar milho fresco e algumas receitas deliciosas que usam milho e foram publicadas aqui no blog. Enquanto sonho em experimentar outras cores de milho (será que o gosto é diferente?), vou degustar as últimas espigas (amarelas) do ano. Se você também é fã de milho, volte aqui segunda-feira, pois tenho uma receita espetacular pra dividir com vocês.

Milho refogado

Refogue uma cebola picada em um pouco de azeite durante alguns minutos. Junte alho amassado (2-6 dentes, dependendo do seu gosto) e os grãos de 3 espigas de milho. Cozinhe tampado, mexendo de vez em quando, até os grãos amolecerem. Se começar a grudar no fundo da panela acrescente um pouco de água. Cozinho o milho em fogo baixo e nunca preciso colocar água na panela. Gosto de milho “al dente” (macio, mas ainda ligeiramente crocante) por isso poucos minutos no fogo são suficiente. Tempere com sal e pimenta do reino a gosto e sirva regado com um fio de azeite. Rende 2-4 porções como acompanhamento.

 

Ensopado de milho e cogumelo

1x de cogumelos secos (shiitake ou outro)

1 cebola, picada

4 dentes de alho, amassados/ralados

Grãos de 4 espigas de milho

Azeite

Sal e pimenta do reino a gosto

Ferva 1 1/2x de água e despeje sobre os cogumelos secos. Deixe hidratar por 20 minutos. Escorra os cogumelos, reservando o líquido, e pique-os finamente. Aqueça 1cs de azeite e doure a cebola. Junte o alho, os grãos de milho e os cogumelos hidratados picados. Refogue durante alguns minutos, até o milho amolecer um pouco. Junte o líquido dos cogumelos e deixe cozinhar mais um pouco, até boa parte do líquido evaporar. Tempere com sal e pimenta do reino a gosto. Passe 1/3 do ensopado no liquidificador até ficar cremoso. Devolva pra panela, misture bem e corrija o tempero. Aqueça antes de servir e regue cada porção com um fio de azeite. Rende 4 porções.

Mais receitas simples e saborosas com milho pra inspirar vocês (clique no título pra ver a receita).