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Eu tenho uma amiga vegana que sofre bullying da parte de um casal de amigos onívoros. Eles não só fazem piadas o tempo todo sobre a alimentação da minha amiga, como ainda incentivam os três filhos a fazer o mesmo. Minha amiga conta que já aconteceu dela levar um prato vegano quando vai jantar com essa família e quando todos sentaram à mesa os pais apontaram pra comida da minha amiga e, fazendo uma careta de nojo, disseram pras crianças: “Algum de vocês quer comida vegana? Eca!”. E as crianças repetem o “eeeeca!” em coro.

Além de ser uma tremenda falta de respeito (e de classe), essa atitude é totalmente ridícula, pois boa parte do que eles comem no dia a dia é vegano: o pão, o hummus, o arroz, o macarrão com molho de tomate e os morangos que as crianças adoram… tudo vegano! Não me surpreende o fato das crianças não comerem nenhum legume e só aceitarem dois ou três tipos de frutas. Crianças aprendem imitando os pais e se os pais tratam comida vegetal com tanto desprezo, elas farão o mesmo.

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A ironia é que essa família tem um jardim lindo onde eles cultivam vários legumes. Os pais até comem alguns, mas as crianças rejeitam quase tudo. Eles acabam presenteando os legumes do jardim pros amigos e já tive a sorte de receber alguns sacos recheados dessas delícias orgânicas. A casa onde eles moram pertence a uma família palestina e eles ainda cultivam seus legumes em dois terços do jardim. O filho deles, Benji, é o expert em cultivo orgânico e acabamos ficando amigos.  Pelo menos a família palestina come tudo que planta.

Minha amiga teve então uma super ideia. Pra aproveitar os legumes de inverno, que estão prontos pra serem colhidos, e pra mostrar a essa família o quanto comida vegana pode ser deliciosa, ela me pediu pra fazer um jantar orgânico pra eles usando os frutos do jardim. Também convidamos Benji, outro onívoro, mas que tem muita curiosidade em provar meus quitutes vegetais (ele me pediu várias vezes pra ensina-lo a fazer alguns pratos vegs). Então antes de ontem eu acompanhei Benji enquanto ele colhia os legumes mais bonitos do jardim, trouxe tudo pra casa e comecei a bolar um cardápio usando aquelas belezuras (um jardim cheio de legumes orgânicos é a minha Disney). E ontem nós todos (Benji, minha amiga, o casal de amigos com os três filhos e eu) nos reunimos aqui em casa pra devorar minhas criações.

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Confesso que estava muito apreensiva. Eu tenho costume de preparar jantares pra onívoros e até hoje nunca ninguém saiu falando mal da minha comida. Quando cozinho pra não-vegs que nunca comeram comida vegana (na verdade que acham que nunca comeram comida vegana, pois todo mundo come pão, arroz, saladas etc.) procuro servir algo familiar, nada muito ‘exótico’ (tofu e queijo de castanha estão fora de cogitação), mas ao mesmo tempo original e interessante. Essa fórmula tem dado certo, pois o feedback é sempre positivo. Mas crianças onívoras que detestam legumes e acham que comida vegana é ‘eca’? Foi a primeira vez que recebi convidados do tipo. Pra minha grande surpresa tudo correu maravilhosamente bem.

couve-flor

O cardápio era composto de creme de brócolis, macarrão com couve-flor assada, tomate seco e molho cremoso de nozes, couve-de-bruxelas e cebolinhas caramelizadas e, de sobremesa, cheesecake de mação com caramelo salgado. As crianças (5, 8 e 12 anos) não estavam tão animadas quanto os adultos, claro, mas provaram tudo sem reclamar e sem fazer careta. Houve até alguns elogios da ala infantil: a menina do meio adorou a sopa e o menino mais velho disse que o macarrão estava muito bom. Certo, eles não tocaram na couve-de-bruxelas, mas esse é um legume difícil e eu conheço muito adulto que faria a mesma coisa. Mas o que mais me surpreendeu foi ver a meninada tomando… suco verde!

Benji me deu uma braçada de acelga verde e folhas de beterraba. Como o cardápio não comportaria uma salada, resolvi fazer um suco verde pra mostrar uma maneira diferente de consumir folhas verdes. Usei pepinos, bastante maçã (pra ficar mais docinho), um buquê de hortelã, suco de limão e a acelga junto com as folhas de beterraba. Pensei que os adultos diriam “Um… interessante” e que as crianças gritariam horrorizadas quando vissem aquele líquido verde, mas todos acharam uma delícia e a menina caçula pediu até pra repetir. Claro que eu só disse o que tinha no suco depois que todos os copos estavam vazios e aí sim as crianças se horrorizaram, mas era tarde demais: as barriguinhas delas já estavam cheias de vitaminas e minerais.

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Minha amiga passou aqui de manhã e juntas tentamos analisar o ocorrido (ela ficou tão surpresa quanto eu). Como eu disse mais acima, crianças aprendem imitando os pais e ao vê-los comendo algo com entusiasmo acabam ficando com vontade de provar.  Mas acho que minha atitude ao servir a comida pra eles também ajudou. Minha amiga contou que o casal de amigos sempre faz o maior estardalhaço quando cozinha legumes em casa, anunciando aos quatro ventos que terá X (brócolis, couve-flor…) no jantar e que as crianças terão que comer todo o conteúdo do prato. Eu entregava os pratos pras crianças de maneira natural, sem fazer alarde dos ingredientes e até usei um pouco de psicologia inversa em alguns momentos (“Eu sei que você não é fã de brócolis, então não se sinta obrigada a comer essa sopa. Aliás se você não quiser, ótimo, pois vai sobrar mais pra mim!”). Quando a caçula me pediu um copo de leite pra acompanhar a sobremesa (essa família é franco-suíça e o leite ocupa um papel enorme na dieta deles) a mãe disse “Não tem leite nessa casa”, mas eu falei “Na verdade eu tenho um restinho de leite na geladeira, sim. Você quer?” E como ela aceitou, servi um copo do meu leite de amêndoas gelado, sem dizer que aquele leite era ‘diferente’, e não é que a menina engoliu tudo sem fazer um comentário? Foi pra casa sem saber que tinha tomado leite de amêndoas…

couve-de-bruxelas

vegetais

Eu sei que o fato de ser uma ocasião única e das crianças estarem fora de casa contribuiu muito pro sucesso do jantar, mas não posso não me sentir feliz por ter conseguido fazer a turminha vegetofóbica comer, em uma noite, mais vegetais do que eles comem em um mês. (Na verdade o medo irracional de vegetais se chama ‘lachanofobia’, mas lachanofóbico é uma palavra tão esdrúxula que não consigo utiliza-la.)

E minha amiga, que pegou carona com a família pra ir pra casa depois do jantar, me contou toda animada que os pais ficaram muito impressionados com a minha comida e que falaram em comprar um liquidificador pra fazer “aquele creme de castanha delicioso que ela colocou na sopa de brócolis”. Um triunfo em todos os sentidos!

creme de brócolis

Creme de brócolis

Essa sopa extremamente simples é absolutamente deliciosa, além de ser uma entrada leve e elegante. Se você gosta de brócolis, com certeza vai adorar essa receita.

600g de brócolis, cortado em pedaços pequenos (use os buquês e o talo)

1 cebola grande, picada

3 dentes de alho, picados

1 caldo de legumes sem conservantes (veja alternativas nesse post)

2cs de azeite

Sal e pimenta do reino

1/2x de castanhas de caju, de molho por 8 horas

Aqueça 1cs de azeite e doure a cebola. Junte o alho e deixe cozinhar mais 30 segundos. Acrescente 500g de brócolis picado (reserve os 100g restantes) e refogue durante 3 minutos (só o suficiente pra ele ganhar uma cor mais intensa e começar a dourar em alguns pontos). Junte o caldo de legumes e 700ml de água. Quando começar a ferver, baixe o fogo e deixe cozinhar coberto até o brócolis ficar bem macio. Deixe a sopa esfriar um pouco. Transfira a sopa morna e as castanhas escorridas (descarte a água) pro liquidificador e triture até ficar bem cremoso e sem nenhum pedacinho de castanha inteiro (esfregue um pouco da sopa entre os dedos pra testar). Coloque de volta na panela onde a sopa cozinhou, tempere com um pouco de pimenta do reino (melhor se for moída na hora), prove e corrija o sal, se necessário. Na hora de servir aqueça o resto do azeite e refogue o brócolis reservado até ficar ligeiramente dourado, mas ainda crocante. Sirva esse creme em cumbucas pequenas, decoradas com o brócolis refogado. Rende 4-6 porções como entrada (dependendo do tamanho das porções).

*Pra complementar a refeição: Sirvo essa sopa como entrada, mas se quiser transforma-la em um prato principal, acompanhe de fatias de pão integral com cereais e hummus (ou outro patê à base de leguminosas, como esse aqui).

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sopa de lentilha coral e couve-flor

Estive pensando muito sobre sopas ultimamente. Alguns leitores me falaram da dificuldade em se alimentar bem quando se tem pouquíssimo tempo pra cozinhar e pediram dicas. Acho que esse assunto merece um post inteiro, mas como a primeira coisa que faço quando sei que não terei muito tempo pra cozinhar durante a semana é preparar sopa, pensei em tratar desse assunto hoje.

Existem várias razões pra preparar sopa regularmente. Você não tem tempo pra cozinhar algo nutritivo todos os dias? Sopa é a resposta. Em pouco tempo você faz um caldeirão de sopa que poderá ser consumida durante vários dias (ou mais, se você congelar uma parte). E ainda tem um bônus: ela fica ainda melhor no dia seguinte. Mais uma vantagem da sopa: praticamente qualquer ingrediente é bem-vindo na panela. Não sabe o que fazer pro jantar e só tem uns restos de legumes na geladeira? Sopa! Combine os tais legumes com alguma leguminosa que encontrar no armário (lentilha, ervilha) ou com o resto do feijão do almoço e você criou um prato nutritivo com pouca coisa. O que nos leva a terceira grande vantagem da sopa: ela serve de veículo pra vários alimentos saudáveis, como leguminosas, cereais integrais, sementes e castanhas, além, claro, de vegetais.

Tem gente que diz não gostar de sopa, mas com uma combinação infinita de ingredientes e sabores isso me parece impossível. Com bilhões de possibilidades, deve ter pelo menos UMA sopa que agrade essa pessoa, ela só não descobriu ainda.  Então se você joga nesse time, não exclua a sopa da sua vida. Teste combinações com ingredientes que você gosta e tenho certeza que logo, logo você descobrirá uma receita (ou várias) que conquistará seu estômago.

Sei que muita gente pensa que sopa vegana significa sopa de legumes aguada e sem muito gosto. Mas é totalmente possível fazer uma sopa 100% vegetal saborosa e que vai te deixar satisfeito por horas. De tanto cozinhar sopa, acabei desenvolvendo uma fórmula infalível pra preparar sopas sempre saborosas e nutritivas, mais ou menos como minha fórmula da salada-refeição:

1- Cebola+alho. Toda sopa aqui em casa começa com cebola e alho refogados em um pouco de azeite (primeiro a cebola e, depois que ela ficar bem dourada, o alho).

2- Legumes. Uso só um legume nas sopas mais simples, como a receita abaixo, ou vários em receitas mais elaboradas. É importante refogar os legumes durante pelo menos cinco minutos, pra extrair mais sabor deles, antes de acrescentar os próximos ingredientes. Despejar seus legumes em uma panela cheia de água é uma receita infalível pra criar uma sopa sem graça.

3- Leguminosa. Assim como na fórmula da salada-refeição, a leguminosa aumenta a carga de proteínas, transformando o que seria uma entrada (no caso da sopa) ou acompanhamento (no caso da salada) em prato completo. Lentilhas cozinham rápido e podem entrar cruas na panela, mas feijões e grão de bico devem ser cozinhados antes de serem misturado aos legumes.

4- Cereal. Ao juntar um cereal (arroz, milho, trigo em grãos, cevada, quinoa, amaranto, aveia) com uma leguminosa você obtém uma proteína vegetal completa e sua sopa será ainda mais nutritiva. Esse ingrediente não é indispensável se você for servir sua sopa com pão (o que a maioria das pessoas gosta de fazer).

5- Caldo de legumes. É o que vai conectar os ingredientes e aumentar o sabor da sopa. Um bom caldo faz maravilhas por uma sopa e é o equivalente do molho na fórmula da salada-refeição. Eu só uso caldo de legumes orgânico, sem conservantes, mas infelizmente nem todo mundo tem acesso a caldos desse tipo, por isso darei algumas sugestões pra substituí-lo abaixo. Algumas receitas (como minha sopa cremosa de tomate) não precisam de caldo, pois usam ingredientes cheios de sabor (tomates assados, no caso da sopa citada acima). E sopas à base de feijão, como essa, ficam ainda melhores com caldo de feijão (a água onde o feijão foi cozinhado).

6- Ervas. Sopas, como quase tudo, ficam mais saborosas com um punhado de ervas frescas ou um tiquinho de ervas secas. Sopas de feijão preto ou vermelho ficam maravilhosas com coentro, sopas de legumes adoram salsinha e sopas à base de tomate ficam perfeitas com manjericão. Você também pode usar tomilho, sálvia (ótima com feijão branco), cebolinha… Ervas frescas devem ser acrescentadas no final do cozimento, logo antes de apagar o fogo, pois a fervura destrói os sabores. Já ervas desidratadas não têm esse problema e devem entrar na panela mais cedo.

7- Liquidificador. Essa é a minha arma secreta pra fazer sopas deliciosas. Triturar uma parte da sopa vai engrossar o caldo, deixar a sopa muito cremosa (sem precisar acrescentar creme) e intensificar o sabor do prato. Parece bobo, mas é impressionante a diferença que isso faz. Explicação: quando você liquidifica uma parte dos ingredientes você obtém um concentrado de sabor que vai realçar muito o sabor final da sopa.

8- Finalizadores. Gosto de acrescentar alguns ingredientes diretamente sobre as porções, antes de servir. Como pimenta do reino moída na hora, um fio de azeite, suco de limão, mais ervas frescas picadas, tofu defumado em cubinhos (douro uns minutos na frigideira antes), sementes de abóbora ou nozes tostadas (ou qualquer outra oleaginosa)… Eles não são indispensáveis, mas realçam o sabor e deixam o visual da sopa mais caprichado. Já o azeite eu considero indispensável, pois as partículas de sabor são lipossolúveis, ou seja, precisam de gordura pra se liberar. Uma sopa sem gordura nenhuma será bem menos saborosa. Se você não estiver usando um ingrediente gordo na sopa (como, por exemplo, leite de coco) não esqueça de acrescentar um fio de óleo de qualidade, como azeite, óleo de linhaça, gergelim, nozes, avelã…, diretamente sobre as porções: assim você melhora o sabor e preserva os nutrientes do óleo que estiver usando.

Uma palavrinha sobre proporções. Se você não tem muita experiência fazendo sopas, talvez precise de algumas indicações com relação as quantidade de ingredientes. Pra fazer uma sopa pra 4 pessoas geralmente uso 1 cebola grande, 3-4 dentes de alho, 4-5x de legumes, 1x de leguminosa crua (lentilha) ou 2x cozida (feijão e grão de bico), entre 1/3 e 1/2x de cereal cru (se estiver usando), dois punhados de ervas frescas e entre 1,2 e 1,6 litro de água (ou caldo). A quantidade de líquido usada pode variar bastante. Se você estiver usando leguminosas cruas e cereais, precisará de mais água/caldo.

salsão

Salsão aumenta o sabor de quase todas as sopas.

O caldo de legumes é um assunto polêmico. Sou totalmente contra realçadores de sabor artificiais na minha comida (e na de vocês) e sei que no Brasil não é fácil encontrar um caldo de legumes orgânico e sem nada químico. Se você ainda usa pozinhos do tipo Sazon ou Ajinomoto, você precisa parar urgentemente! Como expliquei, só uso um caldo de legumes composto unicamente de legumes orgânicos desidratados, sal marinho e um tiquinho de óleo vegetal. Também uso um caldo de legumes orgânico em pó (não em cubos), que tem os mesmos ingredientes, menos o óleo (esse é o meu preferido). Mesmo assim só uso caldo de legumes pra preparar sopas e risotos, onde ele é realmente necessário. Acho que “caldo pra arroz” e “caldo pra feijão” são verdadeiras aberrações. Não precisamos aumentar a dose de produtos químicos que passa pela nossa boca, não é? E quem não encontra caldo orgânico e natural faz o que? Aqui vão algumas sugestões:

-Faça seu caldo em casa. É muito simples: basta colocar duas cenouras, alguns talos de salsão (com as folhas), uma cebola grande, um alho-poró (opcional), tudo cortado em pedaços grandes, mais uns dentes de alho, umas folhinhas de louro, uns raminhos de tomilho e uns carocinhos de pimenta do reino em uma panela grande, cobrir com 2 litros de água e deixar ferver durante 40 minutos. Depois é só coar (eu aproveito os legumes também, passo tudo no liquidificador e uso na sopa) e usar. Você pode conservar o caldo na geladeira durante alguns dias ou congelar. O problema é que faço sopa com bastante frequência, então essa opção não é das mais práticas. E eu precisaria de um freezer enorme pra congelar todo o caldo que preciso, por isso raramente faço caldo em casa.

– Uma alternativa mais compacta, em termos de armazenamento, é o mirepoix. Mirepoix  é uma mistura de cenoura, cebola e salsão picados miudinhos e refogados em algum tipo de gordura (às vezes molhado com um tiquinho de vinho branco), usado na cozinha francesa como base pra várias receitas. É o equivalente sólido do caldo de legumes acima. A vantagem é que exige menos espaço no congelador. Eu faço mirepoix assim: aqueço 1cs de azeite e douro (nessa ordem) 1 cebola, 2 dentes de alho, 2 cenouras, 2 talos de salsão (com as folhas) e 1 alho-poró (opcional), tudo bem picadinho. Junto as folhas de 1 galhinho de tomilho e 1 folha de louro, molho tudo com 1/3 x de vinho branco seco e deixo cozinhar coberto, em fogo baixíssimo, até os legumes ficarem bem macios. Depois de frio retiro a folha de louro, congelo em forminhas (uso formas de muffins), desenformo depois de congelado e guardo dentro de um saco plástico no congelador. Uso 2 bloquinhos de mirepoix pra fazer uma sopa pra quatro pessoas (não precisa descongelar antes).

mirepoix congelado

Mirepoix congelado em forminhas de muffin.

-A alternativa mais simples, e rápida, de todas: junte legumes e ervas aromáticas à sua sopa, durante o preparo. Yoko, uma leitora aqui do blog, me deu essa dica uns tempos atrás e consegui muito sucesso com ela. Aumentei um pouco a quantidade de cebola e alho da receita, juntei um talo de salsão, uma folha de louro e um ramo de tomilho e a sopa ficou perfeita.

-Outras alternativas ao caldo de legumes: caldo de cogumelos (quando hidratamos cogumelos secos em água fervente o líquido se transforma em um delicioso caldo) e missô (nesse caso junto um pouquinho da pasta assim que desligo o fogo, pois ferver o missô significa matar as bactérias boas que ele traz pro corpo).

E voltando ao assunto abordado no início do post, se você não tem tempo pra cozinhar diariamente, mas quer degustar uma refeição nutritiva pelo menos uma vez por dia, adote o hábito de preparar um caldeirão de sopa no fim de semana, congelar a metade em porções individuais (ou duplas, ou triplas, dependendo do número de moradores da sua casa) e deixar a outra metade na geladeira. Durante a primeira metade da semana você come a sopa da geladeira e na outra metade, as porções congeladas. Acompanhe sua sopa de uma fatia de pão integral com cereais, talvez alguma pastinha (que também pode ser preparada no fim de semana e conservada na geladeira durante vários dias) e você terá uma refeição equilibrada, muito nutritiva e saborosa esperando por você em casa.

sopa de lentilha coral e couve-flor2

Sopa de lentilha coral e couve-flor

Essa sopa simples e saborosa é um bom exemplo da fórmula que expliquei acima. Ela tem um sabor delicado, mas irresistível, e é super cremosa, graças ao truque do liquidificador e uma pequena quantidade de fubá (o que realçou o sabor, além da textura). Fiz essa receita com caldo de legumes e com ervas e legumes aromáticos e as duas versões ficaram perfeitas. Pra fazer a segunda versão usei um pouco mais de cebola e alho ( 1 1/2 cebola e 5 dentes de alho) e refoguei junto com 1 talo pequeno de salsão picadinho, 1 ramo de tomilho seco (que retirei da panela antes de servir) e 2 folhas de louro (ao invés de 1).

1 cebola, picada

4 dentes de alho , picados/amassados

4x de couve-flor, picada (aproximadamente 1/2kg)

1x de lentilha coral

1/3x de fubá do tipo ‘flocão’

1 cubo de caldo de legumes sem conservantes (ou as ervas e legumes aromáticos citados acima)

1 folha de louro

1cs de azeite

Sal e pimenta do reino a gosto

Azeite e suco de limão pra servir

Aqueça o azeite e doure a cebola. Junte o alho e cozinhe mais 30 segundos. Acrescente a couve-flor picada e refogue durante 5 minutos, ou até ela começar a dourar. Junte a lentilha, o fubá, o caldo de legumes, o louro e 1,2 litro de água. Quando começar a ferver baixe o fogo e deixe cozinhar, semi-coberto, até a lentilha e a couve-flor ficarem bem macias. Se a sopa parecer muito espessa acrescente mais um pouco de água. Deixe esfriar um pouco e transfira metade da sopa pro liquidificador (retire a folha de louro antes). Triture até ficar bem cremoso e devolva pra panela. Tempere com pimenta do reino a gosto e corrija o sal. Aqueça novamente antes de servir e regue cada porção com um fio de azeite e um pouco de suco de limão, se quiser (também polvilhei a sopa com pimenta rosa). Rende 4 porções.

*Pra complementar a refeição: essa sopa é um prato completo, com vegetais, leguminosas e um cereal, mas como a quantidade de fubá aqui é pequena, talvez você queira acompanha-la de pão, de preferência com uma pastinha à base de oleaginosas, como essa ou essa (a quantidade de gordura dessa receita é bem pequena e isso equilibraria a falta desse nutriente além de aumentar a sensação de saciedade). Ou simplesmente regue o seu pão torrado com mais azeite. Comer uma fruta cítrica de sobremesa (laranja, mexerica) também é uma boa ideia pra aumentar a quantidade de vitamina C da refeição. Ou faça como eu e sirva sua sopa acompanhada de uma salada crua pequena.

sopa jerimum gengibre e coco

Muito obrigada pelos comentários que vocês deixaram no meu último post. Vocês são minha motivação pra manter esse blog no ar, me dão forças pra continuar quando o trabalho parece grande demais pros meus frágeis ombros e me inspiram a ser uma pessoa cada vez melhor. Em 2012 o Papacapim foi visto mais de meio milhão de vezes e saber que tem tantos pares de olhos acompanhando o meu trabalho dá um certo frio na barriga (medo de decepcionar vocês), mas também dá vontade de ir cada vez mais longe, na cozinha e fora dela. Já tenho uma lista imensa de posts que gostaria de escrever, então se preparem que tem muita coisa interessante vindo por aí. Sigam-me os bons!

As férias na França são sempre recheadas de receitas deliciosas e dessa vez não foi diferente. Mas cozinhar em uma casa com oito adultos, três crianças e uma árvore de natal gigantesca significa que é impossível fotografar os pratos antes deles serem devorados. Mas alguns pratos fizeram tanto sucesso que fiz várias vezes durante as duas semanas que passei na casa do meu sogro e na segunda vez tomei o cuidado de fotografa-los antes de coloca-los na mesa.

Essa sopa apareceu aqui no blog tempos atrás e desde então várias pessoas se apaixonaram por ela. Minha irmã Lu fez essa receita lá em Natal e toda a família adorou. Fiz uma versão ligeiramente modificada dessa vez, omitindo o óleo de gergelim (muito difícil de encontrar) e acrescentando leite de coco pra deixar a textura e o sabor mais ricos. Também simplifiquei a receita, cozinhando o jerimum sobre o fogão, ao invés de assar no forno antes de fazer a sopa. Em duas semanas, fiz essa sopa três vezes, inclusive na festa de aniversário da minha cunhada (minha sopa foi o primeiro prato que desapareceu do buffet e olha que eu tinha feito um senhor caldeirão!).

Espero que esse primeiro fim de semana de 2013 seja ótimo pra todos nós (e os próximos também). E que o seu ano seja recheado de comida saborosa, vibrante, nutritiva e vegetal.

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Sopa de jerimum (abóbora) com gengibre e leite de coco

Leite de coco caseiro é mais líquido e tem um sabor menos forte do que a versão industrializada, por isso sugiro usar um pouco mais do primeiro. Sinta-se livre pra ajustar a quantidade de coco de acordo com o seu gosto, mas tenha em mente que o coco entra aqui pra realçar os outros ingredientes e deve ser mais discreto do que o jerimum e o gengibre nessa receita. Jerimum de leite (cremoso, doce e compacto) é o ideal aqui, mas pode ser substituído por abóbora do tipo butternut (ou abóbora comum, se for tudo que você conseguir encontrar).

5x de jerimum de leite em cubos pequenos (ou abóbora do tipo butternut), sem casca

1 cebola pequena, picada

2 dentes de alho, picados

1 cs de gengibre fresco ralado

1 cubo de caldo de legumes (se possível sem conservantes e orgânico)

600ml de água

1cs de azeite

1x de leite de coco caseiro (ou 1/2x de leite de coco industrializado)

Sal a gosto

Um punhado de coentro pra servir

Refogue a cebola no azeite até ficar ligeiramente dourada. Junte o alho e o gengibre e refogue mais 30 segundos. Acrescente os cubos de jerimum, refogue durante alguns segundos, junte o caldo de legumes e cubra com a água. Cozinhe coberto até o jerimum ficar bem macio e o líquido tiver reduzido um pouco. Junte mais água se precisar, mas lembre-se de deixar uma boa parte do líquido, senão a sopa ficará muito líquida. Deixe esfriar um pouco e passe a sopa no liquidificador até ficar bem cremosa. Coloque a sopa de volta na panela, junte o leite de coco, prove e salgue a gosto. Se estiver usando leite de coco industrializado, talvez seja necessário acrescentar um pouco mais de água. A sopa deve ficar espessa e cremosa, mas não ao ponto de parecer um purê.  Aqueça a sopa em fogo baixo e sirva polvilhada com coentro picado. Rende 4 porções comportadas.

Sopa de espinafre e batata.

Sopa de espinafre e batata.

Essa semana não foi das mais fáceis pra mim. Não consegui imprimir o livro de receitas do projeto a tempo (mil e um problemas técnicos) e como viajo depois de amanhã, isso significa que o livro só verá o dia em janeiro. Vamos perder a oportunidade de vender o livro durante a única época do ano em que Belém é invadida pelos turistas: o natal. Sei que fiz tudo que estava ao meu alcance, mas não consegui não ficar triste e estou com um gostinho de decepção na boca.

A correria dos últimos dias (finalização do livro, preparativos pra viagem e encontros com amigos pra desejar um feliz natal antes de partir) e um sistema imunológico que não está no melhor da sua forma (culpa do estresse e das poucas horas de sono das últimas semanas) fez meu estômago gritar “Comida nutritiva e leve, pelas caridades!” Em períodos de estresse, quando sinto que meu corpo está fragilizado, tento compensar o desgaste ingerindo alimentos super ricos em vitaminas, minerais e antioxidantes, mas ao mesmo tempo de digestão fácil, pois não quero dar mais trabalho pro meu corpo cansado.

Vou confessar algo que talvez surpreenda meus leitores. Enquanto Anne estava em Gaza e eu arrancava os cabelos criando o livro pro projeto, ao mesmo tempo em que tentava desesperadamente não me desesperar, acabei deixando o cansaço me vencer e me alimentei muito mal. Passei dias e mais dias comendo só essa papa de aveia (o que me salvou, pois era a refeição mais nutritiva do dia), pão integral com hummus e mexericas. Sei que poderia ter sido pior (parece que gente que come biscoito recheado com refrigerante em períodos de estresse…), mas cheguei ao cúmulo de comprar, pela primeira vez em anos, cereal de caixa. Daquela marca demoníaca! Com açúcar!! Foi o meu fundo do poço gastronômico/nutritivo e não tenho orgulho nenhum disso. (Pausa pra baixar a cabeça com vergonha.)

Então agora é mais importante do que nunca reabastecer meu corpo com comida nutritiva, pois não quero passar as férias doente (já arrasto uma quase gripe desde o final de novembro).  Mas, como expliquei mais acima, essa semana está sendo uma correria só, logo a comida que sai da minha cozinha tem que ficar pronta em pouco tempo, além de ser rica em nutrientes e de fácil digestão, claro. Tarefa impossível?  Me dou conta que é justamente aqui que nos deixamos seduzir por comida nada nutritiva, mas que já vem pronta (hum… como a caixa de cereais da marca demoníaca). Mas com um mínimo de preparação e os ingredientes certos na geladeira, o problema está resolvido. Alguns exemplos do que passou pelo meu estômago nos últimos dias: suco verde, feijão (cozinhei uma quantidade grande e fui usando durante a semana), legumes salteados ou assados (brócolis, couve-flor, cenoura…), a super papa, sopa de feijão e beterraba, essa salada de lentilha, limão espremido com água (ótimo pra limpar o organismo), chia, castanha do Pará (rica em selênio, um poderoso antioxidante) e muitas folhas verdes (espinafre, acelga verde, folha de rabanete…).

Falando em folhas verdes, ontem à noite eu estava querendo um jantar ultra leve e cheio de espinafre. Nasceu então essa sopa. Durante o inverno, quando é época de legumes folhosos, eu poderia comer espinafre todos os dias sem nunca me cansar. A sopa ficou pronta em menos de meia hora e era exatamente o que o meu corpo estava precisando. Ela é extremamente simples, mas é saborosa e alimenta sem pesar no estômago. Receitas humildes, rústicas, saborosas e práticas são as minhas preferidas.

Agora preciso continuar os preparativos da viagem. Na próxima vez que aparecer por aqui estarei em outro continente. Até lá estarei comendo muitas folhas, oleaginosas, leguminosas, tomando limão espremido com água e cobrindo os meus ouvidos se a caixa de cereal demoníaca ousar chamar o meu nome de novo.

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 Sopa de espinafre e batata

Se quiser aumentar a quantidade de proteína dessa receita junte uma xícara de feijão branco ou grão de bico cozido (no momento em que colocar o espinafre na panela).

1 cebola grande, picadinha

4 dentes  de alho, ralados/amassados

2 tomates, picados

2 batatas grandes, cortadas em cubos médios

300g de espinafre, picado

1 caldo de legumes (de preferência sem conservantes)*

Sal e pimenta do reino a gosto

1cs de azeite

Azeite e limão pra servir

Refogue a cebola em 1cs de azeite até ficar dourada. Junte o alho e refogue mais 30 segundos. Junte o tomate, a batata, o cubo de caldo de legumes e 750 ml de água. Deixe cozinhar, coberto, até a batata começar a se desfazer. Use as costas de uma concha de sopa pra amassar ligeiramente uma parte das batatas. O objetivo não é fazer um purê e sim engrossar um pouco o caldo, então cuidado pra não amassar demais. Junte o espinafre e cozinhe mais alguns minutos, até ele amolecer. Tempere com pimenta do reino, prove e corrija o sal. No momento de servir, regue cada porção com azeite e um pouco de suco de limão, se gostar. Rende duas porções generosas.

*Pode ser substituído por 750 ml de caldo de legumes caseiro.

 

Minha nada mole vida.

Gostaria de passar por aqui com mais frequência, mas no momento parece impossível. Impressionante como essas férias estão agitadas, contrariamente ao que sugere a foto acima. Pra não ficar tanto tempo longe, estou passando rapidinho só pra dividir uma receita ultra simples, mas saborosa. Espero voltar com mais tempo da próxima vez pois já estou com saudade desse meu cantinho.

Creme de macaxeira (mandioca)

Servi esse creme com maxixe refogado e acho que ficou perfeito. Se não souber preparar maxixe aconselho adaptar minha receita de pirão de maxixe: omita a farinha de mandioca (já que não haverá pirão) e cozinhe o legume sem água, pra não formar nenhum caldo. No post onde divido a receita do pirão de maxixe tem algumas fotos do sítio onde armei a rede da primeira foto e onde preparei esse creme de macaxeira.

2x de macaxeira cozida

2x da água de cozimento da macaxeira

3cs de azeite

Sal e pimenta do reino a gosto

Bata a macaxeira cozida com a água do cozimento no liquidificador até ficar homogêneo. Com o motor ligado, despeje o azeite em fio. Tempere com sal e pimenta do reino e leve o creme ao fogo durante alguns minutos pra esquentar. Sirva quente, acompanhado de maxixe (veja observação no início da receita) ou outro legume refogado.

Servi o creme de macaxeira no almoço, acompanhado de maxixe, repolho refogado, arroz, banana da terra frita e proteína de soja (feita pela minha mãe).